Conheça as melhores práticas de museus e exposições virtuais

O projeto Unplace pretende discutir o conceito de “museografia intangível”, no campo das exposições de arte contemporânea, especificamente produzidas para contextos virtuais e em rede.

Conscientes que o  fenômeno de mediatização e globalização alterou uma série de paradigmas nas instituições museológicas, enquanto atrações turísticas e lugares de dinamização urbana e cultural ao longo das últimas duas décadas, fazendo emergir projetos de museus e exposições virtuais, sediados na Internet – tendo o ciberespaço como lugar para pensar o design das exposições, de curadoria, trazendo portanto discussões sobre Arte Digital ou a Internet Art.

Nesse sentido temos as principais plataformas colaborativas internacionais, como o Google Art Project ou, o MatrizNet (catálogo coletivo on-line de 34 museus da Rede Portuguesa de Museus), seguem também essa via, situando-se assim claramente no domínio da simulação do preexistente, potenciado pela diversidade e pelo cruzamento de patrimônios com múltiplas localizações. Esse detalhe que realmente me chama a tenção: a possibilidade de descobrir conexões entre obras de arte. 

Para entender mais sobre o projeto Museu sem lugar acesse a página de publicações AQUI e faça o download do e-book MUSEUS SEM LUGAR: ensaios, manifestos e diálogos em rede e outros.

Aqui no Brasil, sei que os Museus do Futebol, da Casa Brasileira (até o momento não consegui visualizar as exposições virtuais) e o Afro Brasil, todos instituições do Governo do Estado de São Paulo, integraram recentemente o projeto mundial da Google Arts & Culture ‘We Wear Culture’ junto com mais de 180 museus em São Paulo, Nova York, Londres, Paris, Tóquio, Berlim e outras cidades ao redor do mundo.

É importante reconhecermos que a relação entre artistas e visitantes de museu se transforma com as tecnologias disponíveis. Inclusive há comunidades de artistas que se dedicam ao espaço virtual, seja produzindo obras para serem disponibilizadas na web ou ainda fazendo a curadoria de materiais nesse ambiente. O padrão de comportamento é construído coletivamente mas lembrem-se: as possibilidades são convergentes e não restritivas.

Quero destacar que uma não substitui a outra e há questões de preferências. Para os apaixonados por arte pode ser  vantajoso e realmente pode ser um público que quer mergulhar na observação sem sair de casa, é possível realizar diversas experiências virtuais 360º e aproximar a imagem em alta resolução. De outro lado há  os espectadores que preferem visitar os locais por acreditarem na interação e na vivência simbólica que transmite a narrativa histórica do lugar, seja: a cidade, o bairro, os edifícios e o entorno do museu; esses realmente querem a experimentação direta com o objeto  museológico.

Seguindo essa linha, escolhi opções para visitas de exposições virtuais:

  • Afro Brasil Dividido por meio de Núcleos temáticos, o acervo procura abranger aspectos da arte, da religião afro-brasileira, do catolicismo popular, do trabalho, da escravidão, das festas populares, registrando assim, a trajetória histórica, artística e as importantes influências africanas na construção da sociedade brasileira.

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  • Museu do Futebol Mais do que sobre esporte, o Museu do Futebol é, antes de tudo, um museu sobre a história do povo brasileiro. Um museu cercado pelos mistérios da euforia que todos temos pela bola, pelo drible e pelo gol. Um mistério que unifica e separa como as grandes paixões coletivas, onde as alegrias são sempre maiores que as tristezas.  Entre no feitiço de como um esporte inglês, branco e de elite, aos poucos ganhou novos traços: tornou-se brasileiro, popular, mestiço e uma das mais reconhecidas manifestações culturais do nosso país.

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  • Exposições virtuais do Arquivo Nacional é uma iniciativa da instituição para difundir seu acervo, compreendido entre o século XVI aos nossos dias, fundamental para o princípio democrático de acesso à informação pública e para a pesquisa em inúmeros campos do conhecimento.

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  • O projeto Era Virtual foi e continua sendo resultado da percepção de que nesta nova era da tecnologia das informações é essencial inovar, rever e reconstruir o modo de promover a cultura. Ao perceber o potencial de das visitas virtuais em promover as instituições beneficiadas, em 2013, decidimos desenvolver o projeto também para os parques nacionais e para as cidades com sítios considerados como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Navegue e descubra o nosso Brasil.

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  • Museu Evita (Argentina) O Museu Evita é um importante passeio para quem quer aprender mais sobre a história argentina e entender essa paixão do povo por Eva Perón, mulher tão marcante para o país. Hoje o local é um dos principais atrativos turísticos da cidade. Percorra toda a trajetória da grande heroína da Argentina, o museu traz fotos, roupas e documentos que fizeram parte da vida de Evita. O museu fica em um grande casarão em Palermo e é um dos passeios mais recomendados. 

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Você já fez alguma visita virtual incrível em algum museu não listado aqui? Comente aqui qual foi, também gostaria de conhecer.

 

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6 coisas que aprendi na “Expedição Barco Biblioteca” e que podem ser úteis para você

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A leitura é um fator primordial para a vida em sociedade, mesmo assim muitas pessoas ainda não se apropriaram desse hábito. Essa temática vem sendo foco de várias pesquisas e eventos acadêmico-científicos, sempre com o objetivo de torná-la acessível a todos.

O Brasil apresenta largas distâncias entre seus Estados e municípios sofrem com a ineficácia na implantação de projetos. O Estado do Amazonas ocupa o maior espaço territorial do país, além disso, o transporte fluvial pelos rios é a única forma de acesso às comunidades.

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Mapa do Estado do Amazonas (Brasil) com seus 62 municípios. Imagem disponível em: http://www.guiageo.com/pictures/mapa-amazonas.jpg

Nesse contexto a Expedição Barco Biblioteca atua com uma atividade desenvolvida por um grupo de voluntários que visa levar a leitura para as comunidades do Amazonas que não possuem acesso de via terrestre, tentando alcançar e ganhar o maior número de leitores possíveis. Contribuindo para o processo de inclusão informacional a partir da prática da leitura e a democratização do acesso ao livro que são aspectos importantes na denominada sociedade da informação e do conhecimento.

Trata-se de um desafio, pois a leitura, condição que para muitos é considerada essencial, não está disposta para todos e há pessoas analfabetas que precisam ser incluídas na sociedade a fim de garantir sua participação como cidadão.

A metodologia dessa atividade surgiu em 2006 com o Instituto Ler para Crescer da Amazônia (ILPC), organização sem fins lucrativos, de atuação filantrópica em defesa dos direitos das crianças e adolescentes e que se ocupa com ações para comunidades menos favorecidas nos bairros da periferia de Manaus.

