As bibliotecas humanas onde se consultam pessoas em vez de livros

biblioteca humana

Biblioteca humana: pessoas reais, conversas reais.

É certo que nos últimos anos as bibliotecas vem apresentando mudanças significantes e isso não  se evidencia apenas com a tendência no desaparecimento dos catálogos em fichas impressas. O entendimento de biblioteca como um lugar cheio de livros onde pode acessar a informação está obsoleto e insisto em afirmar, o conceito de biblioteca que encontramos nos dicionários já não mais se aplicam por não ser suficiente.

Em postagens anteriores já falei da diversidade de coleções e coisas que podem ser encontradas no espaço de bibliotecas, como o  empréstimo de ferramentas de trabalho e de utensílios de cozinha.

O surgimento da ideia

biblioteca humana é uma experiência que iniciou com a ONG por jovens idealistas, denominada de “Stop the Violence” na  cidade dinamarquesa de Copenhaguem no ano 2000, dentro do Festival Roskilde ‒um dos  maiores festivais de verão na Europa. E desde esse primeiro momento a ideia já tinha o foco na anti-violência, encorajar o diálogo e ajudar a construir relações positivas  de tolerância e compreensão entre os visitantes do festival.

Naquele momento havia na Dinamarca uma grande concentração de pessoas de diferentes culturas, religiões, raças e então a população daquela região tinha um sentimento de invasão.

Em oposição a esta crença, deu-se forma à biblioteca humana, uma plataforma para promover o diálogo entre as pessoas que normalmente nunca falam, possibilitando, de certo modo o questionamento aos preconceitos e estereótipos, e contribuindo para o reforço da coesão social.

Atualmente a biblioteca funciona como projetos e permite que algumas ONGs ou pessoas utilizem a marca para realização de eventos com o nome Library Human em diferentes partes do mundo.

A coleção da biblioteca

Os  materiais consultivos porque não há como comparar aos livros numa Biblioteca Humana são pessoas reais, voluntárias, capazes de comunicar a sua realidade pessoal. A modo ilustrativo, é possível estabelecer contato com pessoas que foram vítimas de discriminação ou exclusão social e que estão disponíveis para se encontrar, num ambiente aberto, acolhedor e seguro, com um ou mais “leitores” interessados.

livros da biblioeca humana

No catálogo da própria biblioteca é possível identificar algumas “Pessoas informantes” denominados “Livros” pela instituição. Entre eles temos:

  • Transtorno bipolar
  • Vivendo com HIV
  • Refugiados
  • Mães solteiras
  • Abuso sexual
  • Naturistas
  • Relações poliamor
  • Surdos
  • Cegos
  • Desemprego
  • Lesão cerebral
  • Transtorno de estresse pós-traumático em soldados
  • Déficit de atenção / hiperatividade (TDAH/DDA)
  • Modificação extrema no corpo
  • Sem teto
  • Conversão religiosa

Metodologia da consulta

  • É um método planejado para promover o diálogo, reduzir preconceitos e estimular a compreensão.
  • Os encontros são uma oportunidade para a aprendizagem, tendo um papel importante na sensibilização sobre a importância dos direitos humanos para o bem-estar pessoal de todos.
  • Após escolher um tópico sobre o qual querem escutar, os “leitores” pegam no seu cartão de biblioteca e são conduzidos a uma área de discussão, onde conhecem os seus “livros”.
  • É riqueza está na possibilidade de questionar, tirar dúvidas: tornando a experiência engrandecedor para ambas as partes.

 

Como a tecnologia está mudando a maneira de gerenciar a coleção de vestuário teatral.

Um guarda-roupa gigante? 

Não. Essa é uma espécie de biblioteca do vestuário teatral da cidade de Buenos Aires. Nesse lugar se guardam vestuários, figurinos, cenários, sapatos, perucas, acessórios, etcétera, de obras teatrais que se realizaram nas salas do Teatro San Martin. Esse espaço é inédito ao menos na América Latina e se coloca a altura das referências em produção teatral do mundo, sendo portanto, uma instituição cultural de referência na cidade de Buenos Aires e para a Argentina.

