Drag queen na biblioteca: seria possível aqui no Brasil?

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Imaginem o seguinte cenário: Uma fila de meninas e meninos, muitos vestidos com trajes de princesa ou fada e espremidos na Galeria de Arte da biblioteca, gritaram de volta em concordância. Do lado de fora da galeria, mais de cem pais e apoiadores que não conseguiam se encaixar no espaço esperavam.

Foi exatamente assim que aconteceu, tudo isto para participarem da Drag Queen Kids Party na Biblioteca Pública de Olean (cidade localizada no Estado americano de Nova Iorque, no Condado de Cattaraugus).

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Flo Leeta (@floleeta) animou parte da festa da biblioteca  por quase duas horas. Ela leu dois livros e dublou  “Let It Go” da Disney “Frozen”, e também “Cover Girl” de RuPaul. Ela então fez uma breve apresentação sobre gênero, durante a qual ela passou por um pouco da história feminina, e moda masculina e tentou explicar conceitos como fluidez de gênero.

“Você sabe como a água se move e não é uma forma? É assim que algumas pessoas são ”, disse ela, diante de uma projeção colorida de“ The Gender Spectrum ”.

O evento foi parte dos esforços da biblioteca para destacar o Pride Month para a comunidade lésbica, gay, bissexual, transexual e gay. Flo Leeta respondeu a perguntas tão simples quanto o tempo que levou para fazer sua maquiagem – duas horas e meia – e tão complexo quanto explicar o que é um bioqueen – uma drag queen que é uma mulher, que é diferente de um homem que retrata uma mulher como uma drag queen tradicional.

“Foi exatamente como em nossos sonhos”

Fala da a diretora da Olean Public Library, Michelle La Voie se referindo ao apoio da comunidade.

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Planejamento e gerenciamento de crise

Durante duas semanas antes do evento, a equipe da biblioteca recebeu muitos comentários negativos on-line, pelo telefone e pessoalmente. Eles também foram informados de que haveria um protesto no evento, que deveria incluir neonazistas – embora nenhum tenha aparecido na quarta-feira.

La Voie disse que ela e outros funcionários da biblioteca ficaram inicialmente muito desapontados com a negatividade em torno de sua decisão de sediar um evento de drag queen direcionado a crianças, e ela estava nervosa com o fato de as coisas ficarem fora de controle.

Mas sua atitude foi revirada pelas dezenas e dezenas de apoiadores que apareceram e pelos aplausos das crianças quando Flo Leeta perguntou se queriam que ela voltasse. “Não é como se minha fé fosse restaurada – é como se eu tivesse uma visão totalmente diferente dessa comunidade”, disse ela.

Aqueles que vinham como apoiadores – que ficavam em frente ao prédio três horas antes do evento – conversavam entre si enquanto usavam coisas como pinturas de arco-íris no rosto e alfinetes e camisetas pró-LGBTQ.

“Eu tenho duas mães e arrasto, e para mim é uma coisa enorme para alguém entrar na minha vida e dizer que está errado. Porque não é – é assim que vivemos nossas vidas ”.

SaJean Webb, 17 anos, saiu com sua família de Wellsville para apoiar a biblioteca depois de saber que haveria protestos. Informou ainda que estava feliz em ver a biblioteca realizar um evento especificamente para crianças com informações positivas sobre a comunidade LGBTQ.

Segurança

Embora um líder da Pensilvânia do National Socialist Movement tenha declarado publicamente que a organização estaria no evento, eles não compareceram. Autoridades policiais e de bibliotecas também disseram que não viram manifestantes do grupo neonazista na biblioteca na quarta-feira.

Os protestos permaneceram pacíficos, o que La Voie atribuiu à forte presença de policiais e simpatizantes. Cerca de oito policiais oleanos estavam presentes, incluindo o chefe de polícia Olean, Jeff Rowley, e um oficial da Polícia do Estado de Nova York.

No canto noroeste da biblioteca, do outro lado do estacionamento, de partidários, um grupo de menos de 10 manifestantes se reuniu com cartazes que incluíam declarações como:

“Deixe nossas crianças em paz!” E “Mantenha as crianças inocentes”. –

O manifestante Jonathan Smith, de Olean, questionou por que Flo Leeta estava aparecendo em seu traje de performance e não como um artista masculino Benjamin Berry, que traz o personagem à vida . Smith escreveu uma carta ao editor do Olean Times Herald contra o evento de leitura da drag queen na biblioteca, e disse que ele era especificamente contra uma organização financiada por fundos públicos que a hospedava.

“Se você quiser ler um livro de histórias para crianças, venha e faça”, disse ele no protesto. “Mas ele está sendo político como uma drag queen e isso já é uma coisa sexual, então isso adiciona um sabor sexual ao conceito de leitura de livros de histórias.”

 


Algumas considerações

Penso que a ideia é positiva no ponto de vista de trabalhar questões da bibliodiversidade, diversidade cultural e questões de gênero bem como o respeito ao próximo. Somado a isto, é super válido porque permite explorar o potencial artístico das dragqueens. Eu não consigo concordar com os posicionamentos que pude ler em algumas matérias que explicitavam que este tipo de atividade possui a  intenção de sexualizar e principalmente homossexualizar a sociedade.

