Por que nosso futuro depende de bibliotecas, de leitura e de sonhar acordado

Uma palestra que explica porque usar nossa imaginação e providenciar para que outros utilizem as suas, é uma obrigação de todos os cidadãos publicado no The Guardian, em 15/10/2013. É uma versão editada da palestra do Neil Gaiman para a Reading Agency, realizada dia 14 de outubro de 2013 (segunda-feira) no Barbican em Londres. A série anual de palestras da Reading Agency começou em 2012 como uma plataforma para que escritores e pensadores compartilhassem ideias originais e desafiadoras sobre a leitura e as bibliotecas.

É importante para as pessoas dizerem de que lado estão e porque, e se elas podem ou não ser tendenciosas. Um tipo de declaração de interesse dos membros. Então eu estarei conversando com vocês sobre leitura. Direi à vocês que as bibliotecas são importantes. Vou sugerir que ler ficção, que ler por prazer, é uma das coisas mais importantes que alguém pode fazer. Vou fazer um apelo apaixonado para que as pessoas entendam o que as bibliotecas e os bibliotecários são e para que preservem ambos.

E eu sou óbvia e enormemente tendencioso: sou um escritor, muitas vezes um autor de ficção. Escrevo para crianças e adultos. Por cerca de 30 anos tenho ganhado a minha vida através das minhas palavras, principalmente por inventar as coisas e escrevê-las. Obviamente está em meu interesse que as pessoas leiam, que elas leiam ficção, que bibliotecas e bibliotecários existam para nutrir amor pela leitura e lugares onde a leitura possa ocorrer.

Então sou tendencioso como escritor. Mas eu sou muito, muito mais tendencioso como leitor. E sou ainda mais tendencioso enquanto cidadão britânico.

E estou aqui dando essa palestra hoje a noite sob os auspícios da Reading Agency: uma instituição filantrópica cuja missão é dar a todos as mesmas oportunidades na vida, ajudando as pessoas a se tornarem leitores entusiasmados e confiantes. Que apoia programas de alfabetização, bibliotecas e indivíduos e arbitrária e abertamente incentiva o ato da leitura. Porque, eles nos dizem, tudo muda quando lemos.

E é sobre essa mudança e este ato de leitura que quero falar hoje a noite. Eu quero falar sobre o que a leitura faz. O porquê de ela ser boa.

Uma vez eu estava em Nova York e ouvi uma palestra sobre a construção de prisões particulares – uma ampla indústria em crescimento nos Estados Unidos. A indústria de prisões precisa planejar o seu futuro crescimento – quantas celas precisarão? Quantos prisioneiros teremos daqui 15 anos? E eles descobriram que poderiam prever isso muito facilmente, usando um algoritmo bastante simples, baseado em perguntar a porcentagem de crianças entre 10 e 11 anos que não conseguiam ler. E certamente não conseguiam ler por prazer.

Não é um pra um: você não pode dizer que uma sociedade alfabetizada não tenha criminalidade. Mas existem correlações bastante reais.

E eu acho que algumas destas correlações, a mais simples, vem de algo muito simples. Pessoas alfabetizadas leem ficção.

A ficção tem duas utilidades. Primeiramente, é uma droga que é uma porta para leituras. O desejo de saber o que acontece em seguida, de querer virar a página, a necessidade de continuar, mesmo que seja difícil, porque alguém está em perigo e você precisa saber como tudo vai acabar… Este é um desejo muito real. E te força a aprender novos mundos, a pensar novos pensamentos, a continuar. Descobrir que a leitura por si é prazerosa. Uma vez que você aprende isso, você está no caminho para ler de tudo. E a leitura é a chave. Houve um burburinho brevemente há alguns anos atrás sobre a idéia de que estávamos vivendo em um mundo pós-alfabetizado, no qual a habilidade de fazer sentido através de palavras escritas estava de alguma forma redundante, mas esses dias acabaram: as palavras são mais importantes do que jamais foram: nós navegamos o mundo com palavras, e uma vez que o mundo desliza para a web, precisamos seguir, comunicar e compreender o que estamos lendo. As pessoas que não podem entender umas às outras não podem trocar idéias, não podem se comunicar e apenas programas de tradução vão tão longe.

Descobrir que a leitura por si é prazerosa. Uma vez que você aprende isso, você está no caminho para ler de tudo.

A forma mais simples de ter certeza de que educamos crianças alfabetizadas é ensiná-los a ler, e mostrarmos a eles que a leitura é uma atividade prazerosa. E isso significa, na sua forma mais simples, encontrar livros que eles gostem, dar a eles acesso a estes livros e deixar que eles os leiam.

Eu não acho que exista algo como um livro ruim para crianças. Vez e outra se torna moda entre alguns adultos escolher um subconjunto de livros para crianças, um gênero, talvez, ou um autor e declará-los livros ruins, livros que as crianças devem parar de ler. Eu já vi isso acontecer repetidamente; Enid Blyton foi declarado um autor ruim, R. L. Stine também, assim como dúzias de outros. Quadrinhos tem sido acusados de promover o analfabetismo.

É tosco. É arrogante e é burro. Não existem autores ruins para crianças, que as crianças gostem e querem ler e buscar, porque cada criança é diferente. Eles podem encontrar as histórias que precisam, e eles levam a si mesmos nas histórias. Uma ideia banal e desgastada não é banal nem desgastada para eles. Esta é a primeira vez que a criança a encontrou. Não desencoraje uma criança de ler porque você acha que o que eles estão lendo é errado. A ficção que você não gosta é uma rota para outros livros que você pode preferir. E nem todo mundo tem o mesmo gosto que você.

Adultos bem intencionados podem facilmente destruir o amor de uma criança pela leitura: parar de ler pra eles o que eles gostam, ou dar a eles livros ‘chatos mas que valem a pena’ que você gosta, os equivalentes “melhorados” da literatura Vitoriana do século XXI. Você acabará com uma geração convencida de que ler não é legal e pior ainda, desagradável.