Foi idealizada pela Fundación Amigos del Teatro San Martín, o Complexo Teatral de Buenos Aires (CTBA) inaugurou em Maio de 2015  um Centro de Vestuário de 600 m2, localizado na Rua Zabala 3654,  no bairro de Chacarita, construído especialmente para o armazenamento das 30.000 peças que integram sua coleção de vestuário teatral.

O Centro de Vestuário do CTBA foi projetado e  construído seguindo padrões internacionais para a  preservação de têxteis, com o objetivo de garantir as condições ótimas para o resguardo e a segurança dos figurinos.

Em uma colaboração sem precedentes entre a Fundação, as Secretarias  de Cultura e a de Desenvolvimento Urbano do governo da cidade, o CTBA se projetou, desenvolveu-se e implementou-se num programa para preservar e organizar as peças que integram a coleção embora de início a ideia foi de modernização informática para a gestão do vestuário cênico, adereços e cenografia, informou Paula Ramos.

Coleção tesouro

O emprego da palavra tesouro não é casual. Se denominam por sua confecção ou por haver sido usadas em determinada obra ou por algum ator muito reconhecido. Ademais, os itens do tesouro – por seu alto valor patrimonial (que considera o processo de desenho e a história individual) – merecem ser especialmente protegidas e por isso não podem sofrer modificações.

Gestão da coleção

Com o objetivo de organizar, classificar e documentar as peças que integram a coleção foi desenvolvido uma software XIRGU  (homenagem a atriz espanhola Margarita Xirgu Subirá) que possibilita a gestão inovadora em relação ao patrimônio.  Esse software gera informação confiável sobre cada vestuário e possibilita sua administração desde o momento de sua confecção até seu armazenamento, passando por sua historia sobre os palcos do CTBA.

Dentro do sistema informatizado, cada prenda pode contar com fotografias em excelente qualidade e possibilidade de aproximação para observar os detalhes, os bordados, os acessórios que a acompanham, numa quantidade excelente de detalhes que podem ser agregados por campos de metadados definidos pela equipe.

Centro de Vestuário do Complexo Teatral San Martín, Buenos Aires.

“Semana de la dulzura”: um bombom por um beijo.

semana de la dulzura

Uma das datas comemorativas que mais gosto aqui na Argentina é a famosa e tão esperada semana da doçura. Começa no dia 01 de julho e decorre até o dia 7 do mês. A intenção é dar doces e guloseimas em troca de um beijo. Pense como é possível tirar uma casquinha nada inocente. (risos).

A Semana da doçura é uma invenção puramente argentina, ou seja, não existe em nenhum outro lugar do mundo e não foi adotado por qualquer país ou continente.

#Como começou

Nasceu em 1989 por iniciativa da empresa Arcor com ADGyA (Associação de Distribuidores de Guloseimas e Afins – em português) como parte de uma estratégia de marketing para aumentar as vendas.

O sucesso foi tão grande e acompanhado do slogan da campanha “una gulosina por un beso” estima-se que durante esta semana do ano  aumentou aproximadamente 20% a venda de doces. Pouco a pouco a semana foi se tornando um clássico momento onde todos podem aproveitar para presentear um doce a uma pessoa especial. A partir desse momento a semana de doçura foi implementada como parte da cultura argentina, tornou-se tão importante como o dia do amigo, mãe, filho ou pai.

Nesta semana, a ideia é ser amável e gentil com seus bens, seu trabalho e tudo ao seu redor.

#O lado amargo

Assim como o chocolate, também temos pessoas amargas e que criticam a semana festiva porque “a semana de doçura é uma invenção dos países do terceiro mundo para aumentar a ascensão do capitalismo”. [Não me venham com ideais de socialismo mal aplicado por favor!].

