Biblioteca virtual chega ao metrô em Buenos Aires

A primeira rede de biblioteca virtual foi instalada na estação de metrô Plaza Italia (Linha D/Verde). Lá você pode baixar mais de 200 livros para desfrutar durante as suas viagens, de forma gratuita.

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A partir de alguns passos simples, você pode aproveitar seu tempo lendo livros. Apenas com um dispositivo móvel que permita escanear um código QR para acessar o catálogo completo da Biblioteca Integrar do Ministério da Educação e usando a rede de conexão a internet da cidade (BA Wi-Fi) disponível em toda a Linha D, você poderá baixar o livro que quiser.

A Biblioteca faz parte do Portal Educativo da Cidade de Buenos Aires, onde seguem agregando mais livros, filmes, vídeos e música.

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Alguns dos livros que você consegue de encontrar na biblioteca virtual são: Contos de amor, loucura e morte, A vida é um sonho, Édipo Rei, O Príncipe e o Mendigo, O Amigo fiel, Alice no País maravilhas, A Arte da Guerra. Estão em formato EPUB e PDF.

Em breve serão instaladas novas bibliotecas virtuais  na estação Juan Manuel de Rosas( Linha B/Vermelha) linha e na passagem Newton da estação 9 de julho (Linha D/Verde).

Passo a passo:

  1. Baixe leitor de QR Code em seu telefone.
  2. Abra o aplicativo que você baixou.
  3. Aponte o QR Code  para o livro que você quer ler.
  4. Baixe-o e leia sempre que quiser.

Se você mora ou estiver de passeio em Buenos Aires, fica a dica.

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Oferta cultural bonaerense: a diversidade que pode atrair você a estudar aqui

Manifestação artística da Dança Murga na Avenida Corrientes.

Manifestação artística da Dança Murga na Avenida Corrientes.

Normalmente algumas pessoas me questionam: “Por que tu escolheste Buenos Aires para estudar o mestrado se na América Latina e Caribe quem se destaca (em termos de produção científica na área de Ciência da Informação*) é o Brasil?“.

Estudar fora do Brasil e fazer um intercâmbio cultural de acordo com os meus critérios, Buenos Aires, capital da Argentina atendia todos os critérios que eu tinha estabelecido: oportunidade, burocracia nos trâmites de migração,  oferta de cursos de curta duração, oferta cultural, conveniência financeira e as quatro estações bem definidas (SIM! Sou do Norte, só temos inverno e verão, é dizer: calor com chuva e calor sem chuva).

Deixando os outros pontos de lado nesse momento, comento que Buenos Aires é o centro cultural da América Latina, uma cidade cosmopolita que se caracteriza, sobretudo, por una nutrida atividade intelectual.

É um fenômeno que apesar da conhecida crise que conhecemos e vivenciamos, e que é altamente alarmada pelos meios de comunicação massiva brasileiro, não se pode negar que cidade de Buenos Aires põe em evidência a tradição de consumo cultural.

Segundo o Ministro da Cultura, Hernán Lombardi, em nota para o Jornal La Nación em 17 de novembro de 2014,

 “A cada fim de semana há 300 salas de teatro (privadas e oficiais) funcionando com público. E a cidade que está mais se aproxima a este número é Londres, mas não supera Paris nem Nova Iorque”.

Outro indicador do nível cultural da cidade é a quantidade de livrarias (como havia comentado aqui)  que excede, por exemplo, o número de livrarias existentes em toda a República de México.

E o mais interessante de tudo é que os aproximados 16 festivais culturais quase sempre são gratuitos, sendo assim, Buenos Aires está na segunda posição, perdendo apenas para Edimburgo, capital da Escócia, a qual apresenta 20 propostas desse tipo e ganha o ranking das cidades com mais festivais no mundo.

Entre os que mais gosto, estão:

La Noche de los Museos

Tem uma proposta excelente para atrair pessoas que não costumam ir a museus. Ademais, está cheia de atividades específicas nas distintas noites e que enriquecem a oferta. Há visitas guiadas especiais, oficinas, espetáculos teatrais e de dança, jogos interativos e recitais.

