Uma biblioteca que empresta utensílios de cozinha como se fossem livros.

Biblioteca de Cozinha

A crescente popularidade de compartilhamento entre as comunidades, está provocando, nos últimos anos, uma sub economia mais justa e social em que as pessoas colaboram e dividem seus recursos.

Recentemente, toScreen-Shot-Tem açúcar-2015-01-26-at-10.44.34-AMmei conhecimento do Tem açúcar?,  uma plataforma onde os usuários compartilham itens/bens/coisas/objetos uns com os outros. Apenas facilita a conexão entre usuários e não tem nenhuma responsabilidade com relação aos itens envolvidos na transação entre eles, ou qualquer outro acontecimento que se dê em contatos e relações, online e offline, entre usuários que tenham se conectado através do site.

Seguindo um conceito semelhante vem um projeto sem fins lucrativos do Canadá chamado The  Kitchen Library  (a biblioteca da cozinha). A primeira biblioteca de empréstimo  de utensílios de cozinha e eletrodomésticos.The-Kitchen-Library-Biblioteca-de-Cozinha

É como uma biblioteca normal, mas em vez de livros de empréstimo você pode encontrar e emprestar qualquer número de aparelhos de cozinha por 7 dias!

Como funciona?

Passo 1: Compre uma adesão (US$ 9 / mês ou US$ 50/anual)

Passo 2: Confira o inventário completo (espremedores de frutas, um desidratador, fabricantes de massas, fabricantes de sorvete, e muito mais!).Ver algo que você deseja pedir emprestado? (usuários podem agora reservar itens!)

Passo 3: Busque  o aparelho que você gostaria de pedir emprestado e leve para você.

Passo 4: Use o aparelho por até 7 dias. Lave-o. Entregue de volta para a biblioteca e vamos verificar o item na devolução.

Funciona como uma biblioteca livros convencionais mas em vez de promover a leitura está focada na cozinha. Ela está atuando como um recurso da comunidade para cozinheiros domésticos.

acervo da biblioteca da cozinha

Além do serviço de empréstimos, a biblioteca tem parceria com a Biblioteca Pública de Toronto é utilizada para ditar oficinas de cozinha e workshops de planejamento de refeições entre seus membros. Desta maneira, os consumidores podem familiarizar-se com o equipamento e  aprender  novas receitas.O objetivo final desta iniciativa é fomentar a cozinha caseira como uma solução aos problemas de saúde causados pela má alimentação.

Demorei mas encontrei a parte que mais tinha curiosidade Penalidades, claro – toda boa biblioteca que se preze tem que possuir uma política de gestão de sua coleção. Abaixo conto algumas coisas que estão claras:

  1. Os membros devem ter 18 anos de idade ou mais para se tornarem membros.
  2. Se houver danos a qualquer aparelho ocorrido como resultado do uso por qualquer terceiro, o membro que emprestou o aparelho será responsável por custos de reparação ou substituição.
  3. Antes de tomar emprestado mais de US$ 200 no valor dos aparelhos, todos os membros devem fornecer um número de cartão de crédito válido ou fornecer um depósito reembolsável para o valor do aparelho.
  4. Se o aparelho não for devolvidos ou incorrer em prejuízos, a biblioteca cobrará o valor total para reparo ou substituição destes aparelhos no número do cartão de crédito fornecido.
  5. A taxa de atraso para cada aparelho é de US$ 1/ dia.
  6. Se entregar o aparelho sujo, paga uma multa  (taxa administrativa) de  US$ 5.

    É possível que este conceito de biblioteca possa ser utilizado também em outras áreas, você pensa em alguma? Conte-me. 

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As oportunidades estão na biblioteca pública: apoio a pessoas sem emprego e ao emprendedorismo

As bibliotecas públicas devem recuperar a sua missão social e se concentrar em ajudar os grupos mais desfavorecidos.