Também tem o grupo dos que acham estúpido esperar por sua esposa(o), namorada(o), peguete com um buquê de rosas no aniversário, comprar presentes no Natal ou ovos de chocolate na Páscoa, e, inclusive celebrar a Semana da doçura. Estas mesmo que tenham uma característica religiosa, notem que também possuem um vínculo religioso – e também capitalistas.

# Curiosidade (que eu me amarro)

pegadinha bombom

O ser humano é super criativo. Uma brincadeira que costuma fazer por aqui é o seguinte: Se 1 bombom vale 1 beijo. Uma caixa de chocolate um bom sexo (garchada – termo informal, não sei se vulgar para sexo), não?!

As baladas sabem muito bem como tirar proveito da ocasião, muitas delas já entregam doces no momento que a pessoa chega na balada e aí se instala um momento de azaração a noite toda. Sensacional!

Além das especulações e pensamentos divergentes, a semana de doçura existe e está instalada na Argentina com grande êxito! Não é a toa que no ano de 2015 está em sua 26a edição, é provável que, em pouco tempo veremos brasileiros, italianos, venezuelanos, espanhóis e outras nacionalidades dando doces e pedindo um beijo em troca.

Os direitos autorais como ameaça às bibliotecas

direitos autorais e biblioteca

Cada vez que mostro a capa de um livro,  uma ilustração, uma fotografia que não foi tirada por mim ou a cada vez que publico no facebook ou no twitter  uma citação de algum autor que não esteja morto há mais de 70 anos – porque nesse caso seus direitos patrimoniais seguramente já teriam expirado – estou comunicando algo publicamente de modo indevido se considerarmos ao pé da letra o que diz o texto da lei. Talvez, muitos de nós acreditamos que ao citar corretamente a fonte é condição suficiente para se livrar dos problemas relacionados ao direitos autorais: falso. Citar corretamente a fonte é um direito moral do autor: apenas estamos reconhecemos a sua obra.

Há uma série de questões envolvidas, onde a lei de direitos autorais se cruza como com a nossa prática de bibliotecários: muitas atividades que hoje fazem parte do cotidiano das bibliotecas, como digitalização para fins de preservação, cópia para pesquisa e troca entre bibliotecas de outros países enfrentam as barreiras impostas pelos direitos autorais não só âmbito nacional como também no internacional.

Duas vertentes de um mesmo cenário

Estar legal no tema de legislação que trata sobre a matéria de direito de autor ou direitos autorais pode ser uma ameaça a plena execução dos serviços oferecidos por bibliotecários nas bibliotecas ou outras unidades de informação. Isso porque há uma série de leis que bloqueiam a execução lícita de determinadas atividades.

Trata-se de uma situação paradóxica da sociedade da informação, que por um lado defende o acesso aberto e por outro valora a proteção dos autores. É importante conhecer para saber como não cair em saia justa e ter consciência no momento que ocorra determinada situação inconveniente.

Quais são os instrumentos normativos?

O direito autoral está regulamentado pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98)

Protege as relações entre o criador e quem utiliza suas criações artísticas, literárias ou científicas, tais como textos, livros, pinturas, esculturas, músicas, fotografias etc.

Como funciona a lei?

Os direitos autorais são divididos, para efeitos legais, em direitos morais e patrimoniais. Cada um com seu tempo e alcance.

direitos do autor

O que pode ser protegido?

A Lei 9.610, no Capítulo I, Artigo 7º, define:

I – os textos de obras literárias, artísticas ou científicas;

II – as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza;

III – as obras dramáticas e dramático-musicais;

IV – as obras coreográficas e pantomímicas, cuja execução cênica se fixe por escrito ou por outra qualquer forma;

V – as composições musicais, tenham ou não letra;

VI – as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas;

VII – as obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia;

VIII – as obras de desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética;

IX – as ilustrações, cartas geográficas e outras obras da mesma natureza;

X – os projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, engenharia, topografia, arquitetura, paisagismo, cenografia e ciência;

XI – as adaptações, traduções e outras transformações de obras originais, apresentadas como criação intelectual nova;

XII – os programas de computador;

XIII – as coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases de dados e outras obras, que, por sua seleção, organização ou disposição de seu conteúdo, constituam uma criação intelectual.

