Oferta cultural bonaerense: a diversidade que pode atrair você a estudar aqui

Manifestação artística da Dança Murga na Avenida Corrientes.

Manifestação artística da Dança Murga na Avenida Corrientes.

Normalmente algumas pessoas me questionam: “Por que tu escolheste Buenos Aires para estudar o mestrado se na América Latina e Caribe quem se destaca (em termos de produção científica na área de Ciência da Informação*) é o Brasil?“.

Estudar fora do Brasil e fazer um intercâmbio cultural de acordo com os meus critérios, Buenos Aires, capital da Argentina atendia todos os critérios que eu tinha estabelecido: oportunidade, burocracia nos trâmites de migração,  oferta de cursos de curta duração, oferta cultural, conveniência financeira e as quatro estações bem definidas (SIM! Sou do Norte, só temos inverno e verão, é dizer: calor com chuva e calor sem chuva).

Deixando os outros pontos de lado nesse momento, comento que Buenos Aires é o centro cultural da América Latina, uma cidade cosmopolita que se caracteriza, sobretudo, por una nutrida atividade intelectual.

É um fenômeno que apesar da conhecida crise que conhecemos e vivenciamos, e que é altamente alarmada pelos meios de comunicação massiva brasileiro, não se pode negar que cidade de Buenos Aires põe em evidência a tradição de consumo cultural.

Segundo o Ministro da Cultura, Hernán Lombardi, em nota para o Jornal La Nación em 17 de novembro de 2014,

 “A cada fim de semana há 300 salas de teatro (privadas e oficiais) funcionando com público. E a cidade que está mais se aproxima a este número é Londres, mas não supera Paris nem Nova Iorque”.

Outro indicador do nível cultural da cidade é a quantidade de livrarias (como havia comentado aqui)  que excede, por exemplo, o número de livrarias existentes em toda a República de México.

E o mais interessante de tudo é que os aproximados 16 festivais culturais quase sempre são gratuitos, sendo assim, Buenos Aires está na segunda posição, perdendo apenas para Edimburgo, capital da Escócia, a qual apresenta 20 propostas desse tipo e ganha o ranking das cidades com mais festivais no mundo.

Entre os que mais gosto, estão:

La Noche de los Museos

Tem uma proposta excelente para atrair pessoas que não costumam ir a museus. Ademais, está cheia de atividades específicas nas distintas noites e que enriquecem a oferta. Há visitas guiadas especiais, oficinas, espetáculos teatrais e de dança, jogos interativos e recitais.

Noche de las Librerías

Uma vez ao ano é renovado o compromisso com a indústria editorial e a promoção das livrarias. O quarteirão compreendido pelas Avenidas Corrientes, Callao y Talcahuano se convertem em uma passarela, onde as livrarias e bares mais emblemáticos se abrem ao público com atividades culturais e livros para todos os gostos.

Buenos Aires Polo Circo é sensacional!

Além das lonas decircos do Buenos Aires Polo Circo, há atividades nos espaços abertos como no Complexo Cultural Cine Teatro 25 de Mayo, no Centro Cultural San Martin, nos bairros, em algumas praças, museus. Há diversas oficinas, palestras, treinamentos e cursos de curta duração.  Há  shows nacionais, todos de entrada livre e gratuita e os internacionais geralmente podem sair pela metade do preço para estudantes, idosos e aposentados.

 

Então, não há como não encantar-se com a oferta cultural que oferece Buenos Aires. Talvez não seja acessível a todas as classes da sociedade portenha, embora tenha visto que pelo menos nas publicidades são bem convidativas e tentam incluir todas as partes e promovem eventos nas periferias também. Outro aspecto que me encantou é que algumas atividades de tais festivais estão sendo realizadas em prédios históricos que ficam longe do centro da cidade, foram recuperados pela questão de patrimônio e memória e desde dois anos começaram a ter uso efetivo por conta de tais festivais.

*Curiosidade:

Segundo dados da Revista Interamericana de Bibliotecología  o ranking das TOP 5 em produção científica em Ciência da Informação seria: Brasil, Argentina, México, Venezuela e Chile.

Como o filme “Procurando Nemo” mudou a minha vida

O que aprendi com a Dori em Procurando Nemo

Originalmente as animações são pensadas para crianças mas possuem mensagens interessantes para todas as idades, basta prestarmos atenção.

