Servindo imigrantes e refugiados em Bibliotecas Públicas: a marca da ausência

 

 

Mudar de país não é uma tarefa fácil. O processo de imigração é economicamente importante ou nem tanto como tem ocorrido com a recepção dos imigrantes venezuelanos nos Estados de Roraima e Amazonas. O choque de culturas distintas, pode ocasionar atritos.
 

O processo migratório dos venezuelanos possui uma característica particular motivada pela crise política, econômica e social permeia aquele país neste momento. Fazendo que muitos venezuelanos iniciem o êxodo imigratório para outros países em busca de melhor qualidade de vida para suas famílias.

Emerge a necessidade de serviços para os imigrantes , tanto para o trabalho tradicional de bibliotecas – desenvolvimento de coleções em vários idiomas e aulas de português – quanto para serviços que enfocam direitos civis, engajamento cívico e justiça social. A biblioteca pode sim oferecer um espaço seguro e não político para ajudar imigrantes e refugiados a descobrir a melhor forma de se integrar ao Brasil.



Project Welcome (Projeto Bem-vindo) desenvolvido pela Mortenson Center for International Library Programs (Centro Mortenson para Programas de Bibliotecas Internacionais )


De imediato, eles precisam de alguém que fale sua língua quando eles mais precisam de ajuda. A biblioteca pública pode apoiar a organização de uma comunidade que está sendo construída no Estado quanto a geração de recursos. Uma metodologia que achei bem interessante de ser replicada é o Project Welcome (Projeto Bem-vindo) desenvolvido pela Mortenson Center for International Library Programs (Centro Mortenson para Programas de Bibliotecas Internacionais )em parceria com a American Library Association (ALA), para ajudar as bibliotecas que desejam fornecer programas e serviços para imigrantes que vivem em comunidades dos Estados Unidos para atender às necessidades de informação dos refugiados e requerentes de asilo, a fim de apoiá-los e capacitá-los em seu processo de reassentamento e integração.

 

Parceiros e atividades

As organizações sem fins lucrativos e agências municipais para oferecer serviços e responder a perguntas sobre tudo, desde moradia até redação do currículo.

A maioria dos serviços identificados em Bibliotecas que oferecem este tipo de serviço compreende em ajudar pessoas a preencher formulários, mas também oferecem informações sobre direitos à moradia e apoio na abertura de pequenas empreendimentos.

Passo a passo

1. Conhecer os dados demográficos

Quem e quantos são os imigrantes e refugiados em sua comunidade? Em que região estão vivendo?

2. Encontre parceiros internos e externos

Parcerias ajudam a trazer serviços para que sua equipe não precise fornecer tudo.

Estamos conscientes de que em muitos casos faltam espaços para acervos de livros e mesmo há a ausência de bibliotecários. E algumas outras vezes temos os recursos e os subutilizamos.

Apoio para venezuelanos em Manaus

Apesar de não ser uma biblioteca atuando como protagonista é bom saber que em meados de dezembro de 2018 foi inaugurado um Centro de Apoio e Referência a Refugiados e Migrantes (CARE), promovido pela ADRA Brasil Regional Amazonas em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA), a União Europeia e a Prefeitura de Manaus.

Inicialmente são oferecidos serviços de ligações internacionais gratuitas, agendamento para a solicitação de refúgio, atendimentos jurídicos, assistência social, aulas de português e acesso gratuito à internet.

Projeto CARE (Centro de Apoio e Referência a Refugiados e Migrantes)-  Núcleo de Desenvolvimento de Manaus, Av. Maués, n. 120 – Cachoeirinha.

Contato
Fernando Borges – comunicacao.am@adra.org.br +55 92 99329-0087

 

E se efetivamente tivéssemos bibliotecas públicas?

Tive um sonho onde existia um site da Biblioteca Pública do Estado do Amazonas e estava congestionado porque os pais de alunos queriam se registrar e ter um cartão da biblioteca (nem sei se ainda existe o cartão atualmente). Mas por qual motivo? Basicamente para economizar e garantir entretenimento e lazer sem gastar muito mais além dos milhares de impostos que já pagam anualmente.

Carteira de usuário. Biblioteca Pública do Amazonas. Disponível: http://noamazonaseassim.com.br/biblioteca-estadual-do-amazonas/

Certamente se as bibliotecas públicas brasileiras fossem efetiva em cumprir o seu papel bem mais além do empréstimo de livros, elas seriam atrativas às comunidades.

Trabalharemos aqui com a situação hipotética (mas não utópica, porque já há casos aqui no Brasil), onde o cartão de biblioteca oferece acesso gratuito não só a livros, mas também a livros eletrônicos, CDs, DVD e videogames, bem como espaços para artistas que estimulam a criatividade e os computadores que contêm valiosas ferramentas de pesquisa, como bancos de dados e arquivos de revistas e jornais.