Diante desta matéria gostaria de saber de vocês como leitor, como usuário de bibliotecas, como bibliotecários ou gestores de salas de leituras, projetos de promoção da leitura ou similares, o que pensam a respeito? Já li sobre casos do tipo nos Estados Unidos e na Suécia, mas nenhum caso brasileiro ou na região da América Latina e Caribe. Caso conheçam, por favor, compartilhem. 

Acreditam que esta prática poderia ser viabilizada? Gostaria muito de saber a opinião de vocês. 

 

Fonte inspiradora deste post: 

 

Política de comentários:

  1. Seja respeitoso e não ataque o autor, as pessoas mencionadas no artigo ou outros comentaristas. Aceite a ideia, não o mensageiro.
  2. Não use linguagem obscena, profana ou vulgar.
  3. Foque na questão. Os comentários que se desviarem do tópico em questão podem ser excluídos.

 

 

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Você trabalha em biblioteca escolar? Conheça o “Leitômetro”, uma proposta para estimular a leitura dos usuários de forma divertida.

 

 

 

Certamente a biblioteca escolar pode expandir sua atuação e ir para as sala de aula, transformando o espaço de ensino e aprendizagem ainda mais alegre e motivador. Esta ação favorece a aproximação dos alunos leitores (e dos não leitores também). Você, colega bibliotecário, poderá promover esta ação no próprio espaço da biblioteca ou em parceria com os professores.

Esta atividade pode ser recomendada para as séries iniciais, especialmente escolas com séries iniciais.

Como realizar a atividade

  1. Primeiramente, certifique-se de selecionar livros que sejam suficientemente atrativos e simples para estimular que sigam lendo: histórias, livros de enigmas e poesia, quadrinhos, enciclopédias para crianças, etc.
  2. Peça ao professor que identifique um canto na sala e que esteja arcado com cartaz alusivo ao leitômetro.
  3. Um dia por semana será estabelecido para a mudança de livro com cartaz informativo e visível colocado nesse espaço.
  4. Os empréstimos de livros semanais serão feitos para os alunos lerem em casa. Mas ainda pode ser solicitado ao professor que permita aos alunos realizarem a leitura em seu tempo livre na sala de aula, uma vez que tenham terminado o dever de casa.
  5. Cada aluno manterá um registro dos livros lidos em seu cadastro individual de usuário da biblioteca além do registro no leitômetro ou  para gamificar mais ainda, pode ser feito o passaporte da leitura.
  6. Cada aluno recebeu o seu Passaporte da Leitura, coloca a sua foto e seus dados pessoais na folha de identificação e recebem seus vistos de viagens pelo mundo da leitura e imaginação sempre que finalizar uma leitura.
  7. Pode ser coordenado com o professor o pedido aos alunos, que em algum dia da semana possam contar oralmente o conteúdo e/ou expressar sua opinião obre o livro, usando algum tipo de código (exemplo: estrelinhas).
  8. Como incentivo, a biblioteca poderá emitir ” diplomas para os melhores leitores” por bimestre, semestre ou conforme o projeto pedagógico.

file  Clique aqui para baixar e imprimir os materiais de apoio da atividade proposta

file Aqui tem os cartazes com as normas do leitômetro

Lembrando que aqui são sugestões, vocês podem e devem adaptar à realidade na qual atuam. Espero que possam por em prática. Eu ficaria muito contente em saber se puderam executar ou se já executam. Comentem e podem enviar fotos para o meu e-mail também.

 

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Conselhos de branding para bibliotecários: dicas para criar a sua marca pessoal

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Que o marketing se aplica a todos os lugares, isto ninguém duvida. Inclusive para nós como bibliotecários, ele pode ser muito útil para nos projetarmos no mercado de trabalho. Pensando nisto, hoje trago algumas ideias sobre uma ação de marketing que pode ser utilizada a nosso favor, o branding: uma ação de marketing. Segundo os profissionais do marketing, o brand/branding seria:

Uma marca ou brand é a percepção dos consumidores sobre um produto, serviço, experiência ou organização.

É possível que já tenhamos nos deparados com algumas das situações a seguir:

  1.  O mercado de trabalho ainda não sabe quem eu sou ou o que eu faço;
  2.  Ingressei no mercado de trabalho, mas ainda não possuo um posicionamento concreto dentro dele e tenho a sensação de estar “perdido” na carreira;
  3. Conheço o meu potencial e habilidades, mas ainda não aprendi a mostrar para o mercado como sou diferente dos demais profissionais na minha área.

