Você trabalha em biblioteca escolar? Conheça o “Leitômetro”, uma proposta para estimular a leitura dos usuários de forma divertida.

 

 

 

Certamente a biblioteca escolar pode expandir sua atuação e ir para as sala de aula, transformando o espaço de ensino e aprendizagem ainda mais alegre e motivador. Esta ação favorece a aproximação dos alunos leitores (e dos não leitores também). Você, colega bibliotecário, poderá promover esta ação no próprio espaço da biblioteca ou em parceria com os professores.

Esta atividade pode ser recomendada para as séries iniciais, especialmente escolas com séries iniciais.

Como realizar a atividade

  1. Primeiramente, certifique-se de selecionar livros que sejam suficientemente atrativos e simples para estimular que sigam lendo: histórias, livros de enigmas e poesia, quadrinhos, enciclopédias para crianças, etc.
  2. Peça ao professor que identifique um canto na sala e que esteja arcado com cartaz alusivo ao leitômetro.
  3. Um dia por semana será estabelecido para a mudança de livro com cartaz informativo e visível colocado nesse espaço.
  4. Os empréstimos de livros semanais serão feitos para os alunos lerem em casa. Mas ainda pode ser solicitado ao professor que permita aos alunos realizarem a leitura em seu tempo livre na sala de aula, uma vez que tenham terminado o dever de casa.
  5. Cada aluno manterá um registro dos livros lidos em seu cadastro individual de usuário da biblioteca além do registro no leitômetro ou  para gamificar mais ainda, pode ser feito o passaporte da leitura.
  6. Cada aluno recebeu o seu Passaporte da Leitura, coloca a sua foto e seus dados pessoais na folha de identificação e recebem seus vistos de viagens pelo mundo da leitura e imaginação sempre que finalizar uma leitura.
  7. Pode ser coordenado com o professor o pedido aos alunos, que em algum dia da semana possam contar oralmente o conteúdo e/ou expressar sua opinião obre o livro, usando algum tipo de código (exemplo: estrelinhas).
  8. Como incentivo, a biblioteca poderá emitir ” diplomas para os melhores leitores” por bimestre, semestre ou conforme o projeto pedagógico.

file  Clique aqui para baixar e imprimir os materiais de apoio da atividade proposta

file Aqui tem os cartazes com as normas do leitômetro

Lembrando que aqui são sugestões, vocês podem e devem adaptar à realidade na qual atuam. Espero que possam por em prática. Eu ficaria muito contente em saber se puderam executar ou se já executam. Comentem e podem enviar fotos para o meu e-mail também.

 

Política de comentários:

  1. Seja respeitoso e não ataque o autor, as pessoas mencionadas no artigo ou outros comentaristas. Aceite a ideia, não o mensageiro.
  2. Não use linguagem obscena, profana ou vulgar.
  3. Foque na questão. Os comentários que se desviarem do tópico em questão podem ser excluídos.
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Conselhos de branding para bibliotecários: dicas para criar a sua marca pessoal

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Que o marketing se aplica a todos os lugares, isto ninguém duvida. Inclusive para nós como bibliotecários, ele pode ser muito útil para nos projetarmos no mercado de trabalho. Pensando nisto, hoje trago algumas ideias sobre uma ação de marketing que pode ser utilizada a nosso favor, o branding: uma ação de marketing. Segundo os profissionais do marketing, o brand/branding seria:

Uma marca ou brand é a percepção dos consumidores sobre um produto, serviço, experiência ou organização.

É possível que já tenhamos nos deparados com algumas das situações a seguir:

  1.  O mercado de trabalho ainda não sabe quem eu sou ou o que eu faço;
  2.  Ingressei no mercado de trabalho, mas ainda não possuo um posicionamento concreto dentro dele e tenho a sensação de estar “perdido” na carreira;
  3. Conheço o meu potencial e habilidades, mas ainda não aprendi a mostrar para o mercado como sou diferente dos demais profissionais na minha área.