§ 1º Os programas de computador são objeto de legislação específica, observadas as disposições desta Lei que lhes sejam aplicáveis.

§ 2º A proteção concedida no inciso XIII não abarca os dados ou materiais em si mesmos e se entende sem prejuízo de quaisquer direitos autorais que subsistam a respeito dos dados ou materiais contidos nas obras.

§ 3º No domínio das ciências, a proteção recairá sobre a forma literária ou artística, não abrangendo o seu conteúdo científico ou técnico, sem prejuízo dos direitos que protegem os demais campos da propriedade imaterial.

Entidades de gestão dos direitos autoriais

Desde 1973, como definido na Lei 5.988, a Biblioteca Nacional é a instituição responsável pelo registro de obras literárias e artísticas, aceitando o registro de textos dos mais diversos gêneros literários, técnicos e científicos; como também de criações musicais, teatrais, para cinema etelevisão, história em quadrinhos e personagens desenhados; e outras produções publicitárias e para publicações periódicas.

Em todo o território nacional, outras instituições podem, mediante convênio com a BibliotecaNacional, se credenciar como escritórios de representação.

  • Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional (EDA/BN) para obras impressas;
  • Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) para arquivos de computadores e produtos industriais;
  • Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para partituras musicais sem letra;
  • Escola de Belas-Artes da UFRJ para artes visuais em geral (imagens, marcas, símbolos, logotipos, desenhos, pinturas, gravuras, esculturas, litografias, obras fotográficas e obras de arte) dissociadas do objeto industrial ao qual estejam sobrepostas;
  • Coordenação de Atividades Audiovisuais (CAV) para obras cinematográficas;
  • Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA) para projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, topografia, engenharia, arquitetura, cenografia e ciência.

Importante: O registro na Biblioteca Nacional é facultativo. A proteção aos direitos do autor independe de registro, diferentemente do que acontece, por exemplo, com a patente ou outros instrumentos de propriedade industrial.

E as bibliotecas nesse cenário?

Por sorte, há outros instrumentos normativos onde os países signatários, por acordo entre governos garantem perfeita proteção recíproca de direitos de autor sobre obras literárias, científicas e artísticas. Além disso, os países signatários da Organização Mundial de Propriedade Intelectual  (OMPI), onde Brasil é membro desde 1975 garantem

“Exceções legais para bibliotecas referem-se principalmente a questões como a reprodução de obras protegidas pelos direitos de autor para fins de pesquisa e estudo pessoal, preservação e substituição de materiais e fornecimento de documentos e empréstimo entre bibliotecas.”

O trecho acima está explícito no Estudio sobre las limitaciones y excepciones al derecho de autor en beneficio de bibliotecas y archivos. No Brasil, não dispomos disposições explícitas sobre bibliotecas na lei de direito de autor, o que pode ser contemplado de certa maneira é o Art. 46. II – a reprodução, em um só exemplar de pequenos trechos, para uso privado do copista, desde que feita por este, sem intuito de lucro.

Ou seja, cópias para uso pessoal e sem fim lucrativo não constitui ofensa aos direitos autorais. Inclusive se mediante sistema Braille ou outro procedimento para esses destinatários.

E se…

Imaginamos um cenário para o mundo virtual. A internet, quantidade de páginas disponíveis sem citações, nem imagens, nem nada. Que triste seria se todos seguissem a lei tal qual como figura cada capítulo, cada parágrafo, cada linha?!