“Quem não é visto,não é lembrado” (ditado popular)

Estou certo? Isto tem a ver com branding que é um sistema de comunicação que deixa claro porque a marca (eu) importo e fazer com que um potencial consumidor me perceba enquanto profissional como a única solução para o que ele busca e principalmente atrair esses consumidores para mim. Note: tem a ver com percepção. Lembram daquele ditado “Quem não é visto,não é lembrado”? Faz muito sentido aqui. Pensando nisto, sugiro que mostrem o seu valor como profissional bibliotecário. Mas é preciso que você não se esconda dentro de uma biblioteca ou atrás do balcão de referência. Considere investir tempo (E talvez algum recurso) para criar a sua presença digital, o seu desenvolvimento pessoal e sua rede de relacionamentos.

As três facetas da marca pessoal do bibliotecário são o nível de educação, competências e interesses. O gráfico a seguir ilustra a importância dessas três facetas essenciais na modelagem das características do bibliotecário como uma profissão significativa para os usuários e para a sociedade.

Quadro branding pessoal para bibliotecários

Fonte: Adaptado de BAHARUDDIN; KASSIM (2014)

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O amor é um elemento importante nesta equação de marca pessoal. É sobre estar
amando a si mesmo … amando os outros e amando o que faz. ” (RAMPARSAD, 2008, p.34, tradução nossa)

 

Como criar a sua marca? Que conselho de branding você sugere? 

 

Quem é você?

Primeiro, pense em como você quer ser percebido e onde você quer ir com sua carreira. Eu acredito e o que gosto de vender é: “Eu sou bibliotecário e sou a pessoa que sabe onde está a informação”. Podemos criar um estereótipo positivo, com algumas personalizações. Pense em que você pode ser útil ao outro. Quais são as habilidades que você tem e que pode contribuir para solucionar o problema do próximo.

Tenha boas ideias e atitudes positivas

Faça o que você é bom! Não adianta querer fazer isto ou aquilo pensando apenas na rentabilidade da coisa. Concentre-se em seus talentos e no que você gosta. Só é feliz quem faz o que gosta.  O sucesso de sua marca pessoal expressa seus pontos fortes. Invista em potencializá-lo, estimule criação de novas ideias a partir do pensamento e atitude positiva. Você atrairá muita coisa boa.

Seja foda no que você faz

Normalmente é usada a expressão: “seja bom no que faz” mas não teria a mesma expressividade que quero neste momento. Está intimamente ligado ao tópico anterior. Isto poque se você segue investindo em aperfeiçoamento profissional, com o passar do tempo, à medida que apresenta excelente trabalho,  ganhará uma reputação por fornecer um excelente serviço, a notícia se espalhará e essa boa reputação encorajará outros a buscar por você e a usar os seus serviços.

Conheça o seu público

Você é visto por públicos distintos e que podem ter mensagens diferentes de como você se apresenta. Normalmente minha marca como bibliotecário será reconhecida e usada por estudantes, instrutores, pesquisadores, docentes, colegas, gestores de biblioteca e talvez outras pessoas.  Não seja uma boa ideia mostrar um rosto diferente para cada público, no entanto, considere adequar a mensagem que você deseja enviar a cada grupo e como essas mensagens podem se complementar. 

Cuide da sua apresentação pessoal

O aumento de sua confiança é o que a marca pessoal pode fazer. No trabalho, eles são a marca e sua aparência é o seu logotipo pessoal. Além disso, a marca pessoal pode aumentar a visibilidade do bibliotecário. Para aumentar sua visibilidade, experimente usar algo com cores vivas.

Tenha um Site/Blog/Portfólio

Construa relacionamentos virtuais. Para ser visto e  “recuperável” pelo Google. Possíveis empregadores irão pesquisar lá.  É mais prático buscar na internet referências sobre o que buscamos. Se temos um bom posicionamento online fica fácil despertar interesse para que nos busquem pra  conversar e  encontramos pessoalmente. Considere criar um perfil no Linkedin, um site, blog, instagram profissional e informe o que você pode fazer.

Pesquise por si mesmo no Google com frequência

No modo anônimo (ou como visitante, dependendo do seu navegador) busque pelo seu nome e veja se você aparece e como aparece. Ora, se não aparece nada, pode ser preocupante pois se eu não possuo meu nome no Google, estou perdendo oportunidades. Os dias das primeiras impressões que começam com um aperto de mão acabaram e agora a pesquisa do Google costuma ser o primeiro lugar em que as pessoas procuram informações publicadas sobre você. Leia mais ou busque ajuda profissional para orientá-lo quanto ao Search Engine Optimization (Otimização para mecanismos de busca).

Seja oferecido!

Não menospreze o trabalho voluntário. Nele, embora não seja uma parceria que envolva troca financeira, pode ser uma porta para futuros clientes e ainda para aumentar sua rede de contatos. Se ofereça para fazer palestras, treinamentos, organizar acervos pequenos de igrejas, associações de bairro, etc.

Se você está formado há algum tempo e não consegue se inserir no mercado de trabalho, crie a oportunidade. Seja através de empreendedorismo, ou quem sabe desenvolvendo um trabalho voluntário, ou ganhando um pouco menos, pode ser altamente estratégico –  pense a longo prazo.