“Quem não é visto,não é lembrado” (ditado popular)

Estou certo? Isto tem a ver com branding que é um sistema de comunicação que deixa claro porque a marca (eu) importo e fazer com que um potencial consumidor me perceba enquanto profissional como a única solução para o que ele busca e principalmente atrair esses consumidores para mim. Note: tem a ver com percepção. Lembram daquele ditado “Quem não é visto,não é lembrado”? Faz muito sentido aqui. Pensando nisto, sugiro que mostrem o seu valor como profissional bibliotecário. Mas é preciso que você não se esconda dentro de uma biblioteca ou atrás do balcão de referência. Considere investir tempo (E talvez algum recurso) para criar a sua presença digital, o seu desenvolvimento pessoal e sua rede de relacionamentos.

As três facetas da marca pessoal do bibliotecário são o nível de educação, competências e interesses. O gráfico a seguir ilustra a importância dessas três facetas essenciais na modelagem das características do bibliotecário como uma profissão significativa para os usuários e para a sociedade.

Quadro branding pessoal para bibliotecários

Fonte: Adaptado de BAHARUDDIN; KASSIM (2014)

amor-pela-biblioteconomia2
O amor é um elemento importante nesta equação de marca pessoal. É sobre estar
amando a si mesmo … amando os outros e amando o que faz. ” (RAMPARSAD, 2008, p.34, tradução nossa)

 

Como criar a sua marca? Que conselho de branding você sugere? 

 

Quem é você?

Primeiro, pense em como você quer ser percebido e onde você quer ir com sua carreira. Eu acredito e o que gosto de vender é: “Eu sou bibliotecário e sou a pessoa que sabe onde está a informação”. Podemos criar um estereótipo positivo, com algumas personalizações. Pense em que você pode ser útil ao outro. Quais são as habilidades que você tem e que pode contribuir para solucionar o problema do próximo.

Tenha boas ideias e atitudes positivas

Faça o que você é bom! Não adianta querer fazer isto ou aquilo pensando apenas na rentabilidade da coisa. Concentre-se em seus talentos e no que você gosta. Só é feliz quem faz o que gosta.  O sucesso de sua marca pessoal expressa seus pontos fortes. Invista em potencializá-lo, estimule criação de novas ideias a partir do pensamento e atitude positiva. Você atrairá muita coisa boa.

Seja foda no que você faz

Normalmente é usada a expressão: “seja bom no que faz” mas não teria a mesma expressividade que quero neste momento. Está intimamente ligado ao tópico anterior. Isto poque se você segue investindo em aperfeiçoamento profissional, com o passar do tempo, à medida que apresenta excelente trabalho,  ganhará uma reputação por fornecer um excelente serviço, a notícia se espalhará e essa boa reputação encorajará outros a buscar por você e a usar os seus serviços.

Conheça o seu público

Você é visto por públicos distintos e que podem ter mensagens diferentes de como você se apresenta. Normalmente minha marca como bibliotecário será reconhecida e usada por estudantes, instrutores, pesquisadores, docentes, colegas, gestores de biblioteca e talvez outras pessoas.  Não seja uma boa ideia mostrar um rosto diferente para cada público, no entanto, considere adequar a mensagem que você deseja enviar a cada grupo e como essas mensagens podem se complementar. 

Cuide da sua apresentação pessoal

O aumento de sua confiança é o que a marca pessoal pode fazer. No trabalho, eles são a marca e sua aparência é o seu logotipo pessoal. Além disso, a marca pessoal pode aumentar a visibilidade do bibliotecário. Para aumentar sua visibilidade, experimente usar algo com cores vivas.

Tenha um Site/Blog/Portfólio

Construa relacionamentos virtuais. Para ser visto e  “recuperável” pelo Google. Possíveis empregadores irão pesquisar lá.  É mais prático buscar na internet referências sobre o que buscamos. Se temos um bom posicionamento online fica fácil despertar interesse para que nos busquem pra  conversar e  encontramos pessoalmente. Considere criar um perfil no Linkedin, um site, blog, instagram profissional e informe o que você pode fazer.

Pesquise por si mesmo no Google com frequência

No modo anônimo (ou como visitante, dependendo do seu navegador) busque pelo seu nome e veja se você aparece e como aparece. Ora, se não aparece nada, pode ser preocupante pois se eu não possuo meu nome no Google, estou perdendo oportunidades. Os dias das primeiras impressões que começam com um aperto de mão acabaram e agora a pesquisa do Google costuma ser o primeiro lugar em que as pessoas procuram informações publicadas sobre você. Leia mais ou busque ajuda profissional para orientá-lo quanto ao Search Engine Optimization (Otimização para mecanismos de busca).