Por sorte, existe autores que entendem a importância da citação, das fotografias e ilustrações para a divulgação dos trabalhos. Sim, há autores que se encantam muito mais com o reconhecimento do trabalho que o beneficio econômico que ele poderia proporcionar.  Esse tipo de gente acredita na produção coletiva, no Creative Commons e sobretudo prevalecem o respeito ao direito a informação e o acesso a cultura antes dos interesses do autor.

Vocês já tiveram algum problema relacionado a direitos autoriais no seu local de trabalho? Comente aí, juntos aprendemos mais.

5 coisas surpreendentes que você pode encontrar nas bibliotecas

Você pensa que as bibliotecas são espaço apenas onde se encontram livros? Enganado.. apresento aqui algumas mudanças nessa história, pois as bibliotecas já não são apenas sobre livros, e-books, CD ou DVD.

Embora a maioria não esteja no Brasil, espero que os colegas possam copiar. Se é bom, é legal e dá resultado.. porque não utilizar-se das boas práticas? Muitas bibliotecas repensaram suas atividades para não se tornarem espaços subutilizado e dessa maneira estão expandindo suas definições do que podem emprestar e buscam novas alternativas para de alcançar a comunidade de jovens e idosos.

Mudança de paradigma necessário: da coleção às pessoas.

“Nós gostamos de dizer que as bibliotecas hoje são menos sobre o que temos para as pessoas e mais sobre o que fazer para e com as pessoas”.

A frase acima foi dita por Sari Feldman, presidente eleito da American Library Association  (ALA) e diretor-executivo do Sistema de Bibliotecas Públicas de Cuyahoga County, nos arredores de Cleveland, Estados Unidos.

  1. Os Bibliotecários hoje [deveriam e podem]  ajudar com pesquisas de emprego, ensinar conhecimentos de informática básica, mesmo mostrar novos aplicativos para e-readers ou informar como aproveitar melhor as funcionalidades de seus dispositivos.

    Bibliotecário educador. Fonte: http://www.fno.org/mar2010/library.jpg

    Bibliotecário educador.
    Fonte: http://www.fno.org/mar2010/library.jpg

  2. Existem práticas de reinvenção das tradicionais horas de narração oral ou hora do conto, oferecem programas de artesanato para as crianças – e já há casos de que é possível até mesmo levar seus animais para a biblioteca, através de projeto como “Paws of Readind” algo como ” Patas de leitura”, que tem a proposta de estimular a confiança das através da leitura em voz alta para um cão especialmente treinado. Esses cães possuem perfil calmo e discreto e podem normalmente permanecer como parte de uma classe ou uma biblioteca. A metodologia acredita que as crianças vêem os cães como adoráveis ​​e não-julgamento, ademais, os relatos divulgados no site desse projeto as crianças afirmam que os cão não ficam se divertindo pelo fato de se ler lentamente ou se atrapalhar para pronunciar uma palavra.

3) Há bibliotecas que usam o Facebook para hospedar um clube do livro fora de hora. É como se em uma conversa Facebook regular, o usuário segue a fan page da biblioteca e comenta listando os  três leituras recentes que  mais gostaram, e há uma equipe de funcionários que sugerem mais três livros que provavelmente serão de interesse. Outras como a Rede de Bibliotecas do Instituto Cervantes disponibiliza uma série de material de apoio para o ensino de espanhol como língua estrangeira. As Bibliotecas da Cidade de Buenos Aires, por sua vez divulga eventos como festivais de poesia e leitura, cursos promovidos na cidade e divulga as bibliotecas que fazem parte da rede comunitária de apoio escolar.