Noche de las Librerías

Uma vez ao ano é renovado o compromisso com a indústria editorial e a promoção das livrarias. O quarteirão compreendido pelas Avenidas Corrientes, Callao y Talcahuano se convertem em uma passarela, onde as livrarias e bares mais emblemáticos se abrem ao público com atividades culturais e livros para todos os gostos.

Buenos Aires Polo Circo é sensacional!

Além das lonas decircos do Buenos Aires Polo Circo, há atividades nos espaços abertos como no Complexo Cultural Cine Teatro 25 de Mayo, no Centro Cultural San Martin, nos bairros, em algumas praças, museus. Há diversas oficinas, palestras, treinamentos e cursos de curta duração.  Há  shows nacionais, todos de entrada livre e gratuita e os internacionais geralmente podem sair pela metade do preço para estudantes, idosos e aposentados.

 

Então, não há como não encantar-se com a oferta cultural que oferece Buenos Aires. Talvez não seja acessível a todas as classes da sociedade portenha, embora tenha visto que pelo menos nas publicidades são bem convidativas e tentam incluir todas as partes e promovem eventos nas periferias também. Outro aspecto que me encantou é que algumas atividades de tais festivais estão sendo realizadas em prédios históricos que ficam longe do centro da cidade, foram recuperados pela questão de patrimônio e memória e desde dois anos começaram a ter uso efetivo por conta de tais festivais.

*Curiosidade:

Segundo dados da Revista Interamericana de Bibliotecología  o ranking das TOP 5 em produção científica em Ciência da Informação seria: Brasil, Argentina, México, Venezuela e Chile.

Você também pode estudar Mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação em Buenos Aires, Argentina.

Banner informativo do Mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação na Universidade de Buenos Aires (UBA).

Banner informativo do Mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação na Universidade de Buenos Aires (UBA).

No século XXI se tem ampliado em grande escala os espaços em que o conhecimento é o fator crítico nas dimensões sociais e políticas. É importante, então, oferecer a formação de um profissional que seja competente para gerir conteúdos e serviços de qualidade em diferentes ambientes; contribua para a realização da educação nacional e o desenvolvimento de pesquisas; participe na definição de políticas que garantam o pleno acesso à informação.

O Mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação oferta a oportunidade de continuação da formação acadêmica.  A partir desse ponto de vista, esta experiência é uma alternativa legítima para a atualização e crescimento de graduados de Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação, Arquivologia, Museologia e áreas afins.

A Segunda turma (2016-2017)  abrirá inscrições no mês de setembro de 2015 e você já pode começar a se organizar caso pretenda ser admitido com sucesso.


Título que se obtém: Mestre em Biblioteconomia e Ciência da Informação da Universidade de Buenos Aires
Modalidade: Presencial
Duração: 704 horas. Equivalentes a 48 créditos.

Resolução C.S. Nro. 7523/13 e C.D. Nro. 5354/13


#Objetivos

a) Desenvolver competências para inovar e projetar novas soluções em todas as questões de gestão da informação.
b) Fornecer conhecimento epistemológico, nível teórico e prático no que diz respeito às várias facetas da gestão da informação.
c) Desenvolver atitudes e competências para fins de investigação e o ensino além de assumir responsabilidades estratégicas em matéria de gestão da informação em todas as instituições públicas e privadas.
d) Reforçar as capacidades de gestão da informação multimídia e digital, a fim de assegurar a sua transferência e utilização por várias comunidades multiculturais, multiétnicas e multilíngues.


#Requisitos para inscrição

  1. Os candidatos deverão ser graduados da Universidade de Buenos Aires com título de graduação correspondente a uma carreira de 4 anos de duração como mínimo.
  2. Graduados de outras universidades argentinas com títulos equivalentes ou graduados de universidades estrangeiras que hajam completado, ao menos um plano de estudos correspondente a 2.600 horas ou até uma formação de nível superior de 4 anos de duração como mínimo.