Alemanha, Brasil, Espanha, Estados Unidos são países onde já é possível encontrar serviços bibliotecários orientados a pessoas que estão buscando emprego ou ainda aos empreendedores e autônomos, especialmente aos jovens quando o objetivo é oferecer recursos e ferramentas para ajudá-los e apoiá-los a enfrentar o mercado de trabalho cada vez mais competitivo e em busca de pessoas criativas e capacidades inovadoras.

Trata-se de uma questão cultural que está por detrás dos indicadores sociais do desemprego e então a biblioteca ressurge com destaque e mostra o seu papel efetivo como uma instituição agente que pode e deve contribuir para a coesão social.

Depois de ler algumas coisas em fóruns da internet, resolvi escrever um post como sugestão inspiradora aos colegas bibliotecários que gostam e desejam pensar a biblioteca “fora da caixa”, assim que fica o registro como uma maneira de estimular profissionais de bibliotecas a criar e empreender ações sustentáveis para ampliar o protagonismo da biblioteca na sua comunidade.

#O que se observa e que pode ser feito a partir das páginas web ou blog das bibliotecas públicas ou dos terminais de consulta:

  • Serviço de recompilação documental sobre notícias e informações relevantes sobre oportunidades de trabalho e capacitação;
  • Organizar um espaço onde a informação esteja classificada em: orientação; profissões; encontrar um emprego; vida profissional; concursos públicos.

#Nos espaços físicos podem ser organizados diferentes cursos, oficinas e palestras para:

  • A descoberta profissional – conhecendo profissões;
  • Capacitação – divulgação e realização de cursos de curta duração e com saída laboral;
  • Conhecimento e utilização de ferramentas e recursos para busca de emprego;
  • Conhecimento de empreendedorismo e mundo do trabalho;
  • Assessoria para criar plano de negócios, educação financeira;
  • Modelagem de negócios;
  • Iniciação as start-ups;

Seria interessante que as bibliotecas públicas brasileiras possuíssem um espaço ou serviço sobre informação e emprego, considerando ainda as necessidades de informação especializadas para os imigrantes e emigrantes.

#O que considerar:

  • A biblioteca  pública é um lugar excelente por sua neutralidade para desenvolver muitos tipos de serviços, deve ser inclusiva;
  • É necessário cooperar com entidades de forma sistematizada e baseada em acordos, convênios, parcerias;
  • A mediação humana é fator básico nas bibliotecas;
  • Os cursos e oficinas  devem ser personalizados sempre conhecendo o perfil dos usuários;
  • Principalmente: Nunca esqueça de avaliar as ações que se desenvolvem para ver e ter evidências da efetividade e do impacto que tem para a sociedade.

O assessoramento pode ser individual ou em grupo, dependendo do espaço físico e dos equipamentos disponíveis. Obviamente nem todas as competências são obrigatória de bibliotecários. Ora, se estamos na era das cooperações, é esse o momento de buscar pessoas e entidades parceiras( setor de informática, de recursos humanos, de empreendedorismo, de capacitação profissionalizante) para colaborar nos projetos que se pretendem executar.

Além de realizar as atividades é preciso divulgá-las e animar a comunidade a participar. Assim, é sempre bom promover palestras, fóruns, debates, encontros profissionais entre empresários e jovens em busca de emprego. É realmente pensar a biblioteca como um espaço interativo e de encontro.

Quando a palavra inovação adquire todo seu significado em uma biblioteca

bibliotecário inovador

No mês de Junho do corrente ano aconteceu na cidade de Madri (Espanha) o Encontro de Bibliotecários Inovadores. Na ocasião, três bibliotecários, líderes de algumas das experiencias mais inovadoras no campo bibliotecário foram convidados pela Fundación Germán Sánchez Ruipérez a participar na Semana sobre a inovação digital da leitura e dos livros (Readmagine). 

Cada um dos relatores expôs sua experiência sobre as mudanças encaradas em suas bibliotecas para se adaptarem aos tempos e construir modelos de gestão atentos às necessidades das comunidades as que servem. Onde o significado da palavra inovação teve destaque em seu sentido mais puro, sem os artifícios e as falsas expectativas que apresentam as modas.