4) A Biblioteca Pública de Hartford (Estados Unidos) por exemplo, possui um estúdio de gravação no espaço YOUmedia. Claro, se há tecnologia para isolamento acústico, porque não podemos ter um estúdio? É um espaço onde os adolescentes de 13 a 19 anos podem explorar, expressar e criar utilizando meios digitais. Lá possuem acesso a laptops, dispositivos móveis, sistemas de jogo, imagem e edição de vídeo software, ferramentas de fabricante, a cabine de som e outras coisas. O mais bacana é que possibilita aos alunos formar seus próprios grupos de trabalho ou se conectar com outros departamentos da biblioteca para personalizar ainda mais a sua experiência de aprendizagem e propor projetos. De acordo com a equipe, o YOUmedia está disponível para parcerias com professores e escolas para expandir o acesso a este espaço incrível. Que inveja! rsrs

Tudo o que tem disponível na YOUMedia na Biblioteca Pública de Hartford. Fonte: http://www.hplct.org/library-services/teens/youmedia

Tudo o que tem disponível na YOUmedia na Biblioteca Pública de Hartford.
Fonte: http://www.hplct.org/library-services/teens/youmedia

Entrada YouMedia da Biblioteca Pública de Hartford Fonte: https://www.facebook.com/HartfordPublicLibrary/photos_stream

Entrada YOUmedia da Biblioteca Pública de Hartford
Fonte: https://www.facebook.com/HartfordPublicLibrary/photos_stream

Coleção de CD, DVD, Games da YouMedia na Biblioteca Pública de Hartford Fonte: https://www.facebook.com/HartfordPublicLibrary/photos_stream

Coleção de CD, DVD, Games da YOUmedia na Biblioteca Pública de Hartford
Fonte: https://www.facebook.com/HartfordPublicLibrary/photos_stream

Estúdio de Gravação YouMedia da Biblioteca Pública de Hartford Fonte: https://www.facebook.com/HartfordPublicLibrary/photos_stream

Estúdio de Gravação YOUmedia da Biblioteca Pública de Hartford
Fonte: https://www.facebook.com/HartfordPublicLibrary/photos_stream

Sala de Games da YouMedia na Biblioteca Pública de Hartford Fonte: https://www.facebook.com/HartfordPublicLibrary/photos_stream

Sala de Games da YOUmedia na Biblioteca Pública de Hartford
Fonte: https://www.facebook.com/HartfordPublicLibrary/photos_stream

Na verdade YOUmedia é uam rede existente em mais de duas dezenas de bibliotecas, museus e outros espaços que são chamados de laboratórios de aprendizagem  onde permite o acolhimento de adolescentes e são construídos em torno da proposta de ser um espaço de encontro, brincadeiras e pesquisa.

Por hoje é só porque não sei se  deprimido ou motivado para gerar mudanças já que no no meu país são poucas as iniciativas assim.

Conhece alguma boa prática? Conte aqui nos comentários. Ajude a divulgar mais coisas surpreendentes que podemos encontrar nas bibliotecas.

O beijo argentino

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Gottlieb, William P., 1917-, photographer. [Portrait of Johnny Bothwell and Claire Hogan, New York, N.Y.(?), ca. Oct. 1946]

Nós brasileiros somos conhecidos como: “o país mais grande do mundo”, do samba e do carnaval. Alguns dizem que somos assanhadinhos ou ”calientes”. Enfim, fiquei surpreso quando cheguei aqui no ano passado e percebi que era comum cumprimentar-se com um beijo, isso mesmo, um beijo. Na Argentina tanto homens quanto mulheres trocam beijos no rosto em encontros profissionais e situações mais informais. Me parece uma situação calorosa dos portenhos, e essa inclinação a se tornar amigo num primeiro contato, acaba por seduzir ou intimidar muitos estrangeiros. 

O fato é interessante e muitos de imediato dispensam tal formalidade. Sim, algumas pessoas chegam a mostrar-se incômodas com o sistema oficial de beijos, já notei gente olhando com receio, outros com uma postura mais reservada ou mesmo com um certo “nojo” (o que me parece coisa de gente idiota, mas cada um no seu quadrado).