#Documentação que deverá ser apresentada para pré-inscrição de alunos estrangeiros

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O beijo argentino

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Gottlieb, William P., 1917-, photographer. [Portrait of Johnny Bothwell and Claire Hogan, New York, N.Y.(?), ca. Oct. 1946]

Nós brasileiros somos conhecidos como: “o país mais grande do mundo”, do samba e do carnaval. Alguns dizem que somos assanhadinhos ou ”calientes”. Enfim, fiquei surpreso quando cheguei aqui no ano passado e percebi que era comum cumprimentar-se com um beijo, isso mesmo, um beijo. Na Argentina tanto homens quanto mulheres trocam beijos no rosto em encontros profissionais e situações mais informais. Me parece uma situação calorosa dos portenhos, e essa inclinação a se tornar amigo num primeiro contato, acaba por seduzir ou intimidar muitos estrangeiros. 

O fato é interessante e muitos de imediato dispensam tal formalidade. Sim, algumas pessoas chegam a mostrar-se incômodas com o sistema oficial de beijos, já notei gente olhando com receio, outros com uma postura mais reservada ou mesmo com um certo “nojo” (o que me parece coisa de gente idiota, mas cada um no seu quadrado).

Há quem goste da atitude como também há movimento que tentam acabar com essa coisa do beijo principalmente entre o gênero masculino. Uma professora comentou que não teve muito sucesso tal campanha e afirmou também que em algumas províncias não é muito comum esse tipo se cumprimento que embora antigo, segue vigente entre homens, mulheres e crianças.

Não vejo nada contra. Acostumei até, lembro da primeira semana de aula que eu não sabia o que fazer quando chegava nas aulas. Os que já me conheciam vinham  dar o beijo, eu ficava vermelho. Depois comentei que no Brasil, isso é coisa comum entre mulheres (normalmente amigas)  ou entre uma mulher e um homem.

Mãe e filho Fonte: Google Imagens, com direitos Creative Commons Deed CC0

Na época até comentei com alguns companheiros de apartamento no meu primeiro mês aqui: “-Nossa, há muito beijo em Buenos Aires. Gosto disso mas não entendi ainda: quem eu devo beijar? devo beijar todo mundo? quando chego ou quando me despido?”. A resposta foi: Beije a todos, quando chegue e quando se despida.

Não importa, certamente o beijo no rosto é um contato agradável com amigos, familiares, e pessoas que gostamos (e as vezes não). Só me sinto desconfortável (não incomodado) quando se trata de um total desconhecido, então prefiro ser um pouco “mala onda” pois penso que já é uma invasão do meu território particular. Claro! A pessoa ao beijar, encosta a pele, sente o cheiro da roupa, do perfume, encosta o lábio, a barba, o batom, etc.

Como sei que tem homem lendo isso aqui, vou logo deixar as coisas claras: no ato não fica parecendo com uma “bichisse” ou manifestação homoafetiva. Os beijos entre homens ocorrem de uma maneira bem masculina e argentina, assim que, quando dois amigos se encontram, por exemplo, dá-se um beijo no rosto seguido de um tapinha no ombro e pergunta algo “-E aí cara, como vai?” ou ” Oi, beleza?”.

Dois amigos na praça Fonte: Google Imagens, com direitos Creative Commons Deed CC0

Agora quando é aquela pessoa linda, que você morre de vontade de tirar aquela casquinha… hahaha que forma mais gostosa de saudar alguém. kkkkk É assim, nesse ponto de vista, sei que muitos concordam que até gostariam de dar um beijo apressado e que escapasse de encontro aos lábios. WOOOU! Ou ainda assim vais dizer que preferes dar as mãos?Dar as mãos, por outro lado,me parece educado igual, embora deixe bem marcado a distância entre duas pessoas (igual o Funk do Cada um no seu quadrado). E tem gente que nem aperta, outras mãos úmidas, geladas.

Na dúvida, quando vierem por aqui ou conhecerem algum@ argentin@, já estão informad@s. Fiquem atentos aos sinais, note o olhar. Se você se sentir confortável, beije; caso contrário se apresse e estenda a mão.

Obs: É um beijo apenas. 