Precisamos que nossas crianças entrem na escada da leitura: qualquer coisa que eles gostarem de ler irá movê-las, degrau por degrau, à alfabetização. (Além disso, não faça o que eu fiz quando a minha filha de 11 anos estava gostando de ler R. L. Stine, que foi pegar uma cópia de Carrie do Stephen King e dizer que se você gosta deste, adorará isto! Holly não leu nada além de histórias seguras de colonos em pradarias pelo resto de sua adolescência e até hoje me dá olhares tortos quando o nome de Stephen King é mencionado).

Precisamos que nossas crianças entrem na escada da leitura: qualquer coisa que eles gostarem de ler irá movê-las, degrau por degrau, à alfabetização.

E a segunda coisa que a ficção faz é construir empatia. Quando você assiste TV ou vê um filme, você está olhando para coisas acontecendo a outras pessoas. Ficção de prosa é algo que você constrói a partir de 26 letras e um punhado de sinais de pontuação, e você, você sozinho, usando a sua imaginação, cria um mundo e o povoa e olha através dos olhos de outros. Você sente coisas, visita lugares e mundos que você jamais conheceria de outro modo. Você aprende que qualquer outra pessoa lá fora é um eu, também. Você está sendo outra pessoa e quando você volta ao seu próprio mundo, você estará levemente transformado.

Empatia é uma ferramenta para tornar pessoas em grupos, que nos permite que funcionemos como mais do que indivíduos obcecados consigo mesmos.

Você também está descobrindo algo enquanto lê que é de vital importância para fazer o seu caminho no mundo. E é isto:

O mundo não precisa ser assim. As coisas podem ser diferentes.

Eu estive na China em 2007 na primeira convenção de ficção científica e fantasia aprovada pelo partido na história da China. E em algum momento eu tomei um alto oficial de lado e perguntei a ele “Por que? A ficção científica foi reprovada por tanto tempo. Por que isso mudou?”. É simples, ele me disse. Os chineses eram brilhantes em fazer coisas se outras pessoas trouxessem os planos para eles. Mas eles não inovavam e não inventavam. Eles não imaginavam. Então eles mandaram uma delegação para os Estados Unidos, para a Apple, para a Microsoft, para o Google e perguntaram às pessoas de lá que estavam inventando seu próprio futuro. E descobriram que todos eles leram ficção científica quando eram meninos e meninas. A ficção pode te mostrar um outro mundo. Pode te levar para um lugar que você nunca esteve. E uma vez que você tenha visitado outros mundos, como aqueles que comeram a fruta da fada, você pode nunca mais ficar completamente satisfeito com o mundo no qual você cresceu.

Descontentamento é uma coisa boa: pessoas descontentes podem modificar e melhorar o mundo, deixá-lo melhor, deixá-lo diferente. E enquanto ainda estamos nesse assunto, eu gostaria de dizer algumas palavras sobre escapismo. Eu ouço o termo utilizado por aí como se fosse uma coisa ruim. Como se ficção “escapista” fosse um ópio barato utilizado pelos confusos, pelos tolos e pelos desiludidos e a única ficção que seja válida, para adultos ou crianças é a ficção mimética, espelhando o pior do mundo em que o leitor ou a leitora se encontra.

Descontentamento é uma coisa boa: pessoas descontentes podem modificar e melhorar o mundo, deixá-lo melhor, deixá-lo diferente.

Se você estivesse preso em uma situação impossível, em um lugar desagradável, com pessoas que te quisessem mal e alguém te oferecesse um escape temporário, por que você não ia aceitar isso? E ficção escapista é apenas isso: ficção que abre uma porta, mostra o sol lá fora, te dá um lugar para ir onde você esteja no controle, esteja com pessoas com quem você queira estar (e livros são lugares reais, não se enganem sobre isso); e mais importante, durante o seu escape, livros também podem te dar conhecimento sobre o mundo e o seu predicamento, te dar armas, te dar armaduras: coisas reais que você pode levar de volta para a sua prisão. Habilidades, conhecimento e ferramentas que você pode utilizar para escapar de verdade.

Como J. R. R. Tolkien nos lembrou, as únicas pessoas que fazem injúrias contra o escape são prisioneiros.

Outra forma de destruir o amor de uma criança pela leitura, claro, é se assegurar de que não existam livros de nenhum tipo por perto. E não dar a elas nenhum lugar para que leiam estes livros. Eu tive sorte. Eu tive uma biblioteca local excelente enquanto eu cresci. Eu tive o tipo de pais que podiam ser persuadidos a me deixar na biblioteca no caminho do trabalho deles nas férias de verão, e o tipo de bibliotecários que não se importavam que um menino pequeno e desacompanhado ficasse na biblioteca das crianças todas as manhãs e ficasse mexendo no catálogo de cartões, procurando por livros com fantasmas ou mágica ou foguetes neles, procurando por vampiros ou detetives ou bruxas ou fantasias. E quando eu terminei de ler a biblioteca de crianças eu comecei a de adultos.

Eles eram ótimos bibliotecários. Eles gostavam de livros e eles gostavam dos livros que estavam sendo lidos. Eles me ensinaram como pedir livros das outras bibliotecas em empréstimo inter-bibliotecas. Eles não eram arrogantes em relação a nada que eu lesse. Eles pareciam apenas gostar do fato de existir esse menininho de olhos arregalados que amava ler e conversariam comigo sobre os livros que eu estava lendo, achariam pra mim outros livros em uma série deles, eles me ajudariam. Eles me tratavam como outro leitor – nem mais, nem menos – o que significa que eles me tratavam com respeito. Eu não estava acostumado a ser tratado com respeito aos oito anos de idade.

Mas as bibliotecas tem a ver com liberdade. A liberdade de ler, a liberdade de ideias, a liberdade de comunicação. Elas tem a ver com educação (que não é um processo que termina no dia que deixamos a escola ou a universidade), com entretenimento, tem a ver com criar espaços seguros e com o acesso à informação.