Jill Bourne, diretora da Biblioteca Pública de San José, Califórnia, (EE.UU.); Anja Flicker, diretora da Biblioteca Pública de Wüzburg (Alemanha); e Kari Lämsä, gerente da Library 10 Meeting Point de Helsinki (Finlândia) literalmente seduziram o auditório composto em sua maior parte por bibliotecários de dez países da América Latina que participaram do evento.

Kari Lämsä, Anja Flicker y Jill Bourne

Kari Lämsä, Anja Flicker y Jill Bourne

 Jill Bourne destacou seu discurso a partir de que “Juntos somos mais fortes”,  a biblioteca  trabalha em parceria com as empresas do Vale do Silício na intenção de conseguir fundos e articular a gestão até manter a função clássica e informacional da biblioteca num contexto tecnológico onde se pode beneficiar da atividade econômica baseada no conhecimento e assim ela se referiu ao trabalho que realiza  envolvendo as companhias tecnológicas desta zona com o fim de potenciar programas educativos e sociais. Desta maneira conseguiu que a gigante do comércio eletrônico eBay lhe ajudasse a elaborar o aplicativo da biblioteca e, atrás esta experiência, foram estabelecidas alianças com outras empresas tecnológicas. Bourne aconselhou aos bibliotecários: “Não esqueçamos de ser geniais”.

Anja Flicker, com o lema “Coloquei o pé no ar e me segurava”,  deu ênfase em seu discurso sobre a mudança da cultura organizacional e na necessidade de reformas nas competências e a funcionalidade do trabalho das equipes. Envolver o pessoal da biblioteca sobre as questões relacionadas com as novas tecnologias podem ser um assunto delicado. Mas Flicker se atreveu a capacitar todos os funcionários da biblioteca que ela dirige, em aspectos como a cultura da internet, trabalho em  equipe e  comunicação com o usuário por meio das redes sociais e os dispositivos móveis.  Ela confessou que sua proposta não foi bem aceita pelo setor mais tradicional e os motivos que justificam isso nos parecem bem familiar: a falta de tempo e a preferência pelo contato direto com o usuário. Repassou, ademais alguns dos princípios da gestão de pessoas e destacou a importância de conhecer o potencial das pessoas que trabalham na biblioteca e de apreciar o espaço de trabalho.

Kari Lämsä apresentou o  lema de que “a biblioteca é um verbo”, porque são ações, um lugar onde sucedem coisas, portanto é ativa, e as pessoas podem cozinhar juntas. A Library 10 é uma biblioteca pouco usual, a julgar por sua descrição: nela são os próprios usuários quem propõem as atividades que serão realizadas, que vão desde oficinas de costura a concertos ou debates. Isto faz que o perfil de los usuários tampouco seja o típico de uma biblioteca: a metade são homens e há um importante grupo entre os 25 e 35 anos. O empréstimo não é o principal serviço da biblioteca, apenas o utiliza uma quarta parte dos usuários e  não perdem tanto tempo ordenando os livros nas estantes.

Na ocasião, se lançou o programa de formação International Network of Emerging Library Innovators (INELI) edição Ibero-América,  implementada pelo Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe (CERLALC). O propósito é reforçar as habilidades de liderança e inovação de trinta bibliotecários públicos de dez países (Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica,  Equador, Espanha, Guatemala, México, Paraguai, Portugal), assim como a criação de uma rede para o intercâmbio de experiências.

Gostaria de escrever um post com ações brasileiras. Se você realiza ou conhece alguma, me escreva. Juntos vamos construir um novo post.

Fontes:
http://www.lecturalab.org/story/Readmagine-la-seduccin-de-los-bibliotecarios-innovadores-en-Casa-del-Lector_5976
http://www.fundaciongsr.com/
http://readmagine.fundaciongsr.com/348/Que-es-esto