A leitura também se escuta

Conheça podcasts incríveis de contação de histórias.

Queridos,

Pensando nas múltiplas linguagens que o livro pode apresentar-se, hoje seguirei com recomendações de leituras para ouvir em casa nestes dias que estaremos todos em ritmo de desaceleração. Recompilei alguns podcasts que permitem ouvir histórias, contos e causos – aproveitem para desfrutar dos livros que não se lêem, mas se escutam.

Senhoras e senhores, com vocês os audiolivros.

Caixa de histórias

Um podcast literário que oferece uma experiência diferente na apreciação dos livros. Trechos da obra sempre são narrados e comentados, buscando apresentar novas obras e perspectivas para novos leitores. Pode ser acessado aqui.

undefinedContador de Histórias

O podcast conta com vários áudio dramas originais e adaptações de histórias com temas como ficção científica, tecnologia, terror, folclore e mitologia. Danilo Battistini, produtor, roteirista e editor, é o nome por trás do Contador de Histórias e garante que as produções sejam sempre com qualidade de conteúdo, produção e edição. Ouça aqui.

Mundo Freak Confidencial

Se você gosta de uma boa história de terror para dormir com a adrenalina lá em cima, provavelmente vai gostar de Confidencial. Não é exatamente de terror, mas os episódios – já são mais de 100 – são independentes e falam sobre histórias bizarras e verídicas. Fundado pelo escritor Andrei Fernandes, pela gerente de mídias sociais Ira Morato e pelo professor de história Rafael Jacaúna. Os episódios são semanais e estão disponíveis no site Mundo Freak (em português!), no Spotfy ou no iTunes!

undefinedPoranduba

É um programa semanal sobre folclore brasileiro apresentado pelo jornalista e pesquisador de folclore e cultura popular Andriolli Costa. No ar desde maio de 2018, já falou sobre mitos eróticos, sacis, diversidade, entre outros temas. Ouça aqui.

undefinedEra uma vez um podcast [para crianças]

Aqui são contadas histórias infantis de todos os tipos: desde clássicos contos de fadas , à fábulas de todos os lugares do mundo e também histórias originais. Ele foi criado com o intuito de estimular a imaginação das crianças, passar boas mensagens e tirá-las um pouco das telas, como TVs e tablets tão comuns hoje em dia, ajudar a manter o português de crianças que moram fora, e pra manter a sanidade dos pais quando estão no trânsito.

undefinedConta pra mim [para crianças]

Um podcast para crianças (e adultos) que adoram histórias! Venha ouvir, imaginar e se divertir com histórias contadas pela Fafá e pelo Thiago. Narração: Flávia Scherner e Thiago Queiroz. Novas histórias semanais todas às segundas.

Participe. Conhece algum podcast de história e quer compartilhar conosco? Deixe a sua indicação aqui nos comentários.

Google inaugura programa para ensinar crianças a reconhecer fake news

Captura de Tela (19)

Fonte: Captura de tela do site oficial do Seja Incrível na Internet

Be Internet Awesome (“Seja Incrível Na Internet”, na tradução para o português) é um curso feito para ensinar crianças entre sete e 12 anos a reconhecer uma notícia falsa que está sendo espalhada pela internet. Entre os conteúdos do curso estão a identificação de URLs suspeitas, aprender a reconhecer quando uma fonte é ou não confiável e o que fazer para checar se uma informação é ou não falsa, ensinando-as a não acreditar em algo apenas porque a manchete parece bem formulada.

Contribuir para a formação de um cidadão digital responsável

O currículo do Seja Incrível Na Internet oferece aos educadores as ferramentas e os métodos necessários para ensinar os conceitos básicos da segurança digital.

Desenvolvido em uma parceria da Google com a Net Safety Collaborative, o foco do programa é ensinar o pensamento crítico a crianças que estão se alfabetizando e entrando na adolescência, com o intuito de tornar a nova geração de internautas muito mais atenta ao perigo das notícias falsas. Além de desenvolver as habilidades de julgamento dessas crianças sobre se uma notícia é ou não falsa, o programa também conta com atividades de alfabetização midiática sobre ter sempre cuidado com o que se compartilha e manter uma boa reputação online, além de aulas sobre os problemas do bullying e do assédio virtual.