Eu me preocupo que no século XXI as pessoas entendam errado o que são bibliotecas e qual é o propósito delas. Se você perceber uma biblioteca como estantes com livros, pode parecer antiquado e datado em um mundo no qual a maioria, mas não todos, os livros impressos existem digitalmente. Mas pensar assim é errar o ponto fundamentalmente.

Eu acho que tem a ver com a natureza da informação. A informação tem valor, e a informação certa tem um enorme valor. Por toda a história humana, nós vivemos em escassez de informação e ter a informação desejada era sempre importante, e sempre valia alguma coisa: quando plantar sementes, onde achar as coisas, mapas e histórias e estórias – eles eram sempre bons para uma refeição e companhia. Informação era uma coisa valorosa, e aqueles que a tinham ou podiam obtê-la podiam cobrar por este serviço.

Nos últimos anos, nos mudamos de uma economia de escassez da informação para uma dirigida por um excesso de informação. De acordo com o Eric Schmidt do Google, a cada dois dias agora a raça humana cria tanta informação quanto criávamos desde o início da civilização até 2003. Isto é cerca de cinco exobytes de dados por dia, para vocês que mantém a contagem. O desafio se torna não encontrar aquela planta escassa crescendo no deserto, mas encontrar uma planta específica crescendo em uma floresta. Precisaremos de ajuda para navegar nesta informação e achar a coisa que precisamos de verdade.

Bibliotecas são lugares que pessoas vão para obter informação. Livros são apenas a ponta do iceberg da informação: eles estão lá, e bibliotecas podem fornecer livros gratuitamente e legalmente. Crianças estão emprestando livros de bibliotecas hoje mais do que nunca – livros de todos os tipos: de papel e digital e em áudio. Mas as bibliotecas também são, por exemplo, lugares onde pessoas que não tem computadores, que podem não ter conexão à internet, podem ficar online sem pagar nada: o que é imensamente importante quando a forma que você procura empregos, se candidata para entrevistas ou aplica para benefícios está cada vez mais migrando para o ambiente exclusivamente online. Bibliotecários podem ajudar estas pessoas a navegar neste mundo.

Bibliotecas são lugares que pessoas vão para obter informação. Livros são apenas a ponta do iceberg da informação: eles estão lá, e bibliotecas podem fornecer livros gratuitamente e legalmente

Eu não acredito que todos os livros irão ou devam migrar para as telas: como Douglas Adams uma vez me falou, mais de 20 anos antes do Kindle aparecer, um livro físico é como um tubarão. Tubarões são velhos: existiam tubarões nos oceanos antes dos dinossauros. E a razão de ainda existirem tubarões é que tubarões são melhores em serem tubarões do que qualquer outra coisa que exista. Livros físicos são durões, difíceis de destruir, resistentes à banhos, operam a luz do sol, ficam bem na sua mão: eles são bons em serem livros, e sempre existirá um lugar para eles. Eles pertencem às bibliotecas, bem como as bibliotecas já se tornaram lugares que você pode ir para ter acesso à ebooks, e audio-livros e DVDs e conteúdo na web.

Uma biblioteca é um lugar que é um repositório de informação e dá a cada cidadão acesso igualitário a ele. Isso inclui informação sobre saúde. E informação sobre saúde mental. É um espaço comunitário. É um lugar de segurança, um refúgio do mundo. É um lugar com bibliotecários. Como as bibliotecas do futuro serão é algo que deveríamos estar imaginando agora.

Alfabetização é mais importante do que nunca, nesse mundo de mensagens e e-mail, um mundo de informação escrita. Precisamos ler e escrever, precisamos de cidadãos globais que possam ler confortavelmente, compreender o que estão lendo, entender as nuances e se fazer entender.

As bibliotecas realmente são os portais para o futuro. É tão lamentável que, ao redor do mundo, nós observemos autoridades locais apropriarem-se da oportunidade de fechar bibliotecas como uma maneira fácil de poupar dinheiro, sem perceber que eles estão roubando do futuro para serem pagos hoje. Eles estão fechando os portões que deveriam ser abertos.

De acordo com um estudo recente feito pela Organisation for Economic Cooperation and Development, a Ingaterra é o “único país onde o grupo de mais idade tem mais proficiência tanto em alfabetização quanto em capacidade de usar ou entender as técnicas numéricas da matemática do que o grupo mais jovem, depois de outros fatores, tais como gênero, perfis sócioeconômicos e tipo de ocupações levados em consideração”.

Colocando de outro modo, nossas crianças e netos são menos alfabetizados e menos capazes de utilizar técnicas de matemática do que nós. Eles são menos capazes de navegar o mundo, de entendê-lo e de resolver problemas. Eles podem ser mais facilmente enganados e iludidos, serão menos capazes de mudar o mundo em que se encontram, ser menos empregáveis. Todas essas coisas. E como um país, a Inglaterra ficará para trás em relação a outras nações desenvolvidas porque faltará mão de obra especializada.

Livros são a forma com a qual nós nos comunicamos com os mortos. A forma que aprendemos lições com aqueles que não estão mais entre nós, que a humanidade se construiu, progrediu, fez com que o conhecimento fosse incremental ao invés de algo que precise ser reaprendido, de novo e de novo. Existem contos que são mais velhos que alguns países, contos que sobreviveram às culturas e aos prédios nos quais eles foram contados pela primeira vez.

Eu acho que nós temos responsabilidades com o futuro. Responsabilidades e obrigações com as crianças, com os adultos que essas crianças se tornarão, com o mundo que eles habitarão. Todos nós – enquanto leitores, escritores, cidadãos – temos obrigações. Pensei em tentar explicitar algumas dessas obrigações aqui.

Eu acredito que temos uma obrigação de ler por prazer, em lugares públicos e privados. Se lermos por prazer, se outros nos verem lendo, então nós aprendemos, exercitamos nossas imaginações. Mostramos aos outros que ler é uma coisa boa.