Buenos Aires: a cidade com mais livrarias no mundo.

 Livraria Ateneo Grand Splendid

Livraria Ateneo Gran Splendid. Construída em 1903 como teatro e utilizada até o ano 2000 como sala de cinema. Há 15 anos funciona como loja de livros. A maior livraria da América do Sul segundo o diário britânico The Guardian e é a segunda entre as mais belas, perdendo apenas para a curiosa Boekhandel Selexyz Dominicanen, em Maastrich (Holanda).

Me lembrei do primeiro dia que cheguei em Buenos Aires: a percepção das livrarias, dos cafés e principalmente a facilidade de encontrar pessoas transitando pelas ruas e no metrô lendo. Isso mesmo, lendo. O livro não é um objeto de enfeite ou adereço da construção de uma imagem culta das pessoas. Coincidentemente, essa cidade que respira cultura ocupa o primeiro lugar no mundo em quantidade de livrarias por habitante, segundo estudo da World Cities Culture Forum 2014*.

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Meus pais quando visitaram a Livraria Ateneo Gran Splendid

Segundo alguns colegas portenhos há uma certa inconstância nos dados e isso ocorre porque os dados são coletados através dos censos e não realizados de forma direta, o que podemos afirmar que os dados são indicativos e aproximados, não constituindo uma verdade absoluta. De qualquer forma é um motivo a mais para me deixar orgulhoso de ter escolhido essa cidade para cursar o mestrado.

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O termo livraria nesse estudo inclui todos os lugares de venda de livros na rua. Assim, considera-se além das livrarias propriamente ditas como as que conhecemos no Brasil, pode-se incluir os antiquários, sebos (livros de segunda mão) e não entendi muito bem se as bancas de revistas são contempladas aqui.

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Térreo da Livraria Ataneo Gran Splendid

Ao total, foram contabilizadas 467 livrarias, o que figura 25  para cada 100.000 habitantes. Ainda que a distribuição seja desigual pois em alguns bairros se concentram muitas e há outros que não há. Eu particularmente acredito que há mais livrarias que esta quantidade divulgada, basta realizar uma passeada pelos bairros (me refiro aqui a Buenos Aires , Capital Federal). Isso é um detalhe apenas, visto que tudo em Buenos Aires é relativamente perto ao considerar a mobilidade urbana de muitas cidades brasileiras.

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Vista geral do segundo piso da Livraria Ataneo Gran Splendid

* World Cities Culture Forum – é uma rede de políticas e pessoas de influência em que as principais cidades do mundo podem definir coletivamente uma agenda acionável para um futuro urbano sustentável através da cultura.O Fórum também realiza pesquisas comparativas sobre cidades membros para construir uma forte base de evidências sobre as formas amplas em que os impactos da cultura em uma cidade do mundo e seus habitantes.

Post inspirado na matéria original publicada no Jornal La Nación (26/02/2015). [Também disponível em linha:http://www.lanacion.com.ar/1771459-ciudad-lectora-buenos-aires-primera-en-el-mundo-en-librerias-por-habitante]

Inquietudes (que não são apenas) argentinas sobre as bibliotecas populares

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A Feira Internacional do Livro de Buenos Aires ocupa mais de 45 mil metros quadrado e é mais concorrida no mundo de fala espanhola. Durante três semanas de duração, as estatísticas indicam mais de um milhão de leitores e mais de dez mil profissionais do livro: escritores, editores, ilustradores, etc.

Na edição de 2014 estive presente e me chamou a atenção o estande do Governo da Cidade Autônoma de Buenos Aires, convocando por meio da Secretaria de Cultura a população presente na feira a participar de uma conversa aberta sobre as bibliotecas do futuro.

Cheguei pensando que o discurso seria sobre os e-books ou sobre crescimento da documentação escrita, uso de tecnologias ou algo assim visto que havia muitas editoras promovendo seus serviços nesse aspecto durante a feira.

Para minha surpresa foi bem além disso, fizeram o tal do “pensar fora da caixa” em vez de reproduzir “mais do mesmo”.

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