Lembre-se duas coisas: 1)As vezes é preciso perder para ganhar. 2) Estabelecer uma reputação consistente não acontece rapidamente. Logo, você precisa estar fazendo suas próprias oportunidades.


gratidão ao universo - bibliotecário - manaus

Quando os bibliotecários não parecem proativos, eles inadvertidamente retratam uma imagem que pode prejudicar sua própria capacidade de relevância. Na pior das hipóteses, um bibliotecário de referência passivo ou conservador pode ser visto como aquele que desempenha pouco mais que os deveres administrativos. Ou ainda uma considerado exigente e ligado a regras. Certamente não é isso que queremos, não é mesmo? Então seguindo o estilo de vida da colega, também bibliotecária Katty Anne Nunes “Thi, fala para o universo que ele te devolve”. Vamos mentalizar o estereótipo com efeito positivo (E que já existe na mente de algumas pessoas):

 Bibliotecários também são prestativos, atenciosos e inteligentes.

 

Espero que as dicas tenham sido válidas a vocês e que possam aplicá-las para a construção da marca pessoal como profissional.  Estejam certos de que esta é uma tentativa  importante de gerenciar ou controlar o que as pessoas pensam de nós bibliotecários e ampliar os traços positivos. Mando boas vibrações a vocês. Se quiserem compartilhar a experiência pessoal de vocês, deixe seu comentário. Ficarei contente em ler e trocar ideias.

 

Referências
RAMPERSAD, Hubert K.. A new blueprint for authentic and successful personal branding. Performance Improvement, Estados Unidos da América, v. 6, n. 47, p.34-37, 11 abr. 2008. Disponível em: <https://doi.org/10.1002/pfi.20007&gt;. Acesso em: 04 abr. 2018.
BAHARUDDIN, Mohammad Fazli; KASSIM, Norliya Ahmad. Conceptualizing Personal Branding for Librarians. In: VISION 2020: SUSTAINABLE GROWTH, ECONOMIC DEVELOPMENT, AND GLOBAL COMPETITIVENESS, 23., 2014, Valencia (Espanha). Conference Paper. Valencia (Espanha): Ibma, 2015. p. 38 – 44. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/281481121&gt;. Acesso em: 04 abr. 2018.

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Um rápido resumo para você saber o que aconteceu no XX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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O 20º Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), que aconteceu em Salvador/BA de 15 a 20 de Abril, contou com a presença de inúmeros profissionais que estiveram ali para discutir  e debater sobre sobre o tema “O Futuro da Biblioteca Universitária na perspectiva do Ensino, Inovação, Criação, Pesquisa e Extensão”. 

Este evento se consolidou há quatro décadas (1978) como referencial na temática e ocorre a cada dois anos e possibilita o intercâmbio de conhecimento e aproximação de profissionais dos diversos estados do Brasil. Senti falta de espaços formais para o debate, e isto mostra que o método de disseminação 1 para muitos não é mais  tão efetivo nos dias de hoje. Nota-se a necessidade de repensar a metodologia deste Seminário e inserir metodologia dialógica na dinâmica dos trabalhos.

A seguir, algumas considerações (muito  pessoais) sobre o XX SNBU:

  1. A possibilidade de reencontrar amigos e conhecer gente nova nos corredores e durante os almoços foi extremamente sensacional para aprender coisas novas, saber o que estão desenvolvendo em suas instituições e estabelecer projetos futuros. Destaco isto porque houve muitos trabalhos com enfoque demasiado acadêmico e teórico;repositório
  2. Resumo do congresso e o futuro da Biblioteconomia em uma palavra: repositórios. Aspectos de digitalização e gestão das coleções digitais (sobretudo sobre o autoarquivamento). O que é bom, está ficando uma prática consolidada e podemos perceber quais os pontos fortes e as debilidades para a implantação nas instituições. Cada um com a sua particularidade, obviamente e todos aprendendo coletivamente;bia-foto-PUC-RIO-bibliotecária-virtual
  3. Outro aspecto bastante apresentado foi as tecnologias mediando os serviços. Aplicação de ferramentas que auxiliam o serviço de referência virtual. Esta parte acompanhei mais de perto sobretudo porque é algo que me encanta: o uso de mídias sociais em bibliotecas não apenas como um mural informativo mas como serviço. Teve ainda aplicações de  chatbot para o auxílio de dúvidas sobre as normas da ABNT e  e a assistente virtual BIA – Bibliotecária Interativa Automazida das Bibliotecas da PUC-Riobibliotecário-educador
  4. Bibliotecários como educadores e colaboradores para fomentar a competência em pesquisa. Nisto, considera-se as bibliotecas como espaço para descobrir, usar e criar coisas. Facilitando o acesso às diversas fontes internas e externas de informação disponíveis.
  5. A Agenda 2030 é o foco do momento, com os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas 169 metas que compreendem os aspectos econômico, social e ambiental. Nós bibliotecários nos enquadramos perfeitamente no objetivo 16.10 que é referente à capacidade de usar a informação e pensar em aspectos de preservação da mesma para ser acessada no futuro. E nisto se aplica pensar e promover conteúdos acessíveis para que ocorra de fato a democratização do acesso a informação que ainda deixa muitos à margem, logo, acessibilidade não deve ser resumida à adequação do espaço físico mas considerar materiais assistivos.objetivos_agenda2030-port
  6. Bibliotecários amam brides e disputam loucamente por eles. A estratégia dos estandes funcionaram bem, sobretudo para o sorteio de ursinhos, o destaque da vez foi famoso ursinho Bê da Biccateca que causou euforia nos que estavam presentes. benosnbu.png