Temos a obrigação de apoiar bibliotecas. De usar bibliotecas, de encorajar outras pessoas a utilizarem bibliotecas, de protestar contra o fechamento de bibliotecas. Se você não valoriza bibliotecas então você não valoriza informação ou cultura ou sabedoria. Você está silenciando as vozes do passado e você está prejudicando o futuro.

Temos a obrigação de ler em voz alta para nossas crianças. De ler pra elas coisas que elas gostem. De ler pra elas histórias das quais já estamos cansados. Fazer as vozes, fazer com que seja interessante e não parar de ler pra elas apenas porque elas já aprenderam a ler sozinhas. Use o tempo de leitura em voz alta para um momento de aproximação, como um tempo onde não se fique checando o telefone, quando as distrações do mundo são postas de lado.

Temos a obrigação de usar a linguagem. De nos esforçarmos: descobrir o que as palavras significam e como empregá-las, nos comunicarmos claramente, de dizer o que estamos querendo dizer. Não devemos tentar congelar a linguagem, ou fingir que é uma coisa morta que deve ser reverenciada, mas devemos usá-la como algo vivo, que flui, que empresta palavras, que permite que significados e pronúncias mudem com o tempo.

Nós escritores – e especialmente escritores para crianças, mas todos os escritores – temos uma obrigação com nossos leitores: é a obrigação de escrever coisas verdadeiras, especialmente importantes quando estamos criando contos de pessoas que não existem em lugares que nunca existiram – entender que a verdade não está no que acontece mas no que ela nos diz sobre quem somos. A ficção é a mentira que diz a verdade, afinal. Temos a obrigação de não entediar nossos leitores, mas fazê-los sentir a necessidade de virar as páginas. Uma das melhores curas para um leitor relutante, afinal, é uma estória que eles não são capazes de parar de ler. E enquanto nós precisamos contar a nossos leitores coisas verdadeiras e dar a ele armas e dar a eles armaduras e passar a eles qualquer sabedoria que recolhemos em nossa curta estadia nesse mundo verde, nós temos a obrigação de não pregar, não ensinar, não forçar mensagens e morais pré-digeridas goela abaixo em nossos leitores como pássaros adultos alimentando seus bebês com vermes pré-mastigados; e nós temos a obrigação de nunca, em nenhuma circunstância, escrever nada para crianças que nós mesmos não gostaríamos de ler.

Temos a obrigação de entender e reconhecer que enquanto escritores para crianças nós estamos fazendo um trabalho importante, porque se nós estragarmos isso e escrevermos livros chatos que distanciam as crianças da leitura e de livros, nós estaremos menosprezando o nosso próprio futuro e diminuindo o deles.

Todos nós – adultos e crianças, escritores e leitores – temos a obrigação de sonhar acordado. Temos a obrigação de imaginar. É fácil fingir que ninguém pode mudar coisa alguma, que estamos num mundo no qual a sociedade é enorme e que o indivíduo é menos que nada: um átomo numa parede, um grão de arroz num arrozal. Mas a verdade é que indivíduos mudam o seu próprio mundo de novo e de novo, indivíduos fazem o futuro e eles fazem isso porque imaginam que as coisas podem ser diferentes.

Olhe à sua volta: eu falo sério. Pare por um momento e olhe em volta da sala em que você está. Eu vou dizer algo tão óbvio que a tendência é que seja esquecido. É isto: que tudo o que você vê, incluindo as paredes, foi, em algum momento, imaginado. Alguém decidiu que era mais fácil sentar numa cadeira do que no chão e imaginou a cadeira. Alguém tinha que imaginar uma forma que eu pudesse falar com vocês em Londres agora mesmo sem que todos ficássemos tomando uma chuva. Este quarto e as coisas nele, e todas as outras coisas nesse prédio, esta cidade, existem porque, de novo e de novo e de novo as pessoas imaginaram coisas.

Temos a obrigação de fazer com que as coisas sejam belas. Não de deixar o mundo mais feio do que já encontramos, não de esvaziar os oceanos, não de deixar nossos problemas para a próxima geração. Temos a obrigação de limpar tudo o que sujamos, e não deixar nossas crianças com um mundo que nós desarrumamos, vilipendiamos e aleijamos de forma míope.

Temos a obrigação de dizer aos nossos políticos o que queremos, votar contra políticos ou quaisquer partidos que não compreendem o valor da leitura na criação de cidadãos decentes, que não querem agir para preservar e proteger o conhecimento e encorajar a alfabetização. Esta não é uma questão de partidos políticos. Esta é uma questão de humanidade em comum.

Uma vez perguntaram a Albert Einstein como ele poderia tornar nossas crianças inteligentes. A resposta dele foi simples e sábia.

“Se você quer que crianças sejam inteligentes”, ele disse, “leiam contos de fadas para elas. Se você quer que elas sejam mais inteligentes, leia mais contos de fadas para elas”.

Ele entendeu o valor da leitura e da imaginação. Eu espero que possamos dar às nossas crianças um mundo no qual elas possam ler, e que leiam para elas, e imaginar e compreender.

Fonte original: Neil Gaiman: Por que nosso futuro depende de bibliotecas, de leitura e de sonhar acordado

Bibliotecas em contextos indígenas

Educação indígena

Fotografia de Silvino Santos . Manaus: [1925].

De acordo com os dados mais recentes, existem no Brasil, 206 etnias distintas, cujo contingente populacional é constituído de aproximadamente 270.000 pessoas, o que em outras palavras significa, 0,2% da população nacional. Das 180 línguas existentes, mais de 60 são falados no Amazonas, sendo que muitas delas são exclusivas da região e dos países limítrofes (casos da língua Yanomami, Tukano, Waimiri Atroari etc).