Captura de Tela do Jogo

Fonte: Captura de tela do site oficial do Seja Incrível na Internet

Ferramentas para a sala de aula e para sua casa

Oferece aos educadores e mesmo para as famílias recursos como juramento, papercraft, cartazes com instruções, ilustrações e outras coisas que podem ser utilizadas como ferramentas necessárias para ensinar os conceitos básicos da segurança digital. Este foi um dos pontos que mais gostei porque busca incentivar a família inteira a se envolver com o assunto, analisar os princípios básicos e assumir esse compromisso em conjunto.

Site oficial do programa: https://beinternetawesome.withgoogle.com/pt-br_br

via Google inaugura programa para ensinar crianças a reconhecer fake news

Brasileiros incrementam a compra de livros usados

Livros e automóveis são os produtos usados mais adquiridos nos últimos 12 meses, revela estudo da CNDL/SPC Brasil de setembro

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Com a economia em processo de recuperação, o mercado de produtos usados pode ser a oportunidade para quem planeja economizar na hora das compras e também para os que desejam se desfazer de objetos pessoais e ainda lucrar com isso.

O ranking de objetos usados mais adquiridos ao longo dos últimos 12 meses é encabeçado pelos:

  1. livros (54%)

  2. automóveis e motos (43%)

  3.  eletrônicos (38%)

  4.  móveis (38%),

  5. smartphones (36%)

  6. eletrodomésticos (36%)

diminuir gastos e poupar é um dos objetivos da maioria das pessoas que optam pela aquisição de produtos usados.

Causas e crenças

  • A maioria dos entrevistados acredita que, para determinados itens comprados nos últimos 12 meses, não é preciso comprar um produto novo para estar satisfeito com o seu uso.
  • Entre os entrevistados que compraram algum livro nesse período, 76% acreditam que vale mais a pena adquirir um exemplar usado do que um novo.
  • 65% calcularam o tamanho da economia de dinheiro com compra e venda de usados e 92% acham que atitude é vantajosa financeiramente.

Na avaliação do educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli, o mercado de usados vem ganhando cada vez mais espaço graças aos marketplaces, que são comunidades ou plataformas online de compra e venda que concentram diversas lojas e marcas em um mesmo local.

A pesquisa

A pesquisa ouviu 824 consumidores de ambos os gêneros, todas as classes sociais, capitais do país e acima de 18 anos. A margem de erro é de no máximo 3,4 pontos a uma margem de confiança de 95%.

via Brasileiros incrementam a compra de livros usados


Link para acessar a pesquisa completa:

https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas/pesquisas/filtro/busca/livro


Política de comentários:

  1. Seja respeitoso e não ataque o autor, as pessoas mencionadas no artigo ou outros comentaristas. Aceite a ideia, não o mensageiro.
  2. Não use linguagem obscena, profana ou vulgar.
  3. Foque na questão. Os comentários que se desviarem do tópico em questão podem ser excluídos.

 

Drag queen na biblioteca: seria possível aqui no Brasil?

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Imaginem o seguinte cenário: Uma fila de meninas e meninos, muitos vestidos com trajes de princesa ou fada e espremidos na Galeria de Arte da biblioteca, gritaram de volta em concordância. Do lado de fora da galeria, mais de cem pais e apoiadores que não conseguiam se encaixar no espaço esperavam.

Foi exatamente assim que aconteceu, tudo isto para participarem da Drag Queen Kids Party na Biblioteca Pública de Olean (cidade localizada no Estado americano de Nova Iorque, no Condado de Cattaraugus).

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Flo Leeta (@floleeta) animou parte da festa da biblioteca  por quase duas horas. Ela leu dois livros e dublou  “Let It Go” da Disney “Frozen”, e também “Cover Girl” de RuPaul. Ela então fez uma breve apresentação sobre gênero, durante a qual ela passou por um pouco da história feminina, e moda masculina e tentou explicar conceitos como fluidez de gênero.

“Você sabe como a água se move e não é uma forma? É assim que algumas pessoas são ”, disse ela, diante de uma projeção colorida de“ The Gender Spectrum ”.

O evento foi parte dos esforços da biblioteca para destacar o Pride Month para a comunidade lésbica, gay, bissexual, transexual e gay. Flo Leeta respondeu a perguntas tão simples quanto o tempo que levou para fazer sua maquiagem – duas horas e meia – e tão complexo quanto explicar o que é um bioqueen – uma drag queen que é uma mulher, que é diferente de um homem que retrata uma mulher como uma drag queen tradicional.