 

Estas foram as percepções, isto posto é muito importante entender que as bibliotecas universitárias precisam ser formadas por equipes multidisciplinares para que possam desbravar as opções que têm potencial para desenvolver, reinventando-se constantemente. Inovando enquanto serviços dinâmicos e não mais focada no espaço físico.

 

 

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Implementação e fortalecimento da biblioteca escolar. Pela qualidade educacional. Orientações gerais

A biblioteca escolar tornou-se o ambiente educacional onde leitura, escrita, oralidade, mídia e tecnologias de informação e comunicação ganham vida através de práticas pedagógicas, projetadas, conduzidas e encorajadas por professores bibliotecários*. Tendo em conta este princípio, é a biblioteca da escola um aliado transcendente das políticas de qualidade da educação, que é por isso que é esperado que até 2018, pelo menos 40% dos estabelecimentos de ensino que prestam serviços para níveis de ensino, conte com ela Para alcançar este objetivo, o Plano Nacional de Leitura e Escrita, Ministério da Educação Nacional da Colômbia, apresenta este documento, diretrizes gerais para a implementação, consolidação e fortalecimento da biblioteca escolar, sob uma visão flexível.

Esta publicação tem como objetivo descrever as possibilidades e modelos desses cenários educacionais e propõe linhas, a partir de uma perspectiva flexível, adaptável a todas as realidades. É, ao mesmo tempo, um convite para decidir e projetar, ou avançar, no processo de constituição, consolidação e melhoria contínua das bibliotecas escolares. Sua implementação é uma decisão autônoma, mas apenas aqueles que sabem sobre seu impacto na aprendizagem, sobre a ressignificação da leitura pelos alunos, sobre o aprendizado de novas formas, meios e formas de acessar informações, o que é essencial para consolidar esse cenário pedagógico na instituição de ensino.

*Professor bibliotecário – é uma designação comum na Argentina, Colômbia, Portugal e Venezuela. Acredito que no Brasil, seria um bibliotecário que atua ou que tenha especialização em biblioteca escolar. Os professores bibliotecários asseguram na escola, o funcionamento e gestão das bibliotecas, as atividades de articulação com o currículo, de desenvolvimento das literacias e de formação de leitores.

Universo Abierto

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Implementación y fortalecimiento de la biblioteca escolar. Por la calidad educativa. Orientaciones generales. [e-Book]  Bogotá, Ministerio de Educación de Colombia, 2016

Texto completo

La biblioteca escolar se ha convertido en el escenario educativo donde la lectura, la escritura, la oralidad, los medios y las tecnologías de la información y la comunicación toman vida a través de prácticas pedagógicas, diseñadas, lideradas y dinamizadas por los docentes bibliotecarios. Teniendo en cuenta este principio, es la biblioteca escolar una aliada trascendente de las políticas de calidad educativa, motivo por el cual se espera que para el año 2018, al menos el 40% de los establecimientos educativos que prestan sus servicios por grados y niveles, cuenten con ella. Para lograr este propósito, el Plan Nacional de Lectura y Escritura, Ministerio de Educación Nacional de Colombia,  presenta este documento, orientaciones generales para la implementación, consolidación y fortalecimiento de la biblioteca escolar, bajo una mirada…

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3 motivos pelos quais a universalização da biblioteca escolar não está funcionando

Proposta de biblioteca escolar

PROPUESTA – biblioteca escolar. Fotografia de Carolina Bacigalupe. 2007. 1 fotografia, color. Disponível em: . Acesso em: 02 abr. 2018.

2020 está chegando e com ele esperamos que os gestores públicos se sensibilizem com a causa. Estou falando: da lei 12.244/2010 que dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País. Um aspecto que tem chamado a atenção é o fato de que esta lei determina um prazo de dez anos para que as escolas se adequem as exigências, mas não relatam o que irá acontecer a quem ignorar tais determinações. Afinal de contas, faltam apenas dois anos.

Art. 2o  Para os fins desta Lei, considera-se biblioteca escolar a coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura.

Segundo Bernadete Campello (2012) a publicação da Lei n. 12.244/2010 foi resultado de um esforço da classe bibliotecária que, há longo tempo, vem denunciando a falta de bibliotecas nas escolas e a precariedade das poucas que existem, situação comprovada por diversos estudos.

No entanto, nota-se que a lei não assume o conceito de biblioteca escolar aceito pela comunidade acadêmica e pelas organizações que se preocupam com o caráter educativo da biblioteca como espaço de aprendizagem. Particularmente, gosto muito do que diz as Diretrizes da Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) para a Biblioteca Escolar porque ela é mais abrangente que a lei, pois nos apresenta a ideia do espaço cuja organização e funcionamento precisam ser entendidos,  mas sobretudo deve ser um espaço que precisa ser apreciado.