No Amazonas, são 62 etnias diferentes, constituídas de aproximadamente 87.000 pessoas, as quais devem ser computados 12 grupos isolados (a maior parte na região do Vale do Rio Javari) e 52 “Terras Indígenas” sobre as quais não se tem registro, afora aqueles habitantes das três sedes municipais (os desaldeados), inclusive a capital, Manaus. Os 86.000 conhecidos ocupam 171 “Terras Indígenas”, que juntas compõem uma área de aproximadamente 28.190.262 hectares, o que equivale a mais ou menos 1/3 de todas as terras indígenas do País.

Então me questionei sobre a existência de bibliotecas em comunidades indígenas. Pensando no difícil acesso ás comunidades ribeirinhas e mesmo em como se dá a dinâmica de registro e salvaguarda das informações e do conhecimento produzido por esses povos. Sei que ocorre um processo de “democratização” maquiada uma vez que infiltram tais comunidades, se criam documentos, algumas vezes sem o cuidado de gerar relatórios que possibilitem a devolução em língua nativa e apresentam bibliotecas virtuais como se houvesse suficiente tecnologia e conexão a internet nestas. Ou seja, tem utilidade apenas como nova ferramenta de apoio à pesquisa, tornando o acesso mais ágil e eficaz às informações sobre as ações do indigenismo brasileiro.

Por sorte nem tudo está mal. Uma ação otimista vem sendo desenvolvida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) como parte do Programa Arca das Letras, uma iniciativa criada em 2003, que já implantou diversos acervos indígenas em vários Estados como se observa no gráfico a seguir.

biblioteca em contexto indígena-programaarcadasletras.png

Gráfico gerado a partir de relatórios do Arca das Letras.

Agora sigo com a curiosidade em saber de você leitor(a) se conhece ou desenvolve alguma atividade bibliotecária ou de promoção da leitura em contexto indígena.

Fontes:

http://portal.mda.gov.br/dotlrn/clubs/arcadasletras/one-community?page_num=0
http://www.mda.gov.br/arcadasletras/
http://www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/serie_memoria/72_etnias.php

 

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Pensar maneiras de reavivar as bibliotecas

Campanha para transformar as bibliotecas

libraries transform

Projetado para sensibilizar o público para o valor, o impacto e os serviços prestados por bibliotecas e dos próprios profissionais; a campanha de ALA (American Library Association) criou a campanha “Libraries Transform” , no português algo como  “Transformar as Bibliotecas” e tem o objetivo de ajudar a criar uma mensagem comum, clara e forte dentro e fora da profissão sobre a natureza transformadora das bibliotecas nos dias de hoje bem como a importância delas na era digital.

As maneiras pelas quais as bibliotecas se transformam são tão sutis e variadas como as pessoas a que servem. As mudanças físicas são fáceis de detectar, mas a transformação de serviços, e o alcance podem ser menos evidentes, embora essas mudanças estão ocorrendo constantemente.

Este vídeo é a primeira de muitas ferramentas compartilháveis ​​concebidos para provocar uma discussão sobre a  biblioteca transformada e o profissional  da biblioteca. Em algumas coisas estamos longe na realidade brasileira, onde ainda não conseguimos unir economia e bibliotecas por exemplo. Mas o importante é a inspiração e acreditar que podemos chegar nesse cenário o quanto antes.

Esta campanha foi desenhada para mostrar como:

• Bibliotecas transformam as comunidades e as vidas de pessoas.

• Bibliotecas seguirão [deveriam seguir] se transformando rapidamente para responder e atender às novas necessidades de usuários e comunidades no século 21.

• Os profissionais de biblioteca seguem em capacitação para adquirir habilidades e competências para melhor atender as necessidades em tempos de mudança nas comunidades a que servem.

• Aumentar a conscientização e o apoio às bibliotecas. Demonstrando a natureza transformadora das bibliotecas de hoje.

• Aumentar a conscientização sobre o papel fundamental que possuem as bibliotecas e os profissionais das bibliotecas na era digital.

• Atualização da imagem das bibliotecas e dos profissionais que nela atuam.

• Atrair à profissão os melhores e mais brilhantes profissionais em todas os âmbitos da vida para ajudar a crescer e expandir nossa biblioteca.

• Influenciar os principais tomadores de decisão nos níveis nacional, estadual e local para aumentar a acessibilidade e políticas públicas para as bibliotecas.

Cartões postais e cartazes da campanha

Amerelo: Porque existem mais de 14.000.000 resultados da busca para as eleições presidenciais de 2016. Laranja: Porque mais de um quarto dos lares norte-americanos não têm um computador com ligação à Internet. Azul: Porque por que não você ser capaz de trazer o seu grande macchiato snickerdoodle caramelo (tipo de café vendido na cafeteria Starbucks)?

Amerelo: Porque existem mais de 14.000.000 resultados da busca para as eleições presidenciais de 2016.
Laranja: Porque mais de um quarto dos lares norte-americanos não têm um computador com ligação à Internet.
Azul: Porque você não pode ser capaz de trazer o seu grande macchiato snickerdoodle caramelo (tipo de café vendido na cafeteria Starbucks)?

Verde claro: Porque o mundo está em suas mãos e que o mundo pode ser um lugar assustador. Verde escuro: Porque os alunos não podem pagar revistas acadêmicas com um orçamento "ramen budget" (expressão utilizada para viver na pobreza já que se refere a uma comida muito econômica como o macarrão instantâneo - amplamente considerado como a refeição mais barata que um humano pode consumir). Roxo: Porque os empregadores querem candidatos que sabem a diferença entre uma busca na web e uma pesquisa.

Verde claro: Porque o mundo está em suas mãos e que o mundo pode ser um lugar assustador.
Verde escuro: Porque os alunos não podem pagar revistas acadêmicas com um orçamento “ramen budget” (expressão utilizada para viver na pobreza já que se refere a uma comida muito econômica como o macarrão instantâneo – amplamente considerado como a refeição mais barata que um humano pode consumir).
Roxo: Porque os empregadores querem candidatos que sabem a diferença entre uma busca na web e uma pesquisa.