“Foi exatamente como em nossos sonhos”

Fala da a diretora da Olean Public Library, Michelle La Voie se referindo ao apoio da comunidade.

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Planejamento e gerenciamento de crise

Durante duas semanas antes do evento, a equipe da biblioteca recebeu muitos comentários negativos on-line, pelo telefone e pessoalmente. Eles também foram informados de que haveria um protesto no evento, que deveria incluir neonazistas – embora nenhum tenha aparecido na quarta-feira.

La Voie disse que ela e outros funcionários da biblioteca ficaram inicialmente muito desapontados com a negatividade em torno de sua decisão de sediar um evento de drag queen direcionado a crianças, e ela estava nervosa com o fato de as coisas ficarem fora de controle.

Mas sua atitude foi revirada pelas dezenas e dezenas de apoiadores que apareceram e pelos aplausos das crianças quando Flo Leeta perguntou se queriam que ela voltasse. “Não é como se minha fé fosse restaurada – é como se eu tivesse uma visão totalmente diferente dessa comunidade”, disse ela.

Aqueles que vinham como apoiadores – que ficavam em frente ao prédio três horas antes do evento – conversavam entre si enquanto usavam coisas como pinturas de arco-íris no rosto e alfinetes e camisetas pró-LGBTQ.

“Eu tenho duas mães e arrasto, e para mim é uma coisa enorme para alguém entrar na minha vida e dizer que está errado. Porque não é – é assim que vivemos nossas vidas ”.

SaJean Webb, 17 anos, saiu com sua família de Wellsville para apoiar a biblioteca depois de saber que haveria protestos. Informou ainda que estava feliz em ver a biblioteca realizar um evento especificamente para crianças com informações positivas sobre a comunidade LGBTQ.

Segurança

Embora um líder da Pensilvânia do National Socialist Movement tenha declarado publicamente que a organização estaria no evento, eles não compareceram. Autoridades policiais e de bibliotecas também disseram que não viram manifestantes do grupo neonazista na biblioteca na quarta-feira.

Os protestos permaneceram pacíficos, o que La Voie atribuiu à forte presença de policiais e simpatizantes. Cerca de oito policiais oleanos estavam presentes, incluindo o chefe de polícia Olean, Jeff Rowley, e um oficial da Polícia do Estado de Nova York.

No canto noroeste da biblioteca, do outro lado do estacionamento, de partidários, um grupo de menos de 10 manifestantes se reuniu com cartazes que incluíam declarações como:

“Deixe nossas crianças em paz!” E “Mantenha as crianças inocentes”. –

O manifestante Jonathan Smith, de Olean, questionou por que Flo Leeta estava aparecendo em seu traje de performance e não como um artista masculino Benjamin Berry, que traz o personagem à vida . Smith escreveu uma carta ao editor do Olean Times Herald contra o evento de leitura da drag queen na biblioteca, e disse que ele era especificamente contra uma organização financiada por fundos públicos que a hospedava.

“Se você quiser ler um livro de histórias para crianças, venha e faça”, disse ele no protesto. “Mas ele está sendo político como uma drag queen e isso já é uma coisa sexual, então isso adiciona um sabor sexual ao conceito de leitura de livros de histórias.”

 


Algumas considerações

Penso que a ideia é positiva no ponto de vista de trabalhar questões da bibliodiversidade, diversidade cultural e questões de gênero bem como o respeito ao próximo. Somado a isto, é super válido porque permite explorar o potencial artístico das dragqueens. Eu não consigo concordar com os posicionamentos que pude ler em algumas matérias que explicitavam que este tipo de atividade possui a  intenção de sexualizar e principalmente homossexualizar a sociedade.

Diante desta matéria gostaria de saber de vocês como leitor, como usuário de bibliotecas, como bibliotecários ou gestores de salas de leituras, projetos de promoção da leitura ou similares, o que pensam a respeito? Já li sobre casos do tipo nos Estados Unidos e na Suécia, mas nenhum caso brasileiro ou na região da América Latina e Caribe. Caso conheçam, por favor, compartilhem. 

Acreditam que esta prática poderia ser viabilizada? Gostaria muito de saber a opinião de vocês. 