Seja oferecido!

Não menospreze o trabalho voluntário. Nele, embora não seja uma parceria que envolva troca financeira, pode ser uma porta para futuros clientes e ainda para aumentar sua rede de contatos. Se ofereça para fazer palestras, treinamentos, organizar acervos pequenos de igrejas, associações de bairro, etc.

Se você está formado há algum tempo e não consegue se inserir no mercado de trabalho, crie a oportunidade. Seja através de empreendedorismo, ou quem sabe desenvolvendo um trabalho voluntário, ou ganhando um pouco menos, pode ser altamente estratégico –  pense a longo prazo.

Lembre-se duas coisas: 1)As vezes é preciso perder para ganhar. 2) Estabelecer uma reputação consistente não acontece rapidamente. Logo, você precisa estar fazendo suas próprias oportunidades.


gratidão ao universo - bibliotecário - manaus

Quando os bibliotecários não parecem proativos, eles inadvertidamente retratam uma imagem que pode prejudicar sua própria capacidade de relevância. Na pior das hipóteses, um bibliotecário de referência passivo ou conservador pode ser visto como aquele que desempenha pouco mais que os deveres administrativos. Ou ainda uma considerado exigente e ligado a regras. Certamente não é isso que queremos, não é mesmo? Então seguindo o estilo de vida da colega, também bibliotecária Katty Anne Nunes “Thi, fala para o universo que ele te devolve”. Vamos mentalizar o estereótipo com efeito positivo (E que já existe na mente de algumas pessoas):

 Bibliotecários também são prestativos, atenciosos e inteligentes.

 

Espero que as dicas tenham sido válidas a vocês e que possam aplicá-las para a construção da marca pessoal como profissional.  Estejam certos de que esta é uma tentativa  importante de gerenciar ou controlar o que as pessoas pensam de nós bibliotecários e ampliar os traços positivos. Mando boas vibrações a vocês. Se quiserem compartilhar a experiência pessoal de vocês, deixe seu comentário. Ficarei contente em ler e trocar ideias.

 

Referências
RAMPERSAD, Hubert K.. A new blueprint for authentic and successful personal branding. Performance Improvement, Estados Unidos da América, v. 6, n. 47, p.34-37, 11 abr. 2008. Disponível em: <https://doi.org/10.1002/pfi.20007&gt;. Acesso em: 04 abr. 2018.
BAHARUDDIN, Mohammad Fazli; KASSIM, Norliya Ahmad. Conceptualizing Personal Branding for Librarians. In: VISION 2020: SUSTAINABLE GROWTH, ECONOMIC DEVELOPMENT, AND GLOBAL COMPETITIVENESS, 23., 2014, Valencia (Espanha). Conference Paper. Valencia (Espanha): Ibma, 2015. p. 38 – 44. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/281481121&gt;. Acesso em: 04 abr. 2018.

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Um rápido resumo para você saber o que aconteceu no XX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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O 20º Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), que aconteceu em Salvador/BA de 15 a 20 de Abril, contou com a presença de inúmeros profissionais que estiveram ali para discutir  e debater sobre sobre o tema “O Futuro da Biblioteca Universitária na perspectiva do Ensino, Inovação, Criação, Pesquisa e Extensão”. 

Este evento se consolidou há quatro décadas (1978) como referencial na temática e ocorre a cada dois anos e possibilita o intercâmbio de conhecimento e aproximação de profissionais dos diversos estados do Brasil. Senti falta de espaços formais para o debate, e isto mostra que o método de disseminação 1 para muitos não é mais  tão efetivo nos dias de hoje. Nota-se a necessidade de repensar a metodologia deste Seminário e inserir metodologia dialógica na dinâmica dos trabalhos.