Ajude a difundir a campanha

Como o material é em inglês e algumas coisas não se aplicam a nossa cultura brasileira, é interessante pensar no que poderia despertar o interesse de nossa comunidade e criar nossos próprios cartazes utilizando um diagrama parecido. As cores utilizadas me chamaram bastante atenção. Isso seguramente eu aplicaria.

  1. Envie um Tweet em seus serviços mais inovadores e impactantes usando a hashtag #transformarasbibliotecas
  2. Inclua informações sobre “Transformar as Bibliotecas” nos boletins de notícias ou e-mails.
  3. Faça a sua própria campanha de marketing criativa para encantar e surpreender sua comunidade. 
  4. Convido você leitor ou seguidor do blog os membros de sua comunidade para compartilhar informações sobre a forma de “transformar as bibliotecas” em suas plataformas de mídia social – Facebook, YouTube, Instagram, etc. 

Sinta-se convidado a compartilhar suas experiências e dizer quais motivos você acredita que as bibliotecas precisam ser transformadas e de que maneira podemos oferecer serviços para mostrar essas transformações.

As oportunidades estão na biblioteca pública: apoio a pessoas sem emprego e ao emprendedorismo

As bibliotecas públicas devem recuperar a sua missão social e se concentrar em ajudar os grupos mais desfavorecidos.

Alemanha, Brasil, Espanha, Estados Unidos são países onde já é possível encontrar serviços bibliotecários orientados a pessoas que estão buscando emprego ou ainda aos empreendedores e autônomos, especialmente aos jovens quando o objetivo é oferecer recursos e ferramentas para ajudá-los e apoiá-los a enfrentar o mercado de trabalho cada vez mais competitivo e em busca de pessoas criativas e capacidades inovadoras.

Trata-se de uma questão cultural que está por detrás dos indicadores sociais do desemprego e então a biblioteca ressurge com destaque e mostra o seu papel efetivo como uma instituição agente que pode e deve contribuir para a coesão social.

Depois de ler algumas coisas em fóruns da internet, resolvi escrever um post como sugestão inspiradora aos colegas bibliotecários que gostam e desejam pensar a biblioteca “fora da caixa”, assim que fica o registro como uma maneira de estimular profissionais de bibliotecas a criar e empreender ações sustentáveis para ampliar o protagonismo da biblioteca na sua comunidade.

#O que se observa e que pode ser feito a partir das páginas web ou blog das bibliotecas públicas ou dos terminais de consulta:

  • Serviço de recompilação documental sobre notícias e informações relevantes sobre oportunidades de trabalho e capacitação;
  • Organizar um espaço onde a informação esteja classificada em: orientação; profissões; encontrar um emprego; vida profissional; concursos públicos.

#Nos espaços físicos podem ser organizados diferentes cursos, oficinas e palestras para:

  • A descoberta profissional – conhecendo profissões;
  • Capacitação – divulgação e realização de cursos de curta duração e com saída laboral;
  • Conhecimento e utilização de ferramentas e recursos para busca de emprego;
  • Conhecimento de empreendedorismo e mundo do trabalho;
  • Assessoria para criar plano de negócios, educação financeira;
  • Modelagem de negócios;
  • Iniciação as start-ups;

Seria interessante que as bibliotecas públicas brasileiras possuíssem um espaço ou serviço sobre informação e emprego, considerando ainda as necessidades de informação especializadas para os imigrantes e emigrantes.

#O que considerar:

  • A biblioteca  pública é um lugar excelente por sua neutralidade para desenvolver muitos tipos de serviços, deve ser inclusiva;
  • É necessário cooperar com entidades de forma sistematizada e baseada em acordos, convênios, parcerias;
  • A mediação humana é fator básico nas bibliotecas;
  • Os cursos e oficinas  devem ser personalizados sempre conhecendo o perfil dos usuários;
  • Principalmente: Nunca esqueça de avaliar as ações que se desenvolvem para ver e ter evidências da efetividade e do impacto que tem para a sociedade.

O assessoramento pode ser individual ou em grupo, dependendo do espaço físico e dos equipamentos disponíveis. Obviamente nem todas as competências são obrigatória de bibliotecários. Ora, se estamos na era das cooperações, é esse o momento de buscar pessoas e entidades parceiras( setor de informática, de recursos humanos, de empreendedorismo, de capacitação profissionalizante) para colaborar nos projetos que se pretendem executar.

Além de realizar as atividades é preciso divulgá-las e animar a comunidade a participar. Assim, é sempre bom promover palestras, fóruns, debates, encontros profissionais entre empresários e jovens em busca de emprego. É realmente pensar a biblioteca como um espaço interativo e de encontro.

6 sites super legais e gratuitos para criar o seu próprio avatar

Um desenho, uma caricatura, um avatar ou simplesmente VOCÊ animado.

Estive visitando sites e blogs de bibliotecários que já receberam o prêmio Movers & Shakers (algo como Mover e Agitar) que é um prêmio de reconhecimento a líderes empresariais aqueles que fizeram grandes realizações em alguma área e já vinha acompanhando o blog de Gwyneth Jones autora do blog The Daring Librarian  onde ela aparece como uma pessoa dos desenhos animados com óculos de gato-olho e cabelos cor de fogo.

Captura de Tela (31)

The Daring Librarian – captura de imagem do blog de Gwyneth Jones, uma super bibliotecária.

Como fã de história em quadrinhos e tecnologia aplicada na aprendizagem, vira e mexe estou visitando para ler coisas bacanas que ela gosta de compartilhar e lembrei que em algumas situações aparecem amigos pedindo algum avatar para suas campanhas ou montar algum cartaz para algum projeto ou biblioteca em que trabalha.

Tomei como referência o post de Gwyneth e escolhi os meus favoritos (que já os conhecia também) considerando ainda um layout amigável e fácil para você poder criar as suas imagens, e o melhor de tudo: são gratuitos.