Há quem goste da atitude como também há movimento que tentam acabar com essa coisa do beijo principalmente entre o gênero masculino. Uma professora comentou que não teve muito sucesso tal campanha e afirmou também que em algumas províncias não é muito comum esse tipo se cumprimento que embora antigo, segue vigente entre homens, mulheres e crianças.

Não vejo nada contra. Acostumei até, lembro da primeira semana de aula que eu não sabia o que fazer quando chegava nas aulas. Os que já me conheciam vinham  dar o beijo, eu ficava vermelho. Depois comentei que no Brasil, isso é coisa comum entre mulheres (normalmente amigas)  ou entre uma mulher e um homem.

Mãe e filho Fonte: Google Imagens, com direitos Creative Commons Deed CC0

Na época até comentei com alguns companheiros de apartamento no meu primeiro mês aqui: “-Nossa, há muito beijo em Buenos Aires. Gosto disso mas não entendi ainda: quem eu devo beijar? devo beijar todo mundo? quando chego ou quando me despido?”. A resposta foi: Beije a todos, quando chegue e quando se despida.

Não importa, certamente o beijo no rosto é um contato agradável com amigos, familiares, e pessoas que gostamos (e as vezes não). Só me sinto desconfortável (não incomodado) quando se trata de um total desconhecido, então prefiro ser um pouco “mala onda” pois penso que já é uma invasão do meu território particular. Claro! A pessoa ao beijar, encosta a pele, sente o cheiro da roupa, do perfume, encosta o lábio, a barba, o batom, etc.

Como sei que tem homem lendo isso aqui, vou logo deixar as coisas claras: no ato não fica parecendo com uma “bichisse” ou manifestação homoafetiva. Os beijos entre homens ocorrem de uma maneira bem masculina e argentina, assim que, quando dois amigos se encontram, por exemplo, dá-se um beijo no rosto seguido de um tapinha no ombro e pergunta algo “-E aí cara, como vai?” ou ” Oi, beleza?”.

Dois amigos na praça Fonte: Google Imagens, com direitos Creative Commons Deed CC0

Agora quando é aquela pessoa linda, que você morre de vontade de tirar aquela casquinha… hahaha que forma mais gostosa de saudar alguém. kkkkk É assim, nesse ponto de vista, sei que muitos concordam que até gostariam de dar um beijo apressado e que escapasse de encontro aos lábios. WOOOU! Ou ainda assim vais dizer que preferes dar as mãos?Dar as mãos, por outro lado,me parece educado igual, embora deixe bem marcado a distância entre duas pessoas (igual o Funk do Cada um no seu quadrado). E tem gente que nem aperta, outras mãos úmidas, geladas.

Na dúvida, quando vierem por aqui ou conhecerem algum@ argentin@, já estão informad@s. Fiquem atentos aos sinais, note o olhar. Se você se sentir confortável, beije; caso contrário se apresse e estenda a mão.

Obs: É um beijo apenas. 

10 idiomas mais presentes na internet e a sociedade da informação

Recentemente em discussão sobre a produção de conteúdos em língua portuguesa, comentamos que esta língua já figura como a quinta mais presente na Web. Mesmo que que a língua inglesa tenha um uso mais comum na produção de conteúdos publicitários ou acadêmicos disponibilizados o português vem ganhando espaço, sobretudo, devido ao crescimento da utilização da Internet em países como o Brasil, Angola e Moçambique.

Pensando nisso, fui em busca de mais informações. De acordo com pesquisa subsidiada pelo Internet World Stats no ano de 2014, podemos observar as últimas estimativas para usuários de Internet por língua:

idiomas na internet 2014

 

Brasil domina o mercado de Internet da América Latina em termos de número de usuários.

Em nível global o Brasil se posiciona em quarto lugar, ficando atrás de China, Estados Unidos e Índia, respectivamente.

Em termos de penetração, que ocupa aproximadamente o terceiro lugar, atrás de Uruguai e Chile e ligeiramente à frente da Argentina.