A seguir, algumas considerações (muito  pessoais) sobre o XX SNBU:

  1. A possibilidade de reencontrar amigos e conhecer gente nova nos corredores e durante os almoços foi extremamente sensacional para aprender coisas novas, saber o que estão desenvolvendo em suas instituições e estabelecer projetos futuros. Destaco isto porque houve muitos trabalhos com enfoque demasiado acadêmico e teórico;repositório
  2. Resumo do congresso e o futuro da Biblioteconomia em uma palavra: repositórios. Aspectos de digitalização e gestão das coleções digitais (sobretudo sobre o autoarquivamento). O que é bom, está ficando uma prática consolidada e podemos perceber quais os pontos fortes e as debilidades para a implantação nas instituições. Cada um com a sua particularidade, obviamente e todos aprendendo coletivamente;bia-foto-PUC-RIO-bibliotecária-virtual
  3. Outro aspecto bastante apresentado foi as tecnologias mediando os serviços. Aplicação de ferramentas que auxiliam o serviço de referência virtual. Esta parte acompanhei mais de perto sobretudo porque é algo que me encanta: o uso de mídias sociais em bibliotecas não apenas como um mural informativo mas como serviço. Teve ainda aplicações de  chatbot para o auxílio de dúvidas sobre as normas da ABNT e  e a assistente virtual BIA – Bibliotecária Interativa Automazida das Bibliotecas da PUC-Riobibliotecário-educador
  4. Bibliotecários como educadores e colaboradores para fomentar a competência em pesquisa. Nisto, considera-se as bibliotecas como espaço para descobrir, usar e criar coisas. Facilitando o acesso às diversas fontes internas e externas de informação disponíveis.
  5. A Agenda 2030 é o foco do momento, com os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas 169 metas que compreendem os aspectos econômico, social e ambiental. Nós bibliotecários nos enquadramos perfeitamente no objetivo 16.10 que é referente à capacidade de usar a informação e pensar em aspectos de preservação da mesma para ser acessada no futuro. E nisto se aplica pensar e promover conteúdos acessíveis para que ocorra de fato a democratização do acesso a informação que ainda deixa muitos à margem, logo, acessibilidade não deve ser resumida à adequação do espaço físico mas considerar materiais assistivos.objetivos_agenda2030-port
  6. Bibliotecários amam brides e disputam loucamente por eles. A estratégia dos estandes funcionaram bem, sobretudo para o sorteio de ursinhos, o destaque da vez foi famoso ursinho Bê da Biccateca que causou euforia nos que estavam presentes. benosnbu.png

 

Estas foram as percepções, isto posto é muito importante entender que as bibliotecas universitárias precisam ser formadas por equipes multidisciplinares para que possam desbravar as opções que têm potencial para desenvolver, reinventando-se constantemente. Inovando enquanto serviços dinâmicos e não mais focada no espaço físico.

 

 

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Implementação e fortalecimento da biblioteca escolar. Pela qualidade educacional. Orientações gerais

A biblioteca escolar tornou-se o ambiente educacional onde leitura, escrita, oralidade, mídia e tecnologias de informação e comunicação ganham vida através de práticas pedagógicas, projetadas, conduzidas e encorajadas por professores bibliotecários*. Tendo em conta este princípio, é a biblioteca da escola um aliado transcendente das políticas de qualidade da educação, que é por isso que é esperado que até 2018, pelo menos 40% dos estabelecimentos de ensino que prestam serviços para níveis de ensino, conte com ela Para alcançar este objetivo, o Plano Nacional de Leitura e Escrita, Ministério da Educação Nacional da Colômbia, apresenta este documento, diretrizes gerais para a implementação, consolidação e fortalecimento da biblioteca escolar, sob uma visão flexível.

Esta publicação tem como objetivo descrever as possibilidades e modelos desses cenários educacionais e propõe linhas, a partir de uma perspectiva flexível, adaptável a todas as realidades. É, ao mesmo tempo, um convite para decidir e projetar, ou avançar, no processo de constituição, consolidação e melhoria contínua das bibliotecas escolares. Sua implementação é uma decisão autônoma, mas apenas aqueles que sabem sobre seu impacto na aprendizagem, sobre a ressignificação da leitura pelos alunos, sobre o aprendizado de novas formas, meios e formas de acessar informações, o que é essencial para consolidar esse cenário pedagógico na instituição de ensino.