1. Studio South Park [Quem me conhece nem se questiona porque esse é o primeiro.]

Transforme-se em um personagem de South Park! Recomendo começar pela pele (skin) e o fundo da imagem (background). Para salvar é só fazer uma captura de dela (printscreen – que normalmente tem no teclado do computador) da tela e depois cortar. Se você usa Apple: Control + Shift + 4.

2. Fábrica de Herois

Transforme-se em um personagem super-herói. Este pode ser útil como como parte de um recurso de narração digital.

3. Bitstrips 

O mais comum e usado por brasileiros, pode ser usado pelo smartphone e acessado pelo facebook. É constantemente atualizado e oferece opção de anexar aos seus emails se você usa conta do Google. Você cria uma vez e ele te dá várias opções diariamente de acordo a sua eleição do seu estado de espírito. Você pode escolher inúmeros estados, criar situações com seus amigos do Facebook que possuem o aplicativo e permite compartilhar direto com diferentes redes sociais.

4. Professor Garfield Laboratório de comics

Permite criar os personagens e as tiras de quadrinhos. Pode salvar em PNG ou JPEG ou ainda imprimir diretamente do site. A falha é que não reconhece os acentos sob as palavras e alguns sinais da escrita portuguesa.

5. Build Your Wild Self

Esse permite salvar e ainda deixar como plano de fundo na sua área de trabalho. Dá pra usar a imaginação e inventar personagens loucos para as histórias criativas. Primeiro, projete seu lado com características humanas e então escolha suas partes de animais favoritos.

6. Boneco de Lego

Esse é divertido e podemos montar bonecos de lego virtual. Para salvar tem que fazer captura de tela no computador.

Captura de Tela (22)

Coisas que ninguém nunca contou a você sobre como o design pode melhorar a sua cidade

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Tive a honra de participar da IX Edição da Conferência CMD: Design e Cidade durante o Festival Internacional de Design aqui em Buenos Aires. Foi uma experiência estética super interessante onde pude conhecer coisas diversas e começar a aprofundar conhecimentos em áreas que pretendo iniciar pesquisas em breve.

Normalmente vemos as cidades de cima por seus planos e mapas mas devemos explorá-las a partir de sua relação entre os serviços e as pessoas. Nota-se uma forte tendência no design emergente em no que denominam “Design Social” onde os valores são orientados ao desenvolvimento, sustentabilidade e altruísmo. E que dessa forma se expande pela capacidade de se aplicar a todo o mix de dimensões culturais que na verdade são construções sociais.

retrato Ezio ManziniSegundo Ezio Manzini (Florencia, Italia), que é atualmente  um dos maiores impulsionadores da mudança sustentável, as cidades são complexos ecossistemas que podem se enriquecer ou empobrecer-se. Quanto mais rico é o ecossistema, mais resiliente é a cidade e vice-versa. Portanto, a resiliência de uma cidade depende majoritariamente da existência de um complexo entramado de comunidades, enraizadas e conectadas horizontalmente (entre elas) e verticalmente (com organizações maiores e instituições públicas).

Mostrou exemplos de projetos práticos na Itália como o Social Street que reforçam a hipótese de que em tempos turbulentos o design pode e deve desempenhar um papel importante em permitir que isso aconteça (co-produzindo condições favoráveis para o surgimento e desenvolvimento comunidades, conectando e criando sistemas mais resilientes, contribuindo de modo significativos para otimizar os resultados), indicando novos rumos para continuar trabalhando.

retrato Leticia CastroTivemos espaço para o Brasil mostrar a que veio. Quem nos representou foi Letícia Castro, diretora executiva do Centro Brasil Design. Fez bonito e mostrou que quando o assunto é competitividade, estamos em constante expansão mesmo com a crise. Embora o design seja  percebido pelos decisores políticos como uma ferramenta para a inovação e a competitividade, a sua aplicação ainda é informal.

Recentemente, ele levou uma importante fazer o diagnóstico do design brasileiro, com o objetivo de ampliar a compreensão desta área e fornecer possíveis maneiras de fortalecer o setor e promover políticas públicas passo design.

Entre as capitais de estados brasileiros Curitiba, que recentemente se tornou parte da Rede de Cidades Criativas da UNESCO (junto com Berlim, Bilbao, Buenos Aires, Helsinki, Turim, Montreal, Nagoya, Pequim, Saint-Etienne, Seoul, Xangai e Shengzen), percebendo a importância do design como uma ferramenta para melhorar a qualidade de vida e estimular o desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental da cidade, e a posição como capital do design brasileiro.

Mostrou uma série de produtos e designers brasileiros que são destaques no último ano e deixou a plateia emocianda e contagiada ao mostrar o case da Melissa One by One.

Esse produto recebeu o prêmio alemão iF DESIGN AWARD 2015. Trata-se de uma proposta de resignificar o calçado, já que um único pé pode ser usado em ambos os pés, o que faz com que a peça seja vendida separadamente. Detalhe: o diretor de Design e Ativista Criativo Melissa, Edson Matsuo, recebeu diversos emails de pessoas que possuem apenas um pé e agora não mais se sentem obrigadas em comprar um par de sapatos. Diga lá se não foi uma boa sacada?!

Gmail inova com opção valiosa: o botão “desfazer envio”.

Configurando Desfazer envio no Gmail

Imagem da tela para configurar a opção: Desfazer envio no Gmail

Alguma vez deve ter ocorrido de mandar um e-mail e esquecer de inserir alguma informação ou equivocar-se em algo e ter que mandar outra vez.

Depois de meses de estudo e perceber que os usuários de contas Gmail sentiam falta dessa opção, Google lançou oficialmente a opção desfazer envio de e-mails.

Na aba Configurações você poderá introduzir definições para a opção em: 5 (cinco), 10 (dez), 20 (vinte) e 30 (trinta) segundos após a entrega. E esse será o tempo que o Gmail irá reter a mensagem antes de enviá-la e assim nos dá tempo de reagir frente alguma situação rara.