A ação arrecada recursos financeiros por meio de doações de amigos e familiares. Destaca-se que é uma atividade voluntária e estamos abertos para parcerias e mais voluntários para as próximas edições.

O Barco viaja pelos rios do Amazonas, promovendo ações em comunidades ribeirinhas – especialmente para as crianças que ali vivem. Tais atividades destacam a importância dos livros na vida cotidiana e abordam temáticas que valorizem a conscientização ambiental, já que estão inseridos no ambiente amazônico e também ao valorizar essa temática, cria-se um sentimento de identidade com a população visto que grande parte vivem a base econômica de agricultura e da pesca.

 

 

Nossa jornada teve início no dia 11 de agosto onde nos deslocamos para o município de Manacapuru localizado a 71 km da capital mas que faz parte Região Metropolitana de Manaus, no estado do Amazonas. No dia 12, partimos logo cedo do Porto de Manacapuru e voltamos à Manaus no final da tarde do dia 13.

Posso dizer que foi um final de semana revigorante para todos os marujos (maneira pela qual denominamos carinhosamente cada voluntário da atividade), acreditamos que  plantamos boas sementes e que em breve elas possam florescer e gerar bons frutos nas Comunidades: Águia de Sacambu, Nossa Senhora de Nazaré, São Paulo e São Pedro do Castanho.

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Após conversa com os marujos ,  chegamos a conclusão que aprendemos sobre:

  1. Reciprocidade. Vamos para ajudar mas na verdade  nós somos ajudados. Não somos mais as mesmas pessoas que éramos antes dessa atividade assim como as pessoas com as quais tivemos contato também foram impactadas e transformadas de alguma maneira. Fomos marcados e marcamos vidas, histórias, redesenhamos rumos.
  2. Conexões. Estabelecemos fortes conexões. A possibilidade da imersão faz com que trocamos ideias constantemente, compartilhando experiências de vida e aprendendo juntos a cada momento. Mesmo a maioria dos marujos  não se conheçam previamente, salvo poucos casos, ao final todos saem como se fossem amigos “a mais de 10 anos”. Isso porque as atividades são divididas por grupos e a rotatividade na execução das atividades e as dinâmicas facilitam o intercâmbio na medida que favorece o diálogo.
  3. União. Juntos somos mais fortes. Somos a soma de muitas experiências e podemos ser pontes para muitos, sobretudo para as pessoas menos favorecidas. Há quem diga que servimos de canal de alegria e conhecimento na vida daqueles pequeninos e pequeninas.
  4. Amor e solidariedade. O amor transborda. Essa foi a resposta inclusive para a imprensa. Os marujos transbordam amor o ano todo com seus pais. Dedicaram o final de semana para dividir amor com outras pessoas, com outras crianças e outros pais. Isso porque esse projeto social, mais que executado ele é vivido. Aqui o importante é a boa vontade: há que doar-se!
  5. Habilidades e talentos. Sempre há a ocasião certa para descobrir ou desenvolver talentos e habilidades. Ver como o outro me enxerga e como eu me vejo é ideal para reconhecer que não somos perfeitos mas podemos melhorar. O importante é  não focar nas nossas deficiências e sim no que sabemos fazer com louvor. E o que sabemos fazer bem deve ser compartilhado. Assim,  o barco é  uma oportunidade para se juntar com aquele colega que sabe fazer outra coisa que eu sou capaz de reconhecer que não sou tão bom mas me interessa desenvolver.
  6. A leitura como experiência. Ler ou escutar em voz alta é uma maneira de abrir os espaços para fora da realidade. A leitura permite um salto para um mundo onde a fantasia e a imaginação de um futuro passa a ser possível. Ela nos convida a isso quando nos apropriamos de fragmentos de espaços fictícios para ilustrar a nossa alma e criar novos lugares para viver. Quero dizer aqui, que projetamos belezas, fábulas, sonhos e maravilhas sobre a nossa vida cotidiana.

Que possamos multiplicar essa corrente do bem, que possamos ser mediadores de leitura saindo de barco, de ônibus, a pé… Que sejamos luz e alegria nesse mundo.

Informamos aos leitores do blog que em breve vocês poderão replicar a experiência. Poderão se juntar com um grupo de amigos, familiares e outros que acreditam na ideia e desenvolver a atividade. Em breve divulgaremos o Manual para realização do Barco Biblioteca, detalhando as atividades.

Se você tem interesse em viver essas experiências, fique atento para as próximas edições. Provavelmente não vai ser como você imagina, vai ser muito melhor.

Aplicativos mais excitantes para bibliotecários

aplicativos para bibliotecários

Na era da informação um dos lugares mais comuns para as pessoas procurarem informações é no telefone móvel. Sabemos que é cada vez maior o uso de smartphones bem como o acesso à internet através dos mesmos. Por isso é importante que  as bibliotecas contemporâneas sigam as tendências e acompanhem os avanços tecnológicos  que integrem os computadores, a internet e outras ferramentas importantes como parte normal desse processo.

Assim como outras profissões, nós bibliotecários nos deparamos com  a necessidade de utilizar smartphones e tablets para completar as tarefas cotidianas e realizar trabalhos de forma mais rápida e eficiente. Embora nem todos sejam úteis na biblioteca, você pode se surpreender ao conhecer os que surgiram com um propósito literário. Selecionei aplicativos gratuitos e multioperacionais: Android, iOS e Windows Phone.

.PERIODICOS.

O aplicativo .periodicos. permite ao usuário ter acesso ao acervo do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), uma fundação do Ministério da Educação (MEC). É uma biblioteca virtual que disponibiliza conteúdo científico internacional de alto nível, com acesso a periódicos, referências bibliográficas com resumo, teses e dissertações, normas técnicas, livros, obras de referência, estatísticas, patentes, arquivos abertos e redes de e-prints.

RefME 

Ferramenta de referências e bibliografia. Permite gerar referências mediante o escaneamento do código de barras do livro, revista, CD ou DVD utilizando a câmera do telefone. Pode ainda buscar pelo título, ISBN, ISSN, DOI ou URL. Permite adicionar notas, colaborar com outras personas, exportar através do e-mail.

Biblioteca pessoal (em espanhol)

É um aplicativo para Android para catalogar, organizar e classificar um acervo de livros. Com comandos simples e práticos, o usuário pode inserir título, autores, editoras e outras informações sobre cada obra, podendo ainda selecionar imagens de capas. Além disso, o app também permite qualificar os livros com notas, escrever descrições, estabelecer metas de leitura e controlar prazos de empréstimos.

Minha biblioteca

Permite catalogar sua biblioteca pessoal e realizar pesquisas rápidas dentro dela. é possível adicionar um livro à sua biblioteca escaneando o seu código de barras (título, autor, capa, resumo, data publicada, editora); ou ainda através do seu número ISBN.  Ordenar  sua biblioteca por títulos, nomes, categorias, lidos / não lidos. Exportar dados da biblioteca em  um arquivo do Excel.