 

Fonte inspiradora deste post: 

 

Política de comentários:

  1. Seja respeitoso e não ataque o autor, as pessoas mencionadas no artigo ou outros comentaristas. Aceite a ideia, não o mensageiro.
  2. Não use linguagem obscena, profana ou vulgar.
  3. Foque na questão. Os comentários que se desviarem do tópico em questão podem ser excluídos.

 

 

Cover Art Archive: um imenso arquivo on-line de capas de discos

Internet Archive Cover Art 01

O projeto Cover Art Archive visa disponibilizar imagens de capas de álbuns e singles ao público “de uma forma organizada e conveniente”. Iniciativa do site de metadados de música MusicBrainz e o arquivo de conteúdo online Internet Archive.

Acesso em: https://archive.org/details/coverartarchive&tab=collection

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Conheça as melhores práticas de museus e exposições virtuais

O projeto Unplace pretende discutir o conceito de “museografia intangível”, no campo das exposições de arte contemporânea, especificamente produzidas para contextos virtuais e em rede.

Conscientes que o  fenômeno de mediatização e globalização alterou uma série de paradigmas nas instituições museológicas, enquanto atrações turísticas e lugares de dinamização urbana e cultural ao longo das últimas duas décadas, fazendo emergir projetos de museus e exposições virtuais, sediados na Internet – tendo o ciberespaço como lugar para pensar o design das exposições, de curadoria, trazendo portanto discussões sobre Arte Digital ou a Internet Art.

Nesse sentido temos as principais plataformas colaborativas internacionais, como o Google Art Project ou, o MatrizNet (catálogo coletivo on-line de 34 museus da Rede Portuguesa de Museus), seguem também essa via, situando-se assim claramente no domínio da simulação do preexistente, potenciado pela diversidade e pelo cruzamento de patrimônios com múltiplas localizações. Esse detalhe que realmente me chama a tenção: a possibilidade de descobrir conexões entre obras de arte. 

Para entender mais sobre o projeto Museu sem lugar acesse a página de publicações AQUI e faça o download do e-book MUSEUS SEM LUGAR: ensaios, manifestos e diálogos em rede e outros.

Aqui no Brasil, sei que os Museus do Futebol, da Casa Brasileira (até o momento não consegui visualizar as exposições virtuais) e o Afro Brasil, todos instituições do Governo do Estado de São Paulo, integraram recentemente o projeto mundial da Google Arts & Culture ‘We Wear Culture’ junto com mais de 180 museus em São Paulo, Nova York, Londres, Paris, Tóquio, Berlim e outras cidades ao redor do mundo.

É importante reconhecermos que a relação entre artistas e visitantes de museu se transforma com as tecnologias disponíveis. Inclusive há comunidades de artistas que se dedicam ao espaço virtual, seja produzindo obras para serem disponibilizadas na web ou ainda fazendo a curadoria de materiais nesse ambiente. O padrão de comportamento é construído coletivamente mas lembrem-se: as possibilidades são convergentes e não restritivas.

Quero destacar que uma não substitui a outra e há questões de preferências. Para os apaixonados por arte pode ser  vantajoso e realmente pode ser um público que quer mergulhar na observação sem sair de casa, é possível realizar diversas experiências virtuais 360º e aproximar a imagem em alta resolução. De outro lado há  os espectadores que preferem visitar os locais por acreditarem na interação e na vivência simbólica que transmite a narrativa histórica do lugar, seja: a cidade, o bairro, os edifícios e o entorno do museu; esses realmente querem a experimentação direta com o objeto  museológico.

Seguindo essa linha, escolhi opções para visitas de exposições virtuais:

  • Afro Brasil Dividido por meio de Núcleos temáticos, o acervo procura abranger aspectos da arte, da religião afro-brasileira, do catolicismo popular, do trabalho, da escravidão, das festas populares, registrando assim, a trajetória histórica, artística e as importantes influências africanas na construção da sociedade brasileira.

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  • Museu do Futebol Mais do que sobre esporte, o Museu do Futebol é, antes de tudo, um museu sobre a história do povo brasileiro. Um museu cercado pelos mistérios da euforia que todos temos pela bola, pelo drible e pelo gol. Um mistério que unifica e separa como as grandes paixões coletivas, onde as alegrias são sempre maiores que as tristezas.  Entre no feitiço de como um esporte inglês, branco e de elite, aos poucos ganhou novos traços: tornou-se brasileiro, popular, mestiço e uma das mais reconhecidas manifestações culturais do nosso país.