*Professor bibliotecário – é uma designação comum na Argentina, Colômbia, Portugal e Venezuela. Acredito que no Brasil, seria um bibliotecário que atua ou que tenha especialização em biblioteca escolar. Os professores bibliotecários asseguram na escola, o funcionamento e gestão das bibliotecas, as atividades de articulação com o currículo, de desenvolvimento das literacias e de formação de leitores.

Universo Abierto

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Implementación y fortalecimiento de la biblioteca escolar. Por la calidad educativa. Orientaciones generales. [e-Book]  Bogotá, Ministerio de Educación de Colombia, 2016

Texto completo

La biblioteca escolar se ha convertido en el escenario educativo donde la lectura, la escritura, la oralidad, los medios y las tecnologías de la información y la comunicación toman vida a través de prácticas pedagógicas, diseñadas, lideradas y dinamizadas por los docentes bibliotecarios. Teniendo en cuenta este principio, es la biblioteca escolar una aliada trascendente de las políticas de calidad educativa, motivo por el cual se espera que para el año 2018, al menos el 40% de los establecimientos educativos que prestan sus servicios por grados y niveles, cuenten con ella. Para lograr este propósito, el Plan Nacional de Lectura y Escritura, Ministerio de Educación Nacional de Colombia,  presenta este documento, orientaciones generales para la implementación, consolidación y fortalecimiento de la biblioteca escolar, bajo una mirada…

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3 motivos pelos quais a universalização da biblioteca escolar não está funcionando

Proposta de biblioteca escolar

PROPUESTA – biblioteca escolar. Fotografia de Carolina Bacigalupe. 2007. 1 fotografia, color. Disponível em: . Acesso em: 02 abr. 2018.

2020 está chegando e com ele esperamos que os gestores públicos se sensibilizem com a causa. Estou falando: da lei 12.244/2010 que dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País. Um aspecto que tem chamado a atenção é o fato de que esta lei determina um prazo de dez anos para que as escolas se adequem as exigências, mas não relatam o que irá acontecer a quem ignorar tais determinações. Afinal de contas, faltam apenas dois anos.

Art. 2o  Para os fins desta Lei, considera-se biblioteca escolar a coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura.

Segundo Bernadete Campello (2012) a publicação da Lei n. 12.244/2010 foi resultado de um esforço da classe bibliotecária que, há longo tempo, vem denunciando a falta de bibliotecas nas escolas e a precariedade das poucas que existem, situação comprovada por diversos estudos.

No entanto, nota-se que a lei não assume o conceito de biblioteca escolar aceito pela comunidade acadêmica e pelas organizações que se preocupam com o caráter educativo da biblioteca como espaço de aprendizagem. Particularmente, gosto muito do que diz as Diretrizes da Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) para a Biblioteca Escolar porque ela é mais abrangente que a lei, pois nos apresenta a ideia do espaço cuja organização e funcionamento precisam ser entendidos,  mas sobretudo deve ser um espaço que precisa ser apreciado.

Biblioteca escolar é “um espaço de aprendizagem físico e digital, onde a leitura, o questionamento, a pesquisa, o pensamento, a imaginação e a criatividade são centrais para conduzir o estudante na sua trajetória da informação para o conhecimento, em direção ao seu crescimento pessoal, social e cultural (IFLA School
Library Guidelines, 2015, p. 16).

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Cover Art Archive: um imenso arquivo on-line de capas de discos

Internet Archive Cover Art 01

O projeto Cover Art Archive visa disponibilizar imagens de capas de álbuns e singles ao público “de uma forma organizada e conveniente”. Iniciativa do site de metadados de música MusicBrainz e o arquivo de conteúdo online Internet Archive.

Acesso em: https://archive.org/details/coverartarchive&tab=collection

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E se efetivamente tivéssemos bibliotecas públicas?

Tive um sonho onde existia um site da Biblioteca Pública do Estado do Amazonas e estava congestionado porque os pais de alunos queriam se registrar e ter um cartão da biblioteca (nem sei se ainda existe o cartão atualmente). Mas por qual motivo? Basicamente para economizar e garantir entretenimento e lazer sem gastar muito mais além dos milhares de impostos que já pagam anualmente.

Carteira de usuário. Biblioteca Pública do Amazonas. Disponível: http://noamazonaseassim.com.br/biblioteca-estadual-do-amazonas/

Certamente se as bibliotecas públicas brasileiras fossem efetiva em cumprir o seu papel bem mais além do empréstimo de livros, elas seriam atrativas às comunidades.