Kindle

Você terá acesso ao nosso acervo com mais de um milhão de eBooks Kindle, faça sua escolha e baixe o primeiro capítulo gratuitamente antes de decidir se quer comprá-lo. Com a tecnologia Whispersync da Amazon, você sincroniza automaticamente seus livros entre vários dispositivos incluindo os mais populares smartphones, tablets e computadores. Desse modo é possível continuar a leitura em um dispositivo diferente de onde você parou. Permite o ajuste o tamanho do texto, alterar o brilho da tela, escolher a cor de fundo e ler no modo retrato ou paisagem.

Wattpad

Baixe histórias grátis e junte-se a milhões de pessoas que adoram o Wattpad – a biblioteca mundial ilimitada, sempre em expansão, de livros e histórias gratuitas.

Free Books (inglês)

O aplicativo Livros gratuitos oferece 51.305 títulos clássicos para sua seleção e permite destaques, notas, suporte de dicionário e marcadores, o que o torna um recurso para qualquer biblioteca.

Google Keep – notas e listas

Guarde rapidamente todas as suas ideias e lembre-se delas a qualquer momento onde quer que você esteja. Grave uma nota de voz em qualquer lugar e transcreva-a automaticamente. Tire uma foto de um pôster, recibo ou documento e organize-a ou encontre-a facilmente depois na pesquisa. Com o Google Keep, você captura facilmente uma ideia ou uma lista para lembrar e compartilhar com amigos e familiares. Todo o conteúdo adicionado é sincronizado em todos os dispositivos para que você possa acessá-lo a qualquer momento.

Cam Scanner

Disponível para aparelhos com sistema operacional Android, iOS ou Windows Phone. Transforme-o num scanner de mão, com recursos de controle de brilho da imagem capturada para um melhor reconhecimento e qualidade.

Newsmap

Um mapa de notícias exclusivo que lhe permite ver as últimas manchetes no mapa!  Leia manchetes rápidas. com um link direcionando você para o artigo de notícias. Reúne os principais jornais e revistas no Brasil. Com este aplicativo, você pode ter em um único lugar, toda a informação que quiser, sem ter que navegar para cada um dos sites de cada jornal ou revista.

Jornal do Brasil

Lista dos principais jornais do Brasil, revistas, sites de notícias on-line.  Permite perosnalizar a ordem dos jornais  por “A-Z”, “Usuário” e “Leia mais frequentes”;  Adicionar / Excluir jornal, revista; Compartilhar a notícia por email ou redes sociais.

Flipboard

Serviço premiado que reúne notícias, histórias e conversas sobre qualquer um de seus interesses ou paixões. Com tudo reunido em só lugar, nunca foi tão fácil ler, colecionar ou compartilhar histórias. Permite ler, curtir e compartilhar histórias de tópicos variados. Assim, poderás manter-se atualizado com a Edição do Dia, um resumo de histórias importantes que você precisa saber.

Feedly (inglês)

é um leitor de RSS que transforma seu conteúdo em uma revista interativa com uma interface surpreendente. Agrega RSS, canais do Youtube, blogs, podcasts, Tumblr e outros para se trazer tudo que você precisa em um só lugar. A interface lembra uma revista. O conteúdo pode ser acessado pelas publicações de hoje, os últimos vistos, salvos para leitura posterior, ou pelos grupos de canais assinados.

Google Notícias e clima

Seu olhar amplo e personalizado das manchetes, bem como do clima e das notícias locais. Experiência de leitura com carregamento instantâneo e Accelerated Mobile Pages (AMP). Deslize para acessar categorias como Notícias principais, Tecnologia, Esportes e Clima.

Duolingo

Excelentes cursos gratuitos para aprender inglês, espanhol, alemão ou francês com a metodologia da Gamificação – um método divertido que mescla a educação com elementos de games, como corações (vidas) e prêmios.

Conhece mais algum que poderia tá nessa lista? Comenta aqui. Ficarei bem contente em saber.

Estudantes criam marcadores de livros com temática multicultural

Estudantes criam marcadores de livros com temática multicultural para as bibliotecas públicas do Condado de Montgomery (Estado Maryland, nos Estados Unidos).

Estudantes do ensino médio foram convidados a usar arte para expressar como eles se sentem sobre comunidade e cultura em Montgomery. Dezenas de estudantes reuniram-se no parlamento provisório de bibliotecas públicas do condado de Montgomery, quinta-feira (22/06/2017) para estrear a divulgação de suas novas obras que serão exibidas nas bibliotecas.

Ao total, 24 alunos tiveram a oportunidade única de criar marcadores que não só promovem a alfabetização, mas também as diversas culturas da comunidade por meio do “Multicultural Bookmarks Project“.  A parte de trás de cada marcador mostra os recursos disponíveis nas bibliotecas da cidade.

 

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Crédito das imagens: http://www.mymcmedia.org/students-design-multicultural-bookmarks-for-montgomery-county-public-libraries/

 

Os marcadores foram impressos e distribuídos para todos os departamentos das bibliotecas públicas da cidade @MCPL. Cada aluno pode ilustrar com uma citação sobre livros, leituras ou bibliotecas. Alguns alunos vieram com suas próprias citações, enquanto outros escolheram citações de escritores famosos. Vários dos marcadores são bilíngues: em espanhol e inglês, bem como chinês, hebraico, hindi, tagalo e nepalês. Um ponto interessante que destaca realmente a função da inclusão multicultural e a bibliodiversidade.

O Projeto foi apoiado pelo Conselho de Artes e Humanidades do Condado de Montgomery, Amigos da Biblioteca, Art4Moore, Associação de Arte de Montgomery e Artivate.

“Eu projetei um marcador multicultural que é baseado em um balão de ar quente acima do mundo, que é representado como você é livre para explorar”

Katelyn Hinkel, estudante da nona série da Wheaton High School.

Clique aqui e veja o vídeo do projeto.

Divulgo a atividade para que possa servir de inspiração aos colegas.

Boas práticas devem ser disseminadas e replicadas, sempre.

Coisas surpreendentes que você pode encontrar nas bibliotecas

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Como sempre digo, a ideia antiga de biblioteca como espaço para guarda e empréstimo de livro já não se adequa mais a nova necessidade das pessoas e fico feliz quando encontro cases interessantes. Dessa vez, lhes apresento a  Biblioteca Livre de Fayetteville (FFL) em Nova Iorque, Estados Unidos.

Com a  missão é “proporcionar acesso livre e aberto a idéias e informações” a FFL cria e sustenta esse acesso com a visão e com um propósito simples mas bem definido.