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  • Exposições virtuais do Arquivo Nacional é uma iniciativa da instituição para difundir seu acervo, compreendido entre o século XVI aos nossos dias, fundamental para o princípio democrático de acesso à informação pública e para a pesquisa em inúmeros campos do conhecimento.

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  • O projeto Era Virtual foi e continua sendo resultado da percepção de que nesta nova era da tecnologia das informações é essencial inovar, rever e reconstruir o modo de promover a cultura. Ao perceber o potencial de das visitas virtuais em promover as instituições beneficiadas, em 2013, decidimos desenvolver o projeto também para os parques nacionais e para as cidades com sítios considerados como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Navegue e descubra o nosso Brasil.

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  • Museu Evita (Argentina) O Museu Evita é um importante passeio para quem quer aprender mais sobre a história argentina e entender essa paixão do povo por Eva Perón, mulher tão marcante para o país. Hoje o local é um dos principais atrativos turísticos da cidade. Percorra toda a trajetória da grande heroína da Argentina, o museu traz fotos, roupas e documentos que fizeram parte da vida de Evita. O museu fica em um grande casarão em Palermo e é um dos passeios mais recomendados. 

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Você já fez alguma visita virtual incrível em algum museu não listado aqui? Comente aqui qual foi, também gostaria de conhecer.

 

As bibliotecas humanas onde se consultam pessoas em vez de livros

biblioteca humana

Biblioteca humana: pessoas reais, conversas reais.

É certo que nos últimos anos as bibliotecas vem apresentando mudanças significantes e isso não  se evidencia apenas com a tendência no desaparecimento dos catálogos em fichas impressas. O entendimento de biblioteca como um lugar cheio de livros onde pode acessar a informação está obsoleto e insisto em afirmar, o conceito de biblioteca que encontramos nos dicionários já não mais se aplicam por não ser suficiente.

Em postagens anteriores já falei da diversidade de coleções e coisas que podem ser encontradas no espaço de bibliotecas, como o  empréstimo de ferramentas de trabalho e de utensílios de cozinha.

O surgimento da ideia

biblioteca humana é uma experiência que iniciou com a ONG por jovens idealistas, denominada de “Stop the Violence” na  cidade dinamarquesa de Copenhaguem no ano 2000, dentro do Festival Roskilde ‒um dos  maiores festivais de verão na Europa. E desde esse primeiro momento a ideia já tinha o foco na anti-violência, encorajar o diálogo e ajudar a construir relações positivas  de tolerância e compreensão entre os visitantes do festival.

Naquele momento havia na Dinamarca uma grande concentração de pessoas de diferentes culturas, religiões, raças e então a população daquela região tinha um sentimento de invasão.

Em oposição a esta crença, deu-se forma à biblioteca humana, uma plataforma para promover o diálogo entre as pessoas que normalmente nunca falam, possibilitando, de certo modo o questionamento aos preconceitos e estereótipos, e contribuindo para o reforço da coesão social.

Atualmente a biblioteca funciona como projetos e permite que algumas ONGs ou pessoas utilizem a marca para realização de eventos com o nome Library Human em diferentes partes do mundo.

A coleção da biblioteca

Os  materiais consultivos porque não há como comparar aos livros numa Biblioteca Humana são pessoas reais, voluntárias, capazes de comunicar a sua realidade pessoal. A modo ilustrativo, é possível estabelecer contato com pessoas que foram vítimas de discriminação ou exclusão social e que estão disponíveis para se encontrar, num ambiente aberto, acolhedor e seguro, com um ou mais “leitores” interessados.

livros da biblioeca humana

No catálogo da própria biblioteca é possível identificar algumas “Pessoas informantes” denominados “Livros” pela instituição. Entre eles temos:

  • Transtorno bipolar
  • Vivendo com HIV
  • Refugiados
  • Mães solteiras
  • Abuso sexual
  • Naturistas
  • Relações poliamor
  • Surdos
  • Cegos
  • Desemprego
  • Lesão cerebral
  • Transtorno de estresse pós-traumático em soldados
  • Déficit de atenção / hiperatividade (TDAH/DDA)
  • Modificação extrema no corpo
  • Sem teto
  • Conversão religiosa

Metodologia da consulta

  • É um método planejado para promover o diálogo, reduzir preconceitos e estimular a compreensão.
  • Os encontros são uma oportunidade para a aprendizagem, tendo um papel importante na sensibilização sobre a importância dos direitos humanos para o bem-estar pessoal de todos.
  • Após escolher um tópico sobre o qual querem escutar, os “leitores” pegam no seu cartão de biblioteca e são conduzidos a uma área de discussão, onde conhecem os seus “livros”.
  • É riqueza está na possibilidade de questionar, tirar dúvidas: tornando a experiência engrandecedor para ambas as partes.