Biblioteca escolar é “um espaço de aprendizagem físico e digital, onde a leitura, o questionamento, a pesquisa, o pensamento, a imaginação e a criatividade são centrais para conduzir o estudante na sua trajetória da informação para o conhecimento, em direção ao seu crescimento pessoal, social e cultural (IFLA School
Library Guidelines, 2015, p. 16).

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Cover Art Archive: um imenso arquivo on-line de capas de discos

Internet Archive Cover Art 01

O projeto Cover Art Archive visa disponibilizar imagens de capas de álbuns e singles ao público “de uma forma organizada e conveniente”. Iniciativa do site de metadados de música MusicBrainz e o arquivo de conteúdo online Internet Archive.

Acesso em: https://archive.org/details/coverartarchive&tab=collection

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E se efetivamente tivéssemos bibliotecas públicas?

Tive um sonho onde existia um site da Biblioteca Pública do Estado do Amazonas e estava congestionado porque os pais de alunos queriam se registrar e ter um cartão da biblioteca (nem sei se ainda existe o cartão atualmente). Mas por qual motivo? Basicamente para economizar e garantir entretenimento e lazer sem gastar muito mais além dos milhares de impostos que já pagam anualmente.

Carteira de usuário. Biblioteca Pública do Amazonas. Disponível: http://noamazonaseassim.com.br/biblioteca-estadual-do-amazonas/

Certamente se as bibliotecas públicas brasileiras fossem efetiva em cumprir o seu papel bem mais além do empréstimo de livros, elas seriam atrativas às comunidades.

Trabalharemos aqui com a situação hipotética (mas não utópica, porque já há casos aqui no Brasil), onde o cartão de biblioteca oferece acesso gratuito não só a livros, mas também a livros eletrônicos, CDs, DVD e videogames, bem como espaços para artistas que estimulam a criatividade e os computadores que contêm valiosas ferramentas de pesquisa, como bancos de dados e arquivos de revistas e jornais.

Lindo né?! Para aqueles que não têm acesso a computadores em casa, uma biblioteca é um recurso essencial. Este espaço oferece recompensas ricas em desempenho acadêmico e aprendizagem ao longo da vida. Eu acredito e conheço casos concretos presentes no livro Memórias Literárias, organizado pela amiga Prof. Dra. Evany Nascimento um livro de relatos dos alunos e as relações e as experiências que os indivíduos possuem com o livro, com a literatura e as bibliotecas desde os primeiros livros que leram até a chegada na universidade.

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Pensar a biblioteca como um espaço de convivência, proporcionado eventos que vão desde momentos como a contação de histórias para bebês, ou histórias musicalizadas, bate-papo informativo, oficinas e cursos. Atividades que proporcionem desenvolver  talentos, habilidades ou interesses especiais.

Seria bem interessante oferecer incentivos, como ocorre com os clubes e associações onde poderiam oferecer brindes como sacolas e livros para os usuários assíduos ou aos novos membros. As empresas locais poderiam propor parcerias com as bibliotecas, oferecendo recompensas como descontos aos que mostram o cartão da biblioteca.

Realmente as bibliotecas podem ajudar a economizar uma grana ao fim do mês. Eu, por exemplo, poderia emprestar em vez de comprar um livro ou um joguinho novo. Imagina, quanto nós poderíamos economizar durante o ano?

O primeiro passo é aceitar que a biblioteca não é lugar apenas para livros. O segundo passo é ver o interesse dos atores: governo, gestores e bibliotecários em promover esses tipos de ações. O terceiro, é a comunidade compreender que ela faz parte, e esses locais são construídos para ela, portanto, devem ocupá-los, fazer o bom uso.

 

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Conheça as melhores práticas de museus e exposições virtuais

O projeto Unplace pretende discutir o conceito de “museografia intangível”, no campo das exposições de arte contemporânea, especificamente produzidas para contextos virtuais e em rede.

Conscientes que o  fenômeno de mediatização e globalização alterou uma série de paradigmas nas instituições museológicas, enquanto atrações turísticas e lugares de dinamização urbana e cultural ao longo das últimas duas décadas, fazendo emergir projetos de museus e exposições virtuais, sediados na Internet – tendo o ciberespaço como lugar para pensar o design das exposições, de curadoria, trazendo portanto discussões sobre Arte Digital ou a Internet Art.

Nesse sentido temos as principais plataformas colaborativas internacionais, como o Google Art Project ou, o MatrizNet (catálogo coletivo on-line de 34 museus da Rede Portuguesa de Museus), seguem também essa via, situando-se assim claramente no domínio da simulação do preexistente, potenciado pela diversidade e pelo cruzamento de patrimônios com múltiplas localizações. Esse detalhe que realmente me chama a tenção: a possibilidade de descobrir conexões entre obras de arte. 