E portanto, orienta suas ações por meio da criação de um acesso igual e aberto para que os indivíduos de ponta tecnologia, oportunidades de aprendizagem únicas e inovadoras capazes de gerar poderosas ideias por meio das próprias pessoas da comunidades que pensem maneiras de transformar suas próprias vidas.

Por oferecer  programas inovadores, serviços, espaços e coleções, é conhecida por muitos apaixonados pelas bibliotecas em todo o mundo. Foi nomeada uma   Biblioteca  Estrela da América pelo prêmio da Library Journal  por seis anos, e é a casa da  primeira biblioteca Makerspace  nos Estados Unidos.

O discurso e as ações efetivas como capacitações, palestras e visitas técnicas com foco em inovação é possível devido a realização de parcerias com as indústrias e outros espaços fora da biblioteca, e influenciou bibliotecas e ações biblioteconômicas em escalas locais, nacionais e internacionais. Como o oferecimento de  cursos Hands on (expressão do tipo “mão na massa” ou “aprender fazendo”) com recursos para  apoiar o desenvolvimento das habilidades de crianças e adolescentes da comunidade. A seguir, apresento a lista de como estão planejados:

Programas de aprendizagem e desenvolvimento de habilidades em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática

Oferecem clubes e programas pós-escola (algo como atividade de reforço ou extra-classe), tais como:

  • Tinker Tots/ Brinquedos de funilaria: Crianças de 2-6 anos. Exploram um tema por mês e têm oportunidades para aprender, explorar e inventar através do jogo de aprender relacionados.
  • Little makers/Pequenos costrutores: Para crianças de 5-8 anos. Facilitam o desenvolvimento do pensamento crítico, por meio da resolução de problemas explorando habilidades por meio do reforço do ensino de matemática e ciências.
  • Lego Brainstorms: Para estudantes de 3 a 5 série (8 a 10 anos). Uma introdução ao LEGO através de desafios de programação robótica seguido de uma missão.
  • Creation Club Jr./Clube de Criação Jr:. Para estudantes de 3 a 5 série (8 a 10 anos) aprenderem a criar e editar vídeos, podcasts, imagens, modelos 3D e muito mais.
  • Coding Club/Codificação Club: Para estudantes de 3 a 6 série (8 a 12 anos) aprenderem a criar seus próprios jogos, websites e mais usando Code.org, Scratch e outros recursos.
  • Geek Girl Camp/ Acampamento de meninas geek: Uma oportunidade de uma semana para as meninas de 3 a 5 série (8 a 10 anos) ficarem encantadas por assuntos geek,  isso inclui quadrinhos, livros, tecnologia, etc. Com muita diversão, fazem projetos e se inspiraram com mulheres nas área de Ciência e Tecnologia.
  • Minecraft and Coding/ Minecraft e Codificação: Este programa é para adolescentes na 6 ª série (12 anos) com interesse em aprender como codificar para Minecraft com o recurso Forge.
  • Mission Lego/Missão Lego: Orientado para estudantes de 5 a 8 série (10 a 14 anos) possam aprender a construir e programar robôs LEGO  e então completar missões específicas.
  • Teens Make/ Adolescentes fazem: Um programa de formação em artesanato e manualidades para adolescentes, com projetos diferentes a cada semana.
  • 3D Printer Certification/ Certificação Impressora 3D: Introdução a impressão 3D. Depois de certificado, o usuário pode entrar e imprimir as coisas que projetou.
  • 3D Design Classes/ Classes de design em  3D: adolescentes com mais de 12 anos e também adultos podem aprender a projetar  objetos 3D usando software como o SketchUp e Solidworks.

 

Manifiesto de la IFLA sobre las estadísticas de bibliotecas

Universo Abierto

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“Las bibliotecas y los servicios de información sirven a la sociedad mediante la preservación de la memoria, fomentando el desarrollo, lo que permite la educación y la investigación y apoyan la comprensión internacional y el bienestar de la comunidad.”

(Alex Byrne 2005)

“Manifiesto por las estadísticas “= IFLA Library Statistics Manifesto. The hague: IFLA, 2010

Texto completo

Ver además

El modelo de datos y definiciones del proyecto Global statistics for the 21st century

Este documento fue promovido por la entonces Presidenta Claudia Lux en la conferencia de la Sección en Montreal (Agosto de 2008). La idea era la de tener un documento aprobado que hablara de la importancia de las estadísticas bibliotecarias, ya que demuestran el valor que las bibliotecas suponen para sus usuarios y para la sociedad en general. Los datos estadísticos son indispensables para la gestión…

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Por que nosso futuro depende de bibliotecas, de leitura e de sonhar acordado

Uma palestra que explica porque usar nossa imaginação e providenciar para que outros utilizem as suas, é uma obrigação de todos os cidadãos publicado no The Guardian, em 15/10/2013. É uma versão editada da palestra do Neil Gaiman para a Reading Agency, realizada dia 14 de outubro de 2013 (segunda-feira) no Barbican em Londres. A série anual de palestras da Reading Agency começou em 2012 como uma plataforma para que escritores e pensadores compartilhassem ideias originais e desafiadoras sobre a leitura e as bibliotecas.

É importante para as pessoas dizerem de que lado estão e porque, e se elas podem ou não ser tendenciosas. Um tipo de declaração de interesse dos membros. Então eu estarei conversando com vocês sobre leitura. Direi à vocês que as bibliotecas são importantes. Vou sugerir que ler ficção, que ler por prazer, é uma das coisas mais importantes que alguém pode fazer. Vou fazer um apelo apaixonado para que as pessoas entendam o que as bibliotecas e os bibliotecários são e para que preservem ambos.

E eu sou óbvia e enormemente tendencioso: sou um escritor, muitas vezes um autor de ficção. Escrevo para crianças e adultos. Por cerca de 30 anos tenho ganhado a minha vida através das minhas palavras, principalmente por inventar as coisas e escrevê-las. Obviamente está em meu interesse que as pessoas leiam, que elas leiam ficção, que bibliotecas e bibliotecários existam para nutrir amor pela leitura e lugares onde a leitura possa ocorrer.

Então sou tendencioso como escritor. Mas eu sou muito, muito mais tendencioso como leitor. E sou ainda mais tendencioso enquanto cidadão britânico.

E estou aqui dando essa palestra hoje a noite sob os auspícios da Reading Agency: uma instituição filantrópica cuja missão é dar a todos as mesmas oportunidades na vida, ajudando as pessoas a se tornarem leitores entusiasmados e confiantes. Que apoia programas de alfabetização, bibliotecas e indivíduos e arbitrária e abertamente incentiva o ato da leitura. Porque, eles nos dizem, tudo muda quando lemos.

E é sobre essa mudança e este ato de leitura que quero falar hoje a noite. Eu quero falar sobre o que a leitura faz. O porquê de ela ser boa.