 

Como a tecnologia está mudando a maneira de gerenciar a coleção de vestuário teatral.

Um guarda-roupa gigante? 

Não. Essa é uma espécie de biblioteca do vestuário teatral da cidade de Buenos Aires. Nesse lugar se guardam vestuários, figurinos, cenários, sapatos, perucas, acessórios, etcétera, de obras teatrais que se realizaram nas salas do Teatro San Martin. Esse espaço é inédito ao menos na América Latina e se coloca a altura das referências em produção teatral do mundo, sendo portanto, uma instituição cultural de referência na cidade de Buenos Aires e para a Argentina.

Foi idealizada pela Fundación Amigos del Teatro San Martín, o Complexo Teatral de Buenos Aires (CTBA) inaugurou em Maio de 2015  um Centro de Vestuário de 600 m2, localizado na Rua Zabala 3654,  no bairro de Chacarita, construído especialmente para o armazenamento das 30.000 peças que integram sua coleção de vestuário teatral.

O Centro de Vestuário do CTBA foi projetado e  construído seguindo padrões internacionais para a  preservação de têxteis, com o objetivo de garantir as condições ótimas para o resguardo e a segurança dos figurinos.

Em uma colaboração sem precedentes entre a Fundação, as Secretarias  de Cultura e a de Desenvolvimento Urbano do governo da cidade, o CTBA se projetou, desenvolveu-se e implementou-se num programa para preservar e organizar as peças que integram a coleção embora de início a ideia foi de modernização informática para a gestão do vestuário cênico, adereços e cenografia, informou Paula Ramos.

Coleção tesouro

O emprego da palavra tesouro não é casual. Se denominam por sua confecção ou por haver sido usadas em determinada obra ou por algum ator muito reconhecido. Ademais, os itens do tesouro – por seu alto valor patrimonial (que considera o processo de desenho e a história individual) – merecem ser especialmente protegidas e por isso não podem sofrer modificações.

Gestão da coleção

Com o objetivo de organizar, classificar e documentar as peças que integram a coleção foi desenvolvido uma software XIRGU  (homenagem a atriz espanhola Margarita Xirgu Subirá) que possibilita a gestão inovadora em relação ao patrimônio.  Esse software gera informação confiável sobre cada vestuário e possibilita sua administração desde o momento de sua confecção até seu armazenamento, passando por sua historia sobre os palcos do CTBA.

Dentro do sistema informatizado, cada prenda pode contar com fotografias em excelente qualidade e possibilidade de aproximação para observar os detalhes, os bordados, os acessórios que a acompanham, numa quantidade excelente de detalhes que podem ser agregados por campos de metadados definidos pela equipe.

Centro de Vestuário do Complexo Teatral San Martín, Buenos Aires.

“Semana de la dulzura”: um bombom por um beijo.

semana de la dulzura

Uma das datas comemorativas que mais gosto aqui na Argentina é a famosa e tão esperada semana da doçura. Começa no dia 01 de julho e decorre até o dia 7 do mês. A intenção é dar doces e guloseimas em troca de um beijo. Pense como é possível tirar uma casquinha nada inocente. (risos).

A Semana da doçura é uma invenção puramente argentina, ou seja, não existe em nenhum outro lugar do mundo e não foi adotado por qualquer país ou continente.

#Como começou

Nasceu em 1989 por iniciativa da empresa Arcor com ADGyA (Associação de Distribuidores de Guloseimas e Afins – em português) como parte de uma estratégia de marketing para aumentar as vendas.

O sucesso foi tão grande e acompanhado do slogan da campanha “una gulosina por un beso” estima-se que durante esta semana do ano  aumentou aproximadamente 20% a venda de doces. Pouco a pouco a semana foi se tornando um clássico momento onde todos podem aproveitar para presentear um doce a uma pessoa especial. A partir desse momento a semana de doçura foi implementada como parte da cultura argentina, tornou-se tão importante como o dia do amigo, mãe, filho ou pai.