Para entender mais sobre o projeto Museu sem lugar acesse a página de publicações AQUI e faça o download do e-book MUSEUS SEM LUGAR: ensaios, manifestos e diálogos em rede e outros.

Aqui no Brasil, sei que os Museus do Futebol, da Casa Brasileira (até o momento não consegui visualizar as exposições virtuais) e o Afro Brasil, todos instituições do Governo do Estado de São Paulo, integraram recentemente o projeto mundial da Google Arts & Culture ‘We Wear Culture’ junto com mais de 180 museus em São Paulo, Nova York, Londres, Paris, Tóquio, Berlim e outras cidades ao redor do mundo.

É importante reconhecermos que a relação entre artistas e visitantes de museu se transforma com as tecnologias disponíveis. Inclusive há comunidades de artistas que se dedicam ao espaço virtual, seja produzindo obras para serem disponibilizadas na web ou ainda fazendo a curadoria de materiais nesse ambiente. O padrão de comportamento é construído coletivamente mas lembrem-se: as possibilidades são convergentes e não restritivas.

Quero destacar que uma não substitui a outra e há questões de preferências. Para os apaixonados por arte pode ser  vantajoso e realmente pode ser um público que quer mergulhar na observação sem sair de casa, é possível realizar diversas experiências virtuais 360º e aproximar a imagem em alta resolução. De outro lado há  os espectadores que preferem visitar os locais por acreditarem na interação e na vivência simbólica que transmite a narrativa histórica do lugar, seja: a cidade, o bairro, os edifícios e o entorno do museu; esses realmente querem a experimentação direta com o objeto  museológico.

Seguindo essa linha, escolhi opções para visitas de exposições virtuais:

  • Afro Brasil Dividido por meio de Núcleos temáticos, o acervo procura abranger aspectos da arte, da religião afro-brasileira, do catolicismo popular, do trabalho, da escravidão, das festas populares, registrando assim, a trajetória histórica, artística e as importantes influências africanas na construção da sociedade brasileira.

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  • Museu do Futebol Mais do que sobre esporte, o Museu do Futebol é, antes de tudo, um museu sobre a história do povo brasileiro. Um museu cercado pelos mistérios da euforia que todos temos pela bola, pelo drible e pelo gol. Um mistério que unifica e separa como as grandes paixões coletivas, onde as alegrias são sempre maiores que as tristezas.  Entre no feitiço de como um esporte inglês, branco e de elite, aos poucos ganhou novos traços: tornou-se brasileiro, popular, mestiço e uma das mais reconhecidas manifestações culturais do nosso país.

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  • Exposições virtuais do Arquivo Nacional é uma iniciativa da instituição para difundir seu acervo, compreendido entre o século XVI aos nossos dias, fundamental para o princípio democrático de acesso à informação pública e para a pesquisa em inúmeros campos do conhecimento.

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  • O projeto Era Virtual foi e continua sendo resultado da percepção de que nesta nova era da tecnologia das informações é essencial inovar, rever e reconstruir o modo de promover a cultura. Ao perceber o potencial de das visitas virtuais em promover as instituições beneficiadas, em 2013, decidimos desenvolver o projeto também para os parques nacionais e para as cidades com sítios considerados como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Navegue e descubra o nosso Brasil.

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  • Museu Evita (Argentina) O Museu Evita é um importante passeio para quem quer aprender mais sobre a história argentina e entender essa paixão do povo por Eva Perón, mulher tão marcante para o país. Hoje o local é um dos principais atrativos turísticos da cidade. Percorra toda a trajetória da grande heroína da Argentina, o museu traz fotos, roupas e documentos que fizeram parte da vida de Evita. O museu fica em um grande casarão em Palermo e é um dos passeios mais recomendados. 

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Você já fez alguma visita virtual incrível em algum museu não listado aqui? Comente aqui qual foi, também gostaria de conhecer.

 

6 coisas que aprendi na “Expedição Barco Biblioteca” e que podem ser úteis para você

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A leitura é um fator primordial para a vida em sociedade, mesmo assim muitas pessoas ainda não se apropriaram desse hábito. Essa temática vem sendo foco de várias pesquisas e eventos acadêmico-científicos, sempre com o objetivo de torná-la acessível a todos.

O Brasil apresenta largas distâncias entre seus Estados e municípios sofrem com a ineficácia na implantação de projetos. O Estado do Amazonas ocupa o maior espaço territorial do país, além disso, o transporte fluvial pelos rios é a única forma de acesso às comunidades.

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Mapa do Estado do Amazonas (Brasil) com seus 62 municípios. Imagem disponível em: http://www.guiageo.com/pictures/mapa-amazonas.jpg

Nesse contexto a Expedição Barco Biblioteca atua com uma atividade desenvolvida por um grupo de voluntários que visa levar a leitura para as comunidades do Amazonas que não possuem acesso de via terrestre, tentando alcançar e ganhar o maior número de leitores possíveis. Contribuindo para o processo de inclusão informacional a partir da prática da leitura e a democratização do acesso ao livro que são aspectos importantes na denominada sociedade da informação e do conhecimento.