Trabalharemos aqui com a situação hipotética (mas não utópica, porque já há casos aqui no Brasil), onde o cartão de biblioteca oferece acesso gratuito não só a livros, mas também a livros eletrônicos, CDs, DVD e videogames, bem como espaços para artistas que estimulam a criatividade e os computadores que contêm valiosas ferramentas de pesquisa, como bancos de dados e arquivos de revistas e jornais.

Lindo né?! Para aqueles que não têm acesso a computadores em casa, uma biblioteca é um recurso essencial. Este espaço oferece recompensas ricas em desempenho acadêmico e aprendizagem ao longo da vida. Eu acredito e conheço casos concretos presentes no livro Memórias Literárias, organizado pela amiga Prof. Dra. Evany Nascimento um livro de relatos dos alunos e as relações e as experiências que os indivíduos possuem com o livro, com a literatura e as bibliotecas desde os primeiros livros que leram até a chegada na universidade.

memórias literárias.jpg

Pensar a biblioteca como um espaço de convivência, proporcionado eventos que vão desde momentos como a contação de histórias para bebês, ou histórias musicalizadas, bate-papo informativo, oficinas e cursos. Atividades que proporcionem desenvolver  talentos, habilidades ou interesses especiais.

Seria bem interessante oferecer incentivos, como ocorre com os clubes e associações onde poderiam oferecer brindes como sacolas e livros para os usuários assíduos ou aos novos membros. As empresas locais poderiam propor parcerias com as bibliotecas, oferecendo recompensas como descontos aos que mostram o cartão da biblioteca.

Realmente as bibliotecas podem ajudar a economizar uma grana ao fim do mês. Eu, por exemplo, poderia emprestar em vez de comprar um livro ou um joguinho novo. Imagina, quanto nós poderíamos economizar durante o ano?

O primeiro passo é aceitar que a biblioteca não é lugar apenas para livros. O segundo passo é ver o interesse dos atores: governo, gestores e bibliotecários em promover esses tipos de ações. O terceiro, é a comunidade compreender que ela faz parte, e esses locais são construídos para ela, portanto, devem ocupá-los, fazer o bom uso.

 

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Coisas surpreendentes que você pode encontrar nas bibliotecas

freelibrary1.jpg

Como sempre digo, a ideia antiga de biblioteca como espaço para guarda e empréstimo de livro já não se adequa mais a nova necessidade das pessoas e fico feliz quando encontro cases interessantes. Dessa vez, lhes apresento a  Biblioteca Livre de Fayetteville (FFL) em Nova Iorque, Estados Unidos.

Com a  missão é “proporcionar acesso livre e aberto a idéias e informações” a FFL cria e sustenta esse acesso com a visão e com um propósito simples mas bem definido.

E portanto, orienta suas ações por meio da criação de um acesso igual e aberto para que os indivíduos de ponta tecnologia, oportunidades de aprendizagem únicas e inovadoras capazes de gerar poderosas ideias por meio das próprias pessoas da comunidades que pensem maneiras de transformar suas próprias vidas.

Por oferecer  programas inovadores, serviços, espaços e coleções, é conhecida por muitos apaixonados pelas bibliotecas em todo o mundo. Foi nomeada uma   Biblioteca  Estrela da América pelo prêmio da Library Journal  por seis anos, e é a casa da  primeira biblioteca Makerspace  nos Estados Unidos.

O discurso e as ações efetivas como capacitações, palestras e visitas técnicas com foco em inovação é possível devido a realização de parcerias com as indústrias e outros espaços fora da biblioteca, e influenciou bibliotecas e ações biblioteconômicas em escalas locais, nacionais e internacionais. Como o oferecimento de  cursos Hands on (expressão do tipo “mão na massa” ou “aprender fazendo”) com recursos para  apoiar o desenvolvimento das habilidades de crianças e adolescentes da comunidade. A seguir, apresento a lista de como estão planejados:

Programas de aprendizagem e desenvolvimento de habilidades em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática

Oferecem clubes e programas pós-escola (algo como atividade de reforço ou extra-classe), tais como:

  • Tinker Tots/ Brinquedos de funilaria: Crianças de 2-6 anos. Exploram um tema por mês e têm oportunidades para aprender, explorar e inventar através do jogo de aprender relacionados.
  • Little makers/Pequenos costrutores: Para crianças de 5-8 anos. Facilitam o desenvolvimento do pensamento crítico, por meio da resolução de problemas explorando habilidades por meio do reforço do ensino de matemática e ciências.
  • Lego Brainstorms: Para estudantes de 3 a 5 série (8 a 10 anos). Uma introdução ao LEGO através de desafios de programação robótica seguido de uma missão.
  • Creation Club Jr./Clube de Criação Jr:. Para estudantes de 3 a 5 série (8 a 10 anos) aprenderem a criar e editar vídeos, podcasts, imagens, modelos 3D e muito mais.
  • Coding Club/Codificação Club: Para estudantes de 3 a 6 série (8 a 12 anos) aprenderem a criar seus próprios jogos, websites e mais usando Code.org, Scratch e outros recursos.
  • Geek Girl Camp/ Acampamento de meninas geek: Uma oportunidade de uma semana para as meninas de 3 a 5 série (8 a 10 anos) ficarem encantadas por assuntos geek,  isso inclui quadrinhos, livros, tecnologia, etc. Com muita diversão, fazem projetos e se inspiraram com mulheres nas área de Ciência e Tecnologia.
  • Minecraft and Coding/ Minecraft e Codificação: Este programa é para adolescentes na 6 ª série (12 anos) com interesse em aprender como codificar para Minecraft com o recurso Forge.
  • Mission Lego/Missão Lego: Orientado para estudantes de 5 a 8 série (10 a 14 anos) possam aprender a construir e programar robôs LEGO  e então completar missões específicas.
  • Teens Make/ Adolescentes fazem: Um programa de formação em artesanato e manualidades para adolescentes, com projetos diferentes a cada semana.
  • 3D Printer Certification/ Certificação Impressora 3D: Introdução a impressão 3D. Depois de certificado, o usuário pode entrar e imprimir as coisas que projetou.
  • 3D Design Classes/ Classes de design em  3D: adolescentes com mais de 12 anos e também adultos podem aprender a projetar  objetos 3D usando software como o SketchUp e Solidworks.

 

As bibliotecas humanas onde se consultam pessoas em vez de livros

biblioteca humana

Biblioteca humana: pessoas reais, conversas reais.

É certo que nos últimos anos as bibliotecas vem apresentando mudanças significantes e isso não  se evidencia apenas com a tendência no desaparecimento dos catálogos em fichas impressas. O entendimento de biblioteca como um lugar cheio de livros onde pode acessar a informação está obsoleto e insisto em afirmar, o conceito de biblioteca que encontramos nos dicionários já não mais se aplicam por não ser suficiente.

Em postagens anteriores já falei da diversidade de coleções e coisas que podem ser encontradas no espaço de bibliotecas, como o  empréstimo de ferramentas de trabalho e de utensílios de cozinha.

O surgimento da ideia

biblioteca humana é uma experiência que iniciou com a ONG por jovens idealistas, denominada de “Stop the Violence” na  cidade dinamarquesa de Copenhaguem no ano 2000, dentro do Festival Roskilde ‒um dos  maiores festivais de verão na Europa. E desde esse primeiro momento a ideia já tinha o foco na anti-violência, encorajar o diálogo e ajudar a construir relações positivas  de tolerância e compreensão entre os visitantes do festival.

Naquele momento havia na Dinamarca uma grande concentração de pessoas de diferentes culturas, religiões, raças e então a população daquela região tinha um sentimento de invasão.

Em oposição a esta crença, deu-se forma à biblioteca humana, uma plataforma para promover o diálogo entre as pessoas que normalmente nunca falam, possibilitando, de certo modo o questionamento aos preconceitos e estereótipos, e contribuindo para o reforço da coesão social.

Atualmente a biblioteca funciona como projetos e permite que algumas ONGs ou pessoas utilizem a marca para realização de eventos com o nome Library Human em diferentes partes do mundo.