Uma vez eu estava em Nova York e ouvi uma palestra sobre a construção de prisões particulares – uma ampla indústria em crescimento nos Estados Unidos. A indústria de prisões precisa planejar o seu futuro crescimento – quantas celas precisarão? Quantos prisioneiros teremos daqui 15 anos? E eles descobriram que poderiam prever isso muito facilmente, usando um algoritmo bastante simples, baseado em perguntar a porcentagem de crianças entre 10 e 11 anos que não conseguiam ler. E certamente não conseguiam ler por prazer.

Não é um pra um: você não pode dizer que uma sociedade alfabetizada não tenha criminalidade. Mas existem correlações bastante reais.

E eu acho que algumas destas correlações, a mais simples, vem de algo muito simples. Pessoas alfabetizadas leem ficção.

A ficção tem duas utilidades. Primeiramente, é uma droga que é uma porta para leituras. O desejo de saber o que acontece em seguida, de querer virar a página, a necessidade de continuar, mesmo que seja difícil, porque alguém está em perigo e você precisa saber como tudo vai acabar… Este é um desejo muito real. E te força a aprender novos mundos, a pensar novos pensamentos, a continuar. Descobrir que a leitura por si é prazerosa. Uma vez que você aprende isso, você está no caminho para ler de tudo. E a leitura é a chave. Houve um burburinho brevemente há alguns anos atrás sobre a idéia de que estávamos vivendo em um mundo pós-alfabetizado, no qual a habilidade de fazer sentido através de palavras escritas estava de alguma forma redundante, mas esses dias acabaram: as palavras são mais importantes do que jamais foram: nós navegamos o mundo com palavras, e uma vez que o mundo desliza para a web, precisamos seguir, comunicar e compreender o que estamos lendo. As pessoas que não podem entender umas às outras não podem trocar idéias, não podem se comunicar e apenas programas de tradução vão tão longe.

Descobrir que a leitura por si é prazerosa. Uma vez que você aprende isso, você está no caminho para ler de tudo.

A forma mais simples de ter certeza de que educamos crianças alfabetizadas é ensiná-los a ler, e mostrarmos a eles que a leitura é uma atividade prazerosa. E isso significa, na sua forma mais simples, encontrar livros que eles gostem, dar a eles acesso a estes livros e deixar que eles os leiam.

Eu não acho que exista algo como um livro ruim para crianças. Vez e outra se torna moda entre alguns adultos escolher um subconjunto de livros para crianças, um gênero, talvez, ou um autor e declará-los livros ruins, livros que as crianças devem parar de ler. Eu já vi isso acontecer repetidamente; Enid Blyton foi declarado um autor ruim, R. L. Stine também, assim como dúzias de outros. Quadrinhos tem sido acusados de promover o analfabetismo.

É tosco. É arrogante e é burro. Não existem autores ruins para crianças, que as crianças gostem e querem ler e buscar, porque cada criança é diferente. Eles podem encontrar as histórias que precisam, e eles levam a si mesmos nas histórias. Uma ideia banal e desgastada não é banal nem desgastada para eles. Esta é a primeira vez que a criança a encontrou. Não desencoraje uma criança de ler porque você acha que o que eles estão lendo é errado. A ficção que você não gosta é uma rota para outros livros que você pode preferir. E nem todo mundo tem o mesmo gosto que você.

Adultos bem intencionados podem facilmente destruir o amor de uma criança pela leitura: parar de ler pra eles o que eles gostam, ou dar a eles livros ‘chatos mas que valem a pena’ que você gosta, os equivalentes “melhorados” da literatura Vitoriana do século XXI. Você acabará com uma geração convencida de que ler não é legal e pior ainda, desagradável.

Precisamos que nossas crianças entrem na escada da leitura: qualquer coisa que eles gostarem de ler irá movê-las, degrau por degrau, à alfabetização. (Além disso, não faça o que eu fiz quando a minha filha de 11 anos estava gostando de ler R. L. Stine, que foi pegar uma cópia de Carrie do Stephen King e dizer que se você gosta deste, adorará isto! Holly não leu nada além de histórias seguras de colonos em pradarias pelo resto de sua adolescência e até hoje me dá olhares tortos quando o nome de Stephen King é mencionado).

Precisamos que nossas crianças entrem na escada da leitura: qualquer coisa que eles gostarem de ler irá movê-las, degrau por degrau, à alfabetização.

E a segunda coisa que a ficção faz é construir empatia. Quando você assiste TV ou vê um filme, você está olhando para coisas acontecendo a outras pessoas. Ficção de prosa é algo que você constrói a partir de 26 letras e um punhado de sinais de pontuação, e você, você sozinho, usando a sua imaginação, cria um mundo e o povoa e olha através dos olhos de outros. Você sente coisas, visita lugares e mundos que você jamais conheceria de outro modo. Você aprende que qualquer outra pessoa lá fora é um eu, também. Você está sendo outra pessoa e quando você volta ao seu próprio mundo, você estará levemente transformado.

Empatia é uma ferramenta para tornar pessoas em grupos, que nos permite que funcionemos como mais do que indivíduos obcecados consigo mesmos.

Você também está descobrindo algo enquanto lê que é de vital importância para fazer o seu caminho no mundo. E é isto:

O mundo não precisa ser assim. As coisas podem ser diferentes.

Eu estive na China em 2007 na primeira convenção de ficção científica e fantasia aprovada pelo partido na história da China. E em algum momento eu tomei um alto oficial de lado e perguntei a ele “Por que? A ficção científica foi reprovada por tanto tempo. Por que isso mudou?”. É simples, ele me disse. Os chineses eram brilhantes em fazer coisas se outras pessoas trouxessem os planos para eles. Mas eles não inovavam e não inventavam. Eles não imaginavam. Então eles mandaram uma delegação para os Estados Unidos, para a Apple, para a Microsoft, para o Google e perguntaram às pessoas de lá que estavam inventando seu próprio futuro. E descobriram que todos eles leram ficção científica quando eram meninos e meninas. A ficção pode te mostrar um outro mundo. Pode te levar para um lugar que você nunca esteve. E uma vez que você tenha visitado outros mundos, como aqueles que comeram a fruta da fada, você pode nunca mais ficar completamente satisfeito com o mundo no qual você cresceu.

Descontentamento é uma coisa boa: pessoas descontentes podem modificar e melhorar o mundo, deixá-lo melhor, deixá-lo diferente. E enquanto ainda estamos nesse assunto, eu gostaria de dizer algumas palavras sobre escapismo. Eu ouço o termo utilizado por aí como se fosse uma coisa ruim. Como se ficção “escapista” fosse um ópio barato utilizado pelos confusos, pelos tolos e pelos desiludidos e a única ficção que seja válida, para adultos ou crianças é a ficção mimética, espelhando o pior do mundo em que o leitor ou a leitora se encontra.