Lindo né?! Para aqueles que não têm acesso a computadores em casa, uma biblioteca é um recurso essencial. Este espaço oferece recompensas ricas em desempenho acadêmico e aprendizagem ao longo da vida. Eu acredito e conheço casos concretos presentes no livro Memórias Literárias, organizado pela amiga Prof. Dra. Evany Nascimento um livro de relatos dos alunos e as relações e as experiências que os indivíduos possuem com o livro, com a literatura e as bibliotecas desde os primeiros livros que leram até a chegada na universidade.

memórias literárias.jpg

Pensar a biblioteca como um espaço de convivência, proporcionado eventos que vão desde momentos como a contação de histórias para bebês, ou histórias musicalizadas, bate-papo informativo, oficinas e cursos. Atividades que proporcionem desenvolver  talentos, habilidades ou interesses especiais.

Seria bem interessante oferecer incentivos, como ocorre com os clubes e associações onde poderiam oferecer brindes como sacolas e livros para os usuários assíduos ou aos novos membros. As empresas locais poderiam propor parcerias com as bibliotecas, oferecendo recompensas como descontos aos que mostram o cartão da biblioteca.

Realmente as bibliotecas podem ajudar a economizar uma grana ao fim do mês. Eu, por exemplo, poderia emprestar em vez de comprar um livro ou um joguinho novo. Imagina, quanto nós poderíamos economizar durante o ano?

O primeiro passo é aceitar que a biblioteca não é lugar apenas para livros. O segundo passo é ver o interesse dos atores: governo, gestores e bibliotecários em promover esses tipos de ações. O terceiro, é a comunidade compreender que ela faz parte, e esses locais são construídos para ela, portanto, devem ocupá-los, fazer o bom uso.

 

Política de comentários:

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As oportunidades estão na biblioteca pública: apoio a pessoas sem emprego e ao emprendedorismo

As bibliotecas públicas devem recuperar a sua missão social e se concentrar em ajudar os grupos mais desfavorecidos.

Alemanha, Brasil, Espanha, Estados Unidos são países onde já é possível encontrar serviços bibliotecários orientados a pessoas que estão buscando emprego ou ainda aos empreendedores e autônomos, especialmente aos jovens quando o objetivo é oferecer recursos e ferramentas para ajudá-los e apoiá-los a enfrentar o mercado de trabalho cada vez mais competitivo e em busca de pessoas criativas e capacidades inovadoras.

Trata-se de uma questão cultural que está por detrás dos indicadores sociais do desemprego e então a biblioteca ressurge com destaque e mostra o seu papel efetivo como uma instituição agente que pode e deve contribuir para a coesão social.

Depois de ler algumas coisas em fóruns da internet, resolvi escrever um post como sugestão inspiradora aos colegas bibliotecários que gostam e desejam pensar a biblioteca “fora da caixa”, assim que fica o registro como uma maneira de estimular profissionais de bibliotecas a criar e empreender ações sustentáveis para ampliar o protagonismo da biblioteca na sua comunidade.

#O que se observa e que pode ser feito a partir das páginas web ou blog das bibliotecas públicas ou dos terminais de consulta:

  • Serviço de recompilação documental sobre notícias e informações relevantes sobre oportunidades de trabalho e capacitação;
  • Organizar um espaço onde a informação esteja classificada em: orientação; profissões; encontrar um emprego; vida profissional; concursos públicos.

#Nos espaços físicos podem ser organizados diferentes cursos, oficinas e palestras para:

  • A descoberta profissional – conhecendo profissões;
  • Capacitação – divulgação e realização de cursos de curta duração e com saída laboral;
  • Conhecimento e utilização de ferramentas e recursos para busca de emprego;
  • Conhecimento de empreendedorismo e mundo do trabalho;
  • Assessoria para criar plano de negócios, educação financeira;
  • Modelagem de negócios;
  • Iniciação as start-ups;

Seria interessante que as bibliotecas públicas brasileiras possuíssem um espaço ou serviço sobre informação e emprego, considerando ainda as necessidades de informação especializadas para os imigrantes e emigrantes.

#O que considerar:

  • A biblioteca  pública é um lugar excelente por sua neutralidade para desenvolver muitos tipos de serviços, deve ser inclusiva;
  • É necessário cooperar com entidades de forma sistematizada e baseada em acordos, convênios, parcerias;
  • A mediação humana é fator básico nas bibliotecas;
  • Os cursos e oficinas  devem ser personalizados sempre conhecendo o perfil dos usuários;
  • Principalmente: Nunca esqueça de avaliar as ações que se desenvolvem para ver e ter evidências da efetividade e do impacto que tem para a sociedade.

O assessoramento pode ser individual ou em grupo, dependendo do espaço físico e dos equipamentos disponíveis. Obviamente nem todas as competências são obrigatória de bibliotecários. Ora, se estamos na era das cooperações, é esse o momento de buscar pessoas e entidades parceiras( setor de informática, de recursos humanos, de empreendedorismo, de capacitação profissionalizante) para colaborar nos projetos que se pretendem executar.

Além de realizar as atividades é preciso divulgá-las e animar a comunidade a participar. Assim, é sempre bom promover palestras, fóruns, debates, encontros profissionais entre empresários e jovens em busca de emprego. É realmente pensar a biblioteca como um espaço interativo e de encontro.