Nesta semana, a ideia é ser amável e gentil com seus bens, seu trabalho e tudo ao seu redor.

#O lado amargo

Assim como o chocolate, também temos pessoas amargas e que criticam a semana festiva porque “a semana de doçura é uma invenção dos países do terceiro mundo para aumentar a ascensão do capitalismo”. [Não me venham com ideais de socialismo mal aplicado por favor!].

Também tem o grupo dos que acham estúpido esperar por sua esposa(o), namorada(o), peguete com um buquê de rosas no aniversário, comprar presentes no Natal ou ovos de chocolate na Páscoa, e, inclusive celebrar a Semana da doçura. Estas mesmo que tenham uma característica religiosa, notem que também possuem um vínculo religioso – e também capitalistas.

# Curiosidade (que eu me amarro)

pegadinha bombom

O ser humano é super criativo. Uma brincadeira que costuma fazer por aqui é o seguinte: Se 1 bombom vale 1 beijo. Uma caixa de chocolate um bom sexo (garchada – termo informal, não sei se vulgar para sexo), não?!

As baladas sabem muito bem como tirar proveito da ocasião, muitas delas já entregam doces no momento que a pessoa chega na balada e aí se instala um momento de azaração a noite toda. Sensacional!

Além das especulações e pensamentos divergentes, a semana de doçura existe e está instalada na Argentina com grande êxito! Não é a toa que no ano de 2015 está em sua 26a edição, é provável que, em pouco tempo veremos brasileiros, italianos, venezuelanos, espanhóis e outras nacionalidades dando doces e pedindo um beijo em troca.

Os direitos autorais como ameaça às bibliotecas

direitos autorais e biblioteca

Cada vez que mostro a capa de um livro,  uma ilustração, uma fotografia que não foi tirada por mim ou a cada vez que publico no facebook ou no twitter  uma citação de algum autor que não esteja morto há mais de 70 anos – porque nesse caso seus direitos patrimoniais seguramente já teriam expirado – estou comunicando algo publicamente de modo indevido se considerarmos ao pé da letra o que diz o texto da lei. Talvez, muitos de nós acreditamos que ao citar corretamente a fonte é condição suficiente para se livrar dos problemas relacionados ao direitos autorais: falso. Citar corretamente a fonte é um direito moral do autor: apenas estamos reconhecemos a sua obra.

Há uma série de questões envolvidas, onde a lei de direitos autorais se cruza como com a nossa prática de bibliotecários: muitas atividades que hoje fazem parte do cotidiano das bibliotecas, como digitalização para fins de preservação, cópia para pesquisa e troca entre bibliotecas de outros países enfrentam as barreiras impostas pelos direitos autorais não só âmbito nacional como também no internacional.

Duas vertentes de um mesmo cenário

Estar legal no tema de legislação que trata sobre a matéria de direito de autor ou direitos autorais pode ser uma ameaça a plena execução dos serviços oferecidos por bibliotecários nas bibliotecas ou outras unidades de informação. Isso porque há uma série de leis que bloqueiam a execução lícita de determinadas atividades.

Trata-se de uma situação paradóxica da sociedade da informação, que por um lado defende o acesso aberto e por outro valora a proteção dos autores. É importante conhecer para saber como não cair em saia justa e ter consciência no momento que ocorra determinada situação inconveniente.

Quais são os instrumentos normativos?

O direito autoral está regulamentado pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98)

Protege as relações entre o criador e quem utiliza suas criações artísticas, literárias ou científicas, tais como textos, livros, pinturas, esculturas, músicas, fotografias etc.

Como funciona a lei?

Os direitos autorais são divididos, para efeitos legais, em direitos morais e patrimoniais. Cada um com seu tempo e alcance.

direitos do autor

O que pode ser protegido?

A Lei 9.610, no Capítulo I, Artigo 7º, define:

I – os textos de obras literárias, artísticas ou científicas;

II – as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza;

III – as obras dramáticas e dramático-musicais;

IV – as obras coreográficas e pantomímicas, cuja execução cênica se fixe por escrito ou por outra qualquer forma;

V – as composições musicais, tenham ou não letra;

VI – as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas;

VII – as obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia;

VIII – as obras de desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética;

IX – as ilustrações, cartas geográficas e outras obras da mesma natureza;

X – os projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, engenharia, topografia, arquitetura, paisagismo, cenografia e ciência;

XI – as adaptações, traduções e outras transformações de obras originais, apresentadas como criação intelectual nova;

XII – os programas de computador;

XIII – as coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases de dados e outras obras, que, por sua seleção, organização ou disposição de seu conteúdo, constituam uma criação intelectual.