Descontentamento é uma coisa boa: pessoas descontentes podem modificar e melhorar o mundo, deixá-lo melhor, deixá-lo diferente.

Se você estivesse preso em uma situação impossível, em um lugar desagradável, com pessoas que te quisessem mal e alguém te oferecesse um escape temporário, por que você não ia aceitar isso? E ficção escapista é apenas isso: ficção que abre uma porta, mostra o sol lá fora, te dá um lugar para ir onde você esteja no controle, esteja com pessoas com quem você queira estar (e livros são lugares reais, não se enganem sobre isso); e mais importante, durante o seu escape, livros também podem te dar conhecimento sobre o mundo e o seu predicamento, te dar armas, te dar armaduras: coisas reais que você pode levar de volta para a sua prisão. Habilidades, conhecimento e ferramentas que você pode utilizar para escapar de verdade.

Como J. R. R. Tolkien nos lembrou, as únicas pessoas que fazem injúrias contra o escape são prisioneiros.

Outra forma de destruir o amor de uma criança pela leitura, claro, é se assegurar de que não existam livros de nenhum tipo por perto. E não dar a elas nenhum lugar para que leiam estes livros. Eu tive sorte. Eu tive uma biblioteca local excelente enquanto eu cresci. Eu tive o tipo de pais que podiam ser persuadidos a me deixar na biblioteca no caminho do trabalho deles nas férias de verão, e o tipo de bibliotecários que não se importavam que um menino pequeno e desacompanhado ficasse na biblioteca das crianças todas as manhãs e ficasse mexendo no catálogo de cartões, procurando por livros com fantasmas ou mágica ou foguetes neles, procurando por vampiros ou detetives ou bruxas ou fantasias. E quando eu terminei de ler a biblioteca de crianças eu comecei a de adultos.

Eles eram ótimos bibliotecários. Eles gostavam de livros e eles gostavam dos livros que estavam sendo lidos. Eles me ensinaram como pedir livros das outras bibliotecas em empréstimo inter-bibliotecas. Eles não eram arrogantes em relação a nada que eu lesse. Eles pareciam apenas gostar do fato de existir esse menininho de olhos arregalados que amava ler e conversariam comigo sobre os livros que eu estava lendo, achariam pra mim outros livros em uma série deles, eles me ajudariam. Eles me tratavam como outro leitor – nem mais, nem menos – o que significa que eles me tratavam com respeito. Eu não estava acostumado a ser tratado com respeito aos oito anos de idade.

Mas as bibliotecas tem a ver com liberdade. A liberdade de ler, a liberdade de ideias, a liberdade de comunicação. Elas tem a ver com educação (que não é um processo que termina no dia que deixamos a escola ou a universidade), com entretenimento, tem a ver com criar espaços seguros e com o acesso à informação.

Eu me preocupo que no século XXI as pessoas entendam errado o que são bibliotecas e qual é o propósito delas. Se você perceber uma biblioteca como estantes com livros, pode parecer antiquado e datado em um mundo no qual a maioria, mas não todos, os livros impressos existem digitalmente. Mas pensar assim é errar o ponto fundamentalmente.

Eu acho que tem a ver com a natureza da informação. A informação tem valor, e a informação certa tem um enorme valor. Por toda a história humana, nós vivemos em escassez de informação e ter a informação desejada era sempre importante, e sempre valia alguma coisa: quando plantar sementes, onde achar as coisas, mapas e histórias e estórias – eles eram sempre bons para uma refeição e companhia. Informação era uma coisa valorosa, e aqueles que a tinham ou podiam obtê-la podiam cobrar por este serviço.

Nos últimos anos, nos mudamos de uma economia de escassez da informação para uma dirigida por um excesso de informação. De acordo com o Eric Schmidt do Google, a cada dois dias agora a raça humana cria tanta informação quanto criávamos desde o início da civilização até 2003. Isto é cerca de cinco exobytes de dados por dia, para vocês que mantém a contagem. O desafio se torna não encontrar aquela planta escassa crescendo no deserto, mas encontrar uma planta específica crescendo em uma floresta. Precisaremos de ajuda para navegar nesta informação e achar a coisa que precisamos de verdade.

Bibliotecas são lugares que pessoas vão para obter informação. Livros são apenas a ponta do iceberg da informação: eles estão lá, e bibliotecas podem fornecer livros gratuitamente e legalmente. Crianças estão emprestando livros de bibliotecas hoje mais do que nunca – livros de todos os tipos: de papel e digital e em áudio. Mas as bibliotecas também são, por exemplo, lugares onde pessoas que não tem computadores, que podem não ter conexão à internet, podem ficar online sem pagar nada: o que é imensamente importante quando a forma que você procura empregos, se candidata para entrevistas ou aplica para benefícios está cada vez mais migrando para o ambiente exclusivamente online. Bibliotecários podem ajudar estas pessoas a navegar neste mundo.

Bibliotecas são lugares que pessoas vão para obter informação. Livros são apenas a ponta do iceberg da informação: eles estão lá, e bibliotecas podem fornecer livros gratuitamente e legalmente

Eu não acredito que todos os livros irão ou devam migrar para as telas: como Douglas Adams uma vez me falou, mais de 20 anos antes do Kindle aparecer, um livro físico é como um tubarão. Tubarões são velhos: existiam tubarões nos oceanos antes dos dinossauros. E a razão de ainda existirem tubarões é que tubarões são melhores em serem tubarões do que qualquer outra coisa que exista. Livros físicos são durões, difíceis de destruir, resistentes à banhos, operam a luz do sol, ficam bem na sua mão: eles são bons em serem livros, e sempre existirá um lugar para eles. Eles pertencem às bibliotecas, bem como as bibliotecas já se tornaram lugares que você pode ir para ter acesso à ebooks, e audio-livros e DVDs e conteúdo na web.

Uma biblioteca é um lugar que é um repositório de informação e dá a cada cidadão acesso igualitário a ele. Isso inclui informação sobre saúde. E informação sobre saúde mental. É um espaço comunitário. É um lugar de segurança, um refúgio do mundo. É um lugar com bibliotecários. Como as bibliotecas do futuro serão é algo que deveríamos estar imaginando agora.

Alfabetização é mais importante do que nunca, nesse mundo de mensagens e e-mail, um mundo de informação escrita. Precisamos ler e escrever, precisamos de cidadãos globais que possam ler confortavelmente, compreender o que estão lendo, entender as nuances e se fazer entender.

As bibliotecas realmente são os portais para o futuro. É tão lamentável que, ao redor do mundo, nós observemos autoridades locais apropriarem-se da oportunidade de fechar bibliotecas como uma maneira fácil de poupar dinheiro, sem perceber que eles estão roubando do futuro para serem pagos hoje. Eles estão fechando os portões que deveriam ser abertos.