Brasil é o país onde mais de um terço de todos os usuários de celulares na América Latina e no Caribe.

número de usuários na internet américa do sul

Com as possibilidades diversas da forma de pagamento, a classe média do país está se tornando um consumidor cada vez mais desejoso de computadores e  smartphones.

Segundo informações divulgadas na Pesquisa de Mídia Brasileira 2015, divulgadas em 19/12/2014 pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, os brasileiros já passam mais tempo navegando na internet do que na frente da TV.

gasto de tempo na internet

Brasileiros gastam em tempo médio conectados à internet :

  • 4  horas e 59 minutos por dia usando a internet durante a semana.
  • 4 horas e 24 minutos/dia nos fins de semana.
  • 76% acessam a rede todos os dias.
  • O pico de uso é às 20h, tanto nos dias úteis quanto nos fins de semana.
  • Jovens com até 25 anos, 63% acessam a internet todos os dias.
  • Adultos com 65 anos ou mais, o percentual de acesso cai para 4%.
  • 8% estudaram até a 4ª série acessam a internet pelo menos uma vez por semana.
  • Aumenta para 87% o acesso a internet entre os que têm ensino superior.
  • Entre os internautas, 92% estão conectados por meio de redes sociais, sendo as mais utilizadas o Facebook (83%), o Whatsapp (58%) e o Youtube (17%), Instagram (12%) e Google+ (8%). O Twitter, foi mencionado por apenas 5% dos entrevistados.

Esse post realmente me chama atenção como profissional da informação e é entender os fatos existentes atrás dos números. É preciso analisar sobre o que as pessoas acessam na rede, se sabem buscar informações e mais que isso: sabem como tirar proveito do que existe de bom na rede, separar informações relevantes das não relevantes.

Embora a pesquisa e a observação empírica permita afirmar que  67% acessam a rede em busca de informações ou notícias, mesmo percentual dos que dizem entrar na internet para buscar entretenimento (pergunta de múltiplas respostas).

Democratizar o acesso não significa o mesmo que incluir a todos, logo, não podemos seguir estimulando um discurso que não é retrata a realidade de que todos ou grande parte possuem acesso e sim perceber se sabem utilizar as ferramentas disponíveis e se o governo contribuiu fomentando projetos de promoção a cidadania e coesão social.

Existe um mundo de possibilidades com a web e pode ser explorada de forma pedagógica para dar suporte a educação, formal continuada ou a distância. Mesmo porque não podemos pensar apenas nos nativos digitais pois há que considerar a existência de pessoas que precisam ser alfabetizadas, capacitadas para então conseguirem ser inseridas na tal sociedade da informação*.


*Sociedade da Informação é a nomenclatura dada para os programas nacionais voltados às Tecnologias da Informação e Comunicação como forma de garantir sua utilização e distribuição para toda a população, para assegurar que as TIC não sejam mais um fator de exclusão social. O termo nasce em Portugal em meados da década de 1990 e vai ganhando força em todo o mundo. No Brasil, o projeto é finalizado entre 1999 e 2000. Em alguns países, o mesmo programa pode ser encontrado como “Sociedade do Conhecimento”.

Materiais relacionados:

 


Fontes consultadas:

http://www.budde.com.au/Research/Brazil-Mobile-Operators-Insights-and-Analysis.html
http://www.budde.com.au/Research/Brazil-Mobile-Market-Insights-Statistics-and-Forecasts.html
http://www.internetworldstats.com/sa/br.htm
http://www.internetworldstats.com/stats15.htm
http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2014-12/brasileiro-passa-mais-tempo-na-internet-que-vendo-tv
SANTOS, Plácida L.V.A; CARVALHO, Angela M. G. Sociedade da Informação: avanços e retrocessos no acesso e no uso da informação Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 45-55, jan./abr. 2009. Disponível em: <http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/1782/2687&gt;.