Fim de férias, hora de voltar pra Argentina, país que tem me acolhido muito bem há 1 ano. Uma excelente experiência. Resolvi escrever esse post no momento de inquietação entre a conexões no aeroporto. Esse “não-lugar”‘ segundo Marc Augé*, que define esses espaços físicos capazes de modelar novas formas de interação assentes numa “contratualidade solitária” – e por isso pode ser frustrante, porque têm a beleza do que poderá vir a ser. Do que ainda não é. Do que, um dia talvez, terá lugar.” E esse talvez é algo que muitas vezes podem frustar nossos planos.

Sentado do banco, observando o fluxo de pessoas tristes ou alegres, indo e vindo. Lembrei da Dori, personagem do filme “Procurando Nemo”. Mais precisamente no momento que ela diz – “‘Continue a nadar” nos momentos difíceis da vida e por aí vai.

Nadar, aqui não se limita apenas ao ato de manter-se e avançar sobre ou sob a água. Tem uma dimensão bem maior, é procurar soluções, mudar, buscar um modo de superar o que incomoda ou acomoda. Estou nadando constantemente e percebi nesses últimos 2 meses que estive de férias, 5 lições básicas que até então me deixavam tristes ou com raiva mas porque eu não tinha ainda uma compreensão madura de como funcionam as coisas.

  1. Faça as coisas pensando em mudanças por você e para você.
  2. Algumas pessoas nunca vão esquecer do seu aniversario, você estando aqui, na Argentina ou em Marte.
  3. Esse papo de “que saudades de você”, vamos nos ver uma hora”, “vamos combinar de sair” – normalmente vem acompanhada de um “ai, tô trabalhando demais” ou “‘estou sem dinheiro, mas quando eu receber…” é desculpa de gente enrolada e sem consideração.
  4. Existe um filtro natural da proximidade entre as pessoas: quem sente sua falta vai sempre sentir e agir.
  5. Vai ter sempre aquelas pessoas amadas,do seleto e especial grupo que vai te surpreender por e-mail, whatsapp, skype seja lá como for, ao terminar a frase “Lembrei de você”, “Sonhei com você”  e em seguida “por isso tô te mandando esse áudio”;  ou “lembrei daquele dia X e espero te reencontrar em breve”‘  ou então “Ei car_lho, arruma um colchão pra mim que eu já comprei minha passagem” ou ainda um grande amigo que chega de surpresa no  seu apartamento e diz: “se arruma agora que vamos sair”.

Temos que nadar para ver as coisas de outras perspectivas. Desculpas para não nadar, há muitas. É natural do ser humano querer racionalizar as coisas, buscando motivos lógicos e racionais para justificar suas falhas ou mesmo sua acomodação.

Para finalizar, mais uma vez escrevo uma frase que escutei quando fiz o Empretec e consolidei na minha vida:

Mamangava motivacional

Espécie de abelha que se parece com uma vespa e são polinizadoras importantes na contribuição para a manutenção de muitas espécies de plantas nativas, principalmente do maracujá.

E você o que está esperando para nadar ou voar? A mudança depende de você.

WAKE-UP!

 *Augé, Marc (2005 [1992]). Não Lugares. Lisboa: 90º

Inquietudes (que não são apenas) argentinas sobre as bibliotecas populares

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A Feira Internacional do Livro de Buenos Aires ocupa mais de 45 mil metros quadrado e é mais concorrida no mundo de fala espanhola. Durante três semanas de duração, as estatísticas indicam mais de um milhão de leitores e mais de dez mil profissionais do livro: escritores, editores, ilustradores, etc.

Na edição de 2014 estive presente e me chamou a atenção o estande do Governo da Cidade Autônoma de Buenos Aires, convocando por meio da Secretaria de Cultura a população presente na feira a participar de uma conversa aberta sobre as bibliotecas do futuro.

Cheguei pensando que o discurso seria sobre os e-books ou sobre crescimento da documentação escrita, uso de tecnologias ou algo assim visto que havia muitas editoras promovendo seus serviços nesse aspecto durante a feira.

Para minha surpresa foi bem além disso, fizeram o tal do “pensar fora da caixa” em vez de reproduzir “mais do mesmo”.

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