De acordo com um estudo recente feito pela Organisation for Economic Cooperation and Development, a Ingaterra é o “único país onde o grupo de mais idade tem mais proficiência tanto em alfabetização quanto em capacidade de usar ou entender as técnicas numéricas da matemática do que o grupo mais jovem, depois de outros fatores, tais como gênero, perfis sócioeconômicos e tipo de ocupações levados em consideração”.

Colocando de outro modo, nossas crianças e netos são menos alfabetizados e menos capazes de utilizar técnicas de matemática do que nós. Eles são menos capazes de navegar o mundo, de entendê-lo e de resolver problemas. Eles podem ser mais facilmente enganados e iludidos, serão menos capazes de mudar o mundo em que se encontram, ser menos empregáveis. Todas essas coisas. E como um país, a Inglaterra ficará para trás em relação a outras nações desenvolvidas porque faltará mão de obra especializada.

Livros são a forma com a qual nós nos comunicamos com os mortos. A forma que aprendemos lições com aqueles que não estão mais entre nós, que a humanidade se construiu, progrediu, fez com que o conhecimento fosse incremental ao invés de algo que precise ser reaprendido, de novo e de novo. Existem contos que são mais velhos que alguns países, contos que sobreviveram às culturas e aos prédios nos quais eles foram contados pela primeira vez.

Eu acho que nós temos responsabilidades com o futuro. Responsabilidades e obrigações com as crianças, com os adultos que essas crianças se tornarão, com o mundo que eles habitarão. Todos nós – enquanto leitores, escritores, cidadãos – temos obrigações. Pensei em tentar explicitar algumas dessas obrigações aqui.

Eu acredito que temos uma obrigação de ler por prazer, em lugares públicos e privados. Se lermos por prazer, se outros nos verem lendo, então nós aprendemos, exercitamos nossas imaginações. Mostramos aos outros que ler é uma coisa boa.

Temos a obrigação de apoiar bibliotecas. De usar bibliotecas, de encorajar outras pessoas a utilizarem bibliotecas, de protestar contra o fechamento de bibliotecas. Se você não valoriza bibliotecas então você não valoriza informação ou cultura ou sabedoria. Você está silenciando as vozes do passado e você está prejudicando o futuro.

Temos a obrigação de ler em voz alta para nossas crianças. De ler pra elas coisas que elas gostem. De ler pra elas histórias das quais já estamos cansados. Fazer as vozes, fazer com que seja interessante e não parar de ler pra elas apenas porque elas já aprenderam a ler sozinhas. Use o tempo de leitura em voz alta para um momento de aproximação, como um tempo onde não se fique checando o telefone, quando as distrações do mundo são postas de lado.

Temos a obrigação de usar a linguagem. De nos esforçarmos: descobrir o que as palavras significam e como empregá-las, nos comunicarmos claramente, de dizer o que estamos querendo dizer. Não devemos tentar congelar a linguagem, ou fingir que é uma coisa morta que deve ser reverenciada, mas devemos usá-la como algo vivo, que flui, que empresta palavras, que permite que significados e pronúncias mudem com o tempo.

Nós escritores – e especialmente escritores para crianças, mas todos os escritores – temos uma obrigação com nossos leitores: é a obrigação de escrever coisas verdadeiras, especialmente importantes quando estamos criando contos de pessoas que não existem em lugares que nunca existiram – entender que a verdade não está no que acontece mas no que ela nos diz sobre quem somos. A ficção é a mentira que diz a verdade, afinal. Temos a obrigação de não entediar nossos leitores, mas fazê-los sentir a necessidade de virar as páginas. Uma das melhores curas para um leitor relutante, afinal, é uma estória que eles não são capazes de parar de ler. E enquanto nós precisamos contar a nossos leitores coisas verdadeiras e dar a ele armas e dar a eles armaduras e passar a eles qualquer sabedoria que recolhemos em nossa curta estadia nesse mundo verde, nós temos a obrigação de não pregar, não ensinar, não forçar mensagens e morais pré-digeridas goela abaixo em nossos leitores como pássaros adultos alimentando seus bebês com vermes pré-mastigados; e nós temos a obrigação de nunca, em nenhuma circunstância, escrever nada para crianças que nós mesmos não gostaríamos de ler.

Temos a obrigação de entender e reconhecer que enquanto escritores para crianças nós estamos fazendo um trabalho importante, porque se nós estragarmos isso e escrevermos livros chatos que distanciam as crianças da leitura e de livros, nós estaremos menosprezando o nosso próprio futuro e diminuindo o deles.

Todos nós – adultos e crianças, escritores e leitores – temos a obrigação de sonhar acordado. Temos a obrigação de imaginar. É fácil fingir que ninguém pode mudar coisa alguma, que estamos num mundo no qual a sociedade é enorme e que o indivíduo é menos que nada: um átomo numa parede, um grão de arroz num arrozal. Mas a verdade é que indivíduos mudam o seu próprio mundo de novo e de novo, indivíduos fazem o futuro e eles fazem isso porque imaginam que as coisas podem ser diferentes.

Olhe à sua volta: eu falo sério. Pare por um momento e olhe em volta da sala em que você está. Eu vou dizer algo tão óbvio que a tendência é que seja esquecido. É isto: que tudo o que você vê, incluindo as paredes, foi, em algum momento, imaginado. Alguém decidiu que era mais fácil sentar numa cadeira do que no chão e imaginou a cadeira. Alguém tinha que imaginar uma forma que eu pudesse falar com vocês em Londres agora mesmo sem que todos ficássemos tomando uma chuva. Este quarto e as coisas nele, e todas as outras coisas nesse prédio, esta cidade, existem porque, de novo e de novo e de novo as pessoas imaginaram coisas.

Temos a obrigação de fazer com que as coisas sejam belas. Não de deixar o mundo mais feio do que já encontramos, não de esvaziar os oceanos, não de deixar nossos problemas para a próxima geração. Temos a obrigação de limpar tudo o que sujamos, e não deixar nossas crianças com um mundo que nós desarrumamos, vilipendiamos e aleijamos de forma míope.

Temos a obrigação de dizer aos nossos políticos o que queremos, votar contra políticos ou quaisquer partidos que não compreendem o valor da leitura na criação de cidadãos decentes, que não querem agir para preservar e proteger o conhecimento e encorajar a alfabetização. Esta não é uma questão de partidos políticos. Esta é uma questão de humanidade em comum.

Uma vez perguntaram a Albert Einstein como ele poderia tornar nossas crianças inteligentes. A resposta dele foi simples e sábia.

“Se você quer que crianças sejam inteligentes”, ele disse, “leiam contos de fadas para elas. Se você quer que elas sejam mais inteligentes, leia mais contos de fadas para elas”.

Ele entendeu o valor da leitura e da imaginação. Eu espero que possamos dar às nossas crianças um mundo no qual elas possam ler, e que leiam para elas, e imaginar e compreender.