§ 1º Os programas de computador são objeto de legislação específica, observadas as disposições desta Lei que lhes sejam aplicáveis.

§ 2º A proteção concedida no inciso XIII não abarca os dados ou materiais em si mesmos e se entende sem prejuízo de quaisquer direitos autorais que subsistam a respeito dos dados ou materiais contidos nas obras.

§ 3º No domínio das ciências, a proteção recairá sobre a forma literária ou artística, não abrangendo o seu conteúdo científico ou técnico, sem prejuízo dos direitos que protegem os demais campos da propriedade imaterial.

Entidades de gestão dos direitos autoriais

Desde 1973, como definido na Lei 5.988, a Biblioteca Nacional é a instituição responsável pelo registro de obras literárias e artísticas, aceitando o registro de textos dos mais diversos gêneros literários, técnicos e científicos; como também de criações musicais, teatrais, para cinema etelevisão, história em quadrinhos e personagens desenhados; e outras produções publicitárias e para publicações periódicas.

Em todo o território nacional, outras instituições podem, mediante convênio com a BibliotecaNacional, se credenciar como escritórios de representação.

  • Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional (EDA/BN) para obras impressas;
  • Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) para arquivos de computadores e produtos industriais;
  • Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para partituras musicais sem letra;
  • Escola de Belas-Artes da UFRJ para artes visuais em geral (imagens, marcas, símbolos, logotipos, desenhos, pinturas, gravuras, esculturas, litografias, obras fotográficas e obras de arte) dissociadas do objeto industrial ao qual estejam sobrepostas;
  • Coordenação de Atividades Audiovisuais (CAV) para obras cinematográficas;
  • Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA) para projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, topografia, engenharia, arquitetura, cenografia e ciência.

Importante: O registro na Biblioteca Nacional é facultativo. A proteção aos direitos do autor independe de registro, diferentemente do que acontece, por exemplo, com a patente ou outros instrumentos de propriedade industrial.

E as bibliotecas nesse cenário?

Por sorte, há outros instrumentos normativos onde os países signatários, por acordo entre governos garantem perfeita proteção recíproca de direitos de autor sobre obras literárias, científicas e artísticas. Além disso, os países signatários da Organização Mundial de Propriedade Intelectual  (OMPI), onde Brasil é membro desde 1975 garantem

“Exceções legais para bibliotecas referem-se principalmente a questões como a reprodução de obras protegidas pelos direitos de autor para fins de pesquisa e estudo pessoal, preservação e substituição de materiais e fornecimento de documentos e empréstimo entre bibliotecas.”

O trecho acima está explícito no Estudio sobre las limitaciones y excepciones al derecho de autor en beneficio de bibliotecas y archivos. No Brasil, não dispomos disposições explícitas sobre bibliotecas na lei de direito de autor, o que pode ser contemplado de certa maneira é o Art. 46. II – a reprodução, em um só exemplar de pequenos trechos, para uso privado do copista, desde que feita por este, sem intuito de lucro.

Ou seja, cópias para uso pessoal e sem fim lucrativo não constitui ofensa aos direitos autorais. Inclusive se mediante sistema Braille ou outro procedimento para esses destinatários.

E se…

Imaginamos um cenário para o mundo virtual. A internet, quantidade de páginas disponíveis sem citações, nem imagens, nem nada. Que triste seria se todos seguissem a lei tal qual como figura cada capítulo, cada parágrafo, cada linha?!

Por sorte, existe autores que entendem a importância da citação, das fotografias e ilustrações para a divulgação dos trabalhos. Sim, há autores que se encantam muito mais com o reconhecimento do trabalho que o beneficio econômico que ele poderia proporcionar.  Esse tipo de gente acredita na produção coletiva, no Creative Commons e sobretudo prevalecem o respeito ao direito a informação e o acesso a cultura antes dos interesses do autor.

Vocês já tiveram algum problema relacionado a direitos autoriais no seu local de trabalho? Comente aí, juntos aprendemos mais.