Trata-se de um desafio, pois a leitura, condição que para muitos é considerada essencial, não está disposta para todos e há pessoas analfabetas que precisam ser incluídas na sociedade a fim de garantir sua participação como cidadão.

A metodologia dessa atividade surgiu em 2006 com o Instituto Ler para Crescer da Amazônia (ILPC), organização sem fins lucrativos, de atuação filantrópica em defesa dos direitos das crianças e adolescentes e que se ocupa com ações para comunidades menos favorecidas nos bairros da periferia de Manaus.

A ação arrecada recursos financeiros por meio de doações de amigos e familiares. Destaca-se que é uma atividade voluntária e estamos abertos para parcerias e mais voluntários para as próximas edições.

O Barco viaja pelos rios do Amazonas, promovendo ações em comunidades ribeirinhas – especialmente para as crianças que ali vivem. Tais atividades destacam a importância dos livros na vida cotidiana e abordam temáticas que valorizem a conscientização ambiental, já que estão inseridos no ambiente amazônico e também ao valorizar essa temática, cria-se um sentimento de identidade com a população visto que grande parte vivem a base econômica de agricultura e da pesca.

 

 

Nossa jornada teve início no dia 11 de agosto onde nos deslocamos para o município de Manacapuru localizado a 71 km da capital mas que faz parte Região Metropolitana de Manaus, no estado do Amazonas. No dia 12, partimos logo cedo do Porto de Manacapuru e voltamos à Manaus no final da tarde do dia 13.

Posso dizer que foi um final de semana revigorante para todos os marujos (maneira pela qual denominamos carinhosamente cada voluntário da atividade), acreditamos que  plantamos boas sementes e que em breve elas possam florescer e gerar bons frutos nas Comunidades: Águia de Sacambu, Nossa Senhora de Nazaré, São Paulo e São Pedro do Castanho.

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Após conversa com os marujos ,  chegamos a conclusão que aprendemos sobre:

  1. Reciprocidade. Vamos para ajudar mas na verdade  nós somos ajudados. Não somos mais as mesmas pessoas que éramos antes dessa atividade assim como as pessoas com as quais tivemos contato também foram impactadas e transformadas de alguma maneira. Fomos marcados e marcamos vidas, histórias, redesenhamos rumos.
  2. Conexões. Estabelecemos fortes conexões. A possibilidade da imersão faz com que trocamos ideias constantemente, compartilhando experiências de vida e aprendendo juntos a cada momento. Mesmo a maioria dos marujos  não se conheçam previamente, salvo poucos casos, ao final todos saem como se fossem amigos “a mais de 10 anos”. Isso porque as atividades são divididas por grupos e a rotatividade na execução das atividades e as dinâmicas facilitam o intercâmbio na medida que favorece o diálogo.
  3. União. Juntos somos mais fortes. Somos a soma de muitas experiências e podemos ser pontes para muitos, sobretudo para as pessoas menos favorecidas. Há quem diga que servimos de canal de alegria e conhecimento na vida daqueles pequeninos e pequeninas.
  4. Amor e solidariedade. O amor transborda. Essa foi a resposta inclusive para a imprensa. Os marujos transbordam amor o ano todo com seus pais. Dedicaram o final de semana para dividir amor com outras pessoas, com outras crianças e outros pais. Isso porque esse projeto social, mais que executado ele é vivido. Aqui o importante é a boa vontade: há que doar-se!
  5. Habilidades e talentos. Sempre há a ocasião certa para descobrir ou desenvolver talentos e habilidades. Ver como o outro me enxerga e como eu me vejo é ideal para reconhecer que não somos perfeitos mas podemos melhorar. O importante é  não focar nas nossas deficiências e sim no que sabemos fazer com louvor. E o que sabemos fazer bem deve ser compartilhado. Assim,  o barco é  uma oportunidade para se juntar com aquele colega que sabe fazer outra coisa que eu sou capaz de reconhecer que não sou tão bom mas me interessa desenvolver.
  6. A leitura como experiência. Ler ou escutar em voz alta é uma maneira de abrir os espaços para fora da realidade. A leitura permite um salto para um mundo onde a fantasia e a imaginação de um futuro passa a ser possível. Ela nos convida a isso quando nos apropriamos de fragmentos de espaços fictícios para ilustrar a nossa alma e criar novos lugares para viver. Quero dizer aqui, que projetamos belezas, fábulas, sonhos e maravilhas sobre a nossa vida cotidiana.

Que possamos multiplicar essa corrente do bem, que possamos ser mediadores de leitura saindo de barco, de ônibus, a pé… Que sejamos luz e alegria nesse mundo.

Informamos aos leitores do blog que em breve vocês poderão replicar a experiência. Poderão se juntar com um grupo de amigos, familiares e outros que acreditam na ideia e desenvolver a atividade. Em breve divulgaremos o Manual para realização do Barco Biblioteca, detalhando as atividades.

Se você tem interesse em viver essas experiências, fique atento para as próximas edições. Provavelmente não vai ser como você imagina, vai ser muito melhor.