No momento a opção está disponível apenas para usuário web mas como a equipe trabalha a todo vapor , muito em breve usuários de telefone e tablet com sistemas iOS e Android.

Via Google App e Updates

Bibliotecas em todo o mundo estão sofrendo cortes orçamentários resultantes da crise econômica

Bibliotecas em todo o mundo estão sofrendo cortes orçamentários resultantes da crise econômica: inversão ou gasto?

investir em tempos de criseAs bibliotecas desempenham um papel fundamental na sociedade, não só como lugares onde um indivíduo pode emprestar livros ou utilizar-se do espaço sem gastar um real por isso.

Me refiro aqui às bibliotecas que fornecem bons serviços à comunidade como os centros culturais ou mesmo as bibliotecas parque, um conceito que surgiu em Medellín, na Colômbia e chegou ao Brasil onde já existem no Rio de Janeiro e São Paulo  e vem ganhando cada vez mais visibilidade devido sua formulação ser  mais ampla do que a tradicional, vai além de ter um acervo literário e de oferecer empréstimos de livros.  A ideia é que esses locais se aproximem de centros culturais, com ampla acessibilidade, a realização de atividades culturais e a promoção de leitura nos mais diversos suportes.

Mas com a crise do que a maioria dos países do mundo têm sido cruz recursos orçamentais notáveis em muitas ocasiões têm desempenhado-se à cultura e bibliotecas onde há livros são comprados, quase não há empregados ou, por exemplo, revistas não estão disponíveis.

É uma realidade comum nas mídias impressas e mesmo nos correios eletrônicos que tenho recebido ultimamente. É fato o recorte nos orçamentos destinados às bibliotecas mesmo em países onde culturalmente elas se apresentam como instituições de alto reconhecimento para a sociedade.

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Em Nova York, já foi decidido dispor uma fatia no orçamento destinado aos serviços direto ao púbico das bibliotecas em mais ou menos U$10 milhões de dólares do total de U$323 milhões (New York Times; 21/04/2015) o restante serve para pagar os funcionários e quase nada sobra para modernizar as instalações dos edifícios e realizar outras manutenções que sejam necessárias.

Comparado ao ano de 2008, já apresenta uma perda de 65 milhões de dólares que deixaram de ser investidos nesses espaços. Isso desenvolveu protestos em frente as instituições porque os cidadãos entendem que o orçamento para tal instituição nunca deveria baixar, mas sim permanecer estável ou aumentar ano após ano. E já começam a mobilizar-se para recuperar dinheiro que possibilite a volta de alguns programas que deixaram de ocorrer desde o referido ano.

Keith Michael Fiels (2011) elaborou um excelente trocadilho em seu artigo “A Library State of the State: trends, issues and myths” quando disse:

“Nós já ouvimos falar da ‘biblioteca sem paredes’ por muitos anos e muitos políticos prontos para acelerar a impressão dessa tendência acabaram criando a ‘biblioteca sem dinheiro”.


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Pensando nisso, a sociedade se organiza. O Movimento Abre Biblioteca que surgiu em Manaus em maio de 2012, inspirado no Marea Amarilla (Maré Amarela), movimento criado em prol da luta pelas Bibliotecas Públicas da Espanha. Encabeçado pelas bibliotecárias Soraia Magalhães, Katty Anne Nunes, eu Thiago Giordano Siqueira, na época ainda estudante de Biblioteconomia  e a design Evany Nascimento decidimos criar uma mobilização para garantir a reabertura da Biblioteca Pública do Estado do Amazonas que se encontrava fechada a 5 anos para reformas.

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Agora, cria-se uma extensão carioca, Movimento Abre Biblioteca Rio para sensibilizar as autoridades e demais responsáveis pelas bibliotecas parque do Estado do Rio de Janeiro sobre a contenção de investimentos que levou as 4 instituições a  limitarem os dias e horários de atendimento ao público. Por conta disso, haverá um Ato público contra os corte na cultura, especialmente nas bibliotecas-parque; Data e horário: 29 de maio de 2015, às 15 horas; Local: Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro, Avenida Presidente Vargas, 126 – Centro.

Aproveito o espaço para divulgar o movimento “Eu Amo Biblioteca, Eu Quero” foi criado pela Federação Brasileira de Associação de Bibliotecário (FEBAB) para mobilizar a sociedade e mostrar que as bibliotecas não são apenas um espaço para guardar livros. As bibliotecas devem ser espaEu-amo-bibliotecasços convidativos e, além de incentivar a leitura, precisam oferecer uma agenda cultural variada com música, cinema, dança, arte, cursos, palestras, oficinas. Nós precisamos de bibliotecas, e devemos exigir bibliotecas de qualidade. É nosso direito como pessoa, como cidadão.

Eu percebo e gostaria que muitos governantes e investidores notassem as bibliotecas como uma fonte de inversão social porque nelas se cresce como pessoas, se constroem cidadãos que precisam de informação. [Não vale dizer que a internet chegou pra democratizar, porque é papo. Nem todos possuem computador em casa, tampouco acesso a internet ou ainda sabem manipular o aparato tecnológico]. 

As bibliotecas não são apenas lugares de estudos ou para empréstimo de livros, há muitos casos em que ela é utilizada para consultar os anúncios de apartamentos, para que os desempregados possam ser orientados de que maneira criar seus currículos e ainda para as crianças recebem aulas gratuitas. Ou seja, elas são essenciais para o desenvolvimento da cultura democrática e são lugares de encontro, debate e convivência para comunidade local.

Uma vez que a sociedade se mobilize e promovam atos a favor das bibliotecas, então a mediocridade dos gestores diminuirá pouco a pouco e começarão a conhecer o valor das bibliotecas, dos profissionais que a constituem e ainda dos milhões de pessoas que a frequentam diariamente e as que ainda estão por conhecer a magia desse lugar.