A coleção da biblioteca

Os  materiais consultivos porque não há como comparar aos livros numa Biblioteca Humana são pessoas reais, voluntárias, capazes de comunicar a sua realidade pessoal. A modo ilustrativo, é possível estabelecer contato com pessoas que foram vítimas de discriminação ou exclusão social e que estão disponíveis para se encontrar, num ambiente aberto, acolhedor e seguro, com um ou mais “leitores” interessados.

livros da biblioeca humana

No catálogo da própria biblioteca é possível identificar algumas “Pessoas informantes” denominados “Livros” pela instituição. Entre eles temos:

  • Transtorno bipolar
  • Vivendo com HIV
  • Refugiados
  • Mães solteiras
  • Abuso sexual
  • Naturistas
  • Relações poliamor
  • Surdos
  • Cegos
  • Desemprego
  • Lesão cerebral
  • Transtorno de estresse pós-traumático em soldados
  • Déficit de atenção / hiperatividade (TDAH/DDA)
  • Modificação extrema no corpo
  • Sem teto
  • Conversão religiosa

Metodologia da consulta

  • É um método planejado para promover o diálogo, reduzir preconceitos e estimular a compreensão.
  • Os encontros são uma oportunidade para a aprendizagem, tendo um papel importante na sensibilização sobre a importância dos direitos humanos para o bem-estar pessoal de todos.
  • Após escolher um tópico sobre o qual querem escutar, os “leitores” pegam no seu cartão de biblioteca e são conduzidos a uma área de discussão, onde conhecem os seus “livros”.
  • É riqueza está na possibilidade de questionar, tirar dúvidas: tornando a experiência engrandecedor para ambas as partes.

 

Bibliotecas em contextos indígenas

Educação indígena

Fotografia de Silvino Santos . Manaus: [1925].

De acordo com os dados mais recentes, existem no Brasil, 206 etnias distintas, cujo contingente populacional é constituído de aproximadamente 270.000 pessoas, o que em outras palavras significa, 0,2% da população nacional. Das 180 línguas existentes, mais de 60 são falados no Amazonas, sendo que muitas delas são exclusivas da região e dos países limítrofes (casos da língua Yanomami, Tukano, Waimiri Atroari etc).

No Amazonas, são 62 etnias diferentes, constituídas de aproximadamente 87.000 pessoas, as quais devem ser computados 12 grupos isolados (a maior parte na região do Vale do Rio Javari) e 52 “Terras Indígenas” sobre as quais não se tem registro, afora aqueles habitantes das três sedes municipais (os desaldeados), inclusive a capital, Manaus. Os 86.000 conhecidos ocupam 171 “Terras Indígenas”, que juntas compõem uma área de aproximadamente 28.190.262 hectares, o que equivale a mais ou menos 1/3 de todas as terras indígenas do País.

Então me questionei sobre a existência de bibliotecas em comunidades indígenas. Pensando no difícil acesso ás comunidades ribeirinhas e mesmo em como se dá a dinâmica de registro e salvaguarda das informações e do conhecimento produzido por esses povos. Sei que ocorre um processo de “democratização” maquiada uma vez que infiltram tais comunidades, se criam documentos, algumas vezes sem o cuidado de gerar relatórios que possibilitem a devolução em língua nativa e apresentam bibliotecas virtuais como se houvesse suficiente tecnologia e conexão a internet nestas. Ou seja, tem utilidade apenas como nova ferramenta de apoio à pesquisa, tornando o acesso mais ágil e eficaz às informações sobre as ações do indigenismo brasileiro.

Por sorte nem tudo está mal. Uma ação otimista vem sendo desenvolvida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) como parte do Programa Arca das Letras, uma iniciativa criada em 2003, que já implantou diversos acervos indígenas em vários Estados como se observa no gráfico a seguir.

biblioteca em contexto indígena-programaarcadasletras.png

Gráfico gerado a partir de relatórios do Arca das Letras.

Agora sigo com a curiosidade em saber de você leitor(a) se conhece ou desenvolve alguma atividade bibliotecária ou de promoção da leitura em contexto indígena.

Fontes:

http://portal.mda.gov.br/dotlrn/clubs/arcadasletras/one-community?page_num=0
http://www.mda.gov.br/arcadasletras/
http://www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/serie_memoria/72_etnias.php

 

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