Fonte original: Neil Gaiman: Por que nosso futuro depende de bibliotecas, de leitura e de sonhar acordado

20 cartazes vintage sobre livros e bibliotecas

cartazes vintage de bibliotecas

Uma coleção de cartazes sobre livros e bibliotecas vintage que vão desde o final do século 19 até a década de 50 do século 20. Pensadas para incentivar o hábito da leitura e a visita desses espaços.

Os cartazes foram projetados na maioria dos casos na primeira metade do século 20. Você verá exemplos não só dos EUA, mas também da Holanda e da Polônia.

Fonte original e que permite fazer o download dos cartazes: 20 vintage posters about books and libraries

As bibliotecas humanas onde se consultam pessoas em vez de livros

biblioteca humana

Biblioteca humana: pessoas reais, conversas reais.

É certo que nos últimos anos as bibliotecas vem apresentando mudanças significantes e isso não  se evidencia apenas com a tendência no desaparecimento dos catálogos em fichas impressas. O entendimento de biblioteca como um lugar cheio de livros onde pode acessar a informação está obsoleto e insisto em afirmar, o conceito de biblioteca que encontramos nos dicionários já não mais se aplicam por não ser suficiente.

Em postagens anteriores já falei da diversidade de coleções e coisas que podem ser encontradas no espaço de bibliotecas, como o  empréstimo de ferramentas de trabalho e de utensílios de cozinha.

O surgimento da ideia

biblioteca humana é uma experiência que iniciou com a ONG por jovens idealistas, denominada de “Stop the Violence” na  cidade dinamarquesa de Copenhaguem no ano 2000, dentro do Festival Roskilde ‒um dos  maiores festivais de verão na Europa. E desde esse primeiro momento a ideia já tinha o foco na anti-violência, encorajar o diálogo e ajudar a construir relações positivas  de tolerância e compreensão entre os visitantes do festival.

Naquele momento havia na Dinamarca uma grande concentração de pessoas de diferentes culturas, religiões, raças e então a população daquela região tinha um sentimento de invasão.

Em oposição a esta crença, deu-se forma à biblioteca humana, uma plataforma para promover o diálogo entre as pessoas que normalmente nunca falam, possibilitando, de certo modo o questionamento aos preconceitos e estereótipos, e contribuindo para o reforço da coesão social.

Atualmente a biblioteca funciona como projetos e permite que algumas ONGs ou pessoas utilizem a marca para realização de eventos com o nome Library Human em diferentes partes do mundo.

A coleção da biblioteca

Os  materiais consultivos porque não há como comparar aos livros numa Biblioteca Humana são pessoas reais, voluntárias, capazes de comunicar a sua realidade pessoal. A modo ilustrativo, é possível estabelecer contato com pessoas que foram vítimas de discriminação ou exclusão social e que estão disponíveis para se encontrar, num ambiente aberto, acolhedor e seguro, com um ou mais “leitores” interessados.

livros da biblioeca humana

No catálogo da própria biblioteca é possível identificar algumas “Pessoas informantes” denominados “Livros” pela instituição. Entre eles temos:

  • Transtorno bipolar
  • Vivendo com HIV
  • Refugiados
  • Mães solteiras
  • Abuso sexual
  • Naturistas
  • Relações poliamor
  • Surdos
  • Cegos
  • Desemprego
  • Lesão cerebral
  • Transtorno de estresse pós-traumático em soldados
  • Déficit de atenção / hiperatividade (TDAH/DDA)
  • Modificação extrema no corpo
  • Sem teto
  • Conversão religiosa

Metodologia da consulta

  • É um método planejado para promover o diálogo, reduzir preconceitos e estimular a compreensão.
  • Os encontros são uma oportunidade para a aprendizagem, tendo um papel importante na sensibilização sobre a importância dos direitos humanos para o bem-estar pessoal de todos.
  • Após escolher um tópico sobre o qual querem escutar, os “leitores” pegam no seu cartão de biblioteca e são conduzidos a uma área de discussão, onde conhecem os seus “livros”.
  • É riqueza está na possibilidade de questionar, tirar dúvidas: tornando a experiência engrandecedor para ambas as partes.

 

Bibliotecas em contextos indígenas

Educação indígena

Fotografia de Silvino Santos . Manaus: [1925].

De acordo com os dados mais recentes, existem no Brasil, 206 etnias distintas, cujo contingente populacional é constituído de aproximadamente 270.000 pessoas, o que em outras palavras significa, 0,2% da população nacional. Das 180 línguas existentes, mais de 60 são falados no Amazonas, sendo que muitas delas são exclusivas da região e dos países limítrofes (casos da língua Yanomami, Tukano, Waimiri Atroari etc).

No Amazonas, são 62 etnias diferentes, constituídas de aproximadamente 87.000 pessoas, as quais devem ser computados 12 grupos isolados (a maior parte na região do Vale do Rio Javari) e 52 “Terras Indígenas” sobre as quais não se tem registro, afora aqueles habitantes das três sedes municipais (os desaldeados), inclusive a capital, Manaus. Os 86.000 conhecidos ocupam 171 “Terras Indígenas”, que juntas compõem uma área de aproximadamente 28.190.262 hectares, o que equivale a mais ou menos 1/3 de todas as terras indígenas do País.

Então me questionei sobre a existência de bibliotecas em comunidades indígenas. Pensando no difícil acesso ás comunidades ribeirinhas e mesmo em como se dá a dinâmica de registro e salvaguarda das informações e do conhecimento produzido por esses povos. Sei que ocorre um processo de “democratização” maquiada uma vez que infiltram tais comunidades, se criam documentos, algumas vezes sem o cuidado de gerar relatórios que possibilitem a devolução em língua nativa e apresentam bibliotecas virtuais como se houvesse suficiente tecnologia e conexão a internet nestas. Ou seja, tem utilidade apenas como nova ferramenta de apoio à pesquisa, tornando o acesso mais ágil e eficaz às informações sobre as ações do indigenismo brasileiro.

Por sorte nem tudo está mal. Uma ação otimista vem sendo desenvolvida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) como parte do Programa Arca das Letras, uma iniciativa criada em 2003, que já implantou diversos acervos indígenas em vários Estados como se observa no gráfico a seguir.

biblioteca em contexto indígena-programaarcadasletras.png

Gráfico gerado a partir de relatórios do Arca das Letras.

Agora sigo com a curiosidade em saber de você leitor(a) se conhece ou desenvolve alguma atividade bibliotecária ou de promoção da leitura em contexto indígena.

Fontes:

http://portal.mda.gov.br/dotlrn/clubs/arcadasletras/one-community?page_num=0
http://www.mda.gov.br/arcadasletras/
http://www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/serie_memoria/72_etnias.php

 

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