19 tendências futurísticas em bibliotecas e serviços bibliotecários segundo a ALA

Enquanto leio discursos sobre a importância da leitura do livro e das bibliotecas, sei que por outro lado, no mundo real, há falta de orçamentos e o esquecimento do lugar que deveria ser essencial nas escolas. Mas não é para desanimar, esse futuro não está longe. É hora de reinventar-se!

Pensando nisso a ALA (American Library Association), através de seu Centro para o Futuro das Bibliotecas, está trabalhando para identificar novas tendências relacionadas com as bibliotecas e as comunidades a que servem. Tal medida busca promover técnicas de inovação que favoreçam os bibliotecários e construir parcerias com expertos e inovadores que ajudem as bibliotecas em questões emergentes.

#Organização e Classificação de Tendências

As tendências estão organizadas em sete categorias – Sociedade, Tecnologia, Educação, Meio Ambiente, Política e Governo, Economia e Demografia.

#Quantas oportunidades de futuro restam as bibliotecas?

19 Tendências em bibliotecas segundo ALA

1) Envelhecimento da sociedade

Os adultos podem continuar a trabalhar idades de aposentadoria tradicionais passadas.Para bibliotecas, isso pode significar uma mudança no perfil de seus usuários, especialmente em bibliotecas universitárias, médicas e especiais, e no perfil dos bibliotecários e profissionais de biblioteca. Presume-se  uma demanda por atividades de lazer para preencher o tempo dos adultos mais velhos.

2) Anonimato 

As bibliotecas e os bibliotecários podem preencher uma necessidade crescente de diálogo aberto e informações respeitáveis. Para alguns usuários, o anonimato proporciona oportunidades de discussão mais profunda e revelação pessoal. A mídia social fornece uma plataforma para partilhar informações amplamente com os amigos, familiares e público. No entanto, muitos dos aplicativos mais populares, nomeadamente Facebook, Twitter e Google, liga as comunicações para um perfil individual autenticado e  são rastreáveis.  

3) Impacto coletivo

As bibliotecas e bibliotecários são considerados colaboradores chave em projetos sociais, como a alfabetização. Portanto, devem alinhar-se com grandes organizações ou governo para esse tipo de tema.

4) Aprendizagem conectada

Estimular a exploração e interação com os recursos que para envolvam os estudante sobre benefícios fundamentais  das bibliotecas. Os estudantes poderão lograr melhores resultados quando se sentem apoiados e reforçados em outros cenários que não seja simplesmente a sala de aula e a escola.

5) Dados em todas as partes

As bibliotecas podem encontrar oportunidades de utilizar os dados para seus próprios fins ou para compartilhar com empresas, governos ou outras organizações ainda que este cenário possam trazer problemas com a privacidade dos usuários.  De igual maneira, se utilizados com inteligência, poderão ser utilizados para desenvolver, criar e promover conteúdo.  

6) Nativos digitais

 As bibliotecas e bibliotecários devem estar preparados para adaptar serviços e programas segundo as necessidades desta tipologia de usuários.  

7) Drones

Poderiam ajudar  para melhorar o acesso a Internet em zonas desatendidas, melhorar esforços de divulgação , entrega de recursos e ainda conectar pessoas por vídeo. Também são muito questionados pelos temas que envolvem a privacidade e há alguns problemas na segurança. 

8) Os “jovens adultos

As bibliotecas e  bibliotecários também tem que olhar com atenção a esse grupo de usuários que saem da adolescência mas que não necessariamente tem que ser considerado já como adultos.  

9) “Fast casual

É igual aos serviços de comida rápida, as bibliotecas devem aproveitar esse nicho para criar espaços mais ativos e sociais, mais que decoração (que pode ser um plus), é interessante desenvolver serviços que criem boas experiências e que faça ter um sentido de pertinência que toda organização busca (ou deveria buscar).

10) Aprendizagem agregada

Ofertar serviços extras a estudantes através de recursos na própria biblioteca. Recursos como oficinas, conversas informativas,  sessões de ensino, videoconferências, vídeos, etc. 

11) Gamificação

As bibliotecas, como espaços reconhecidos de aprendizagem, podem impulsar o acesso a informação por meio da aprendizagem e o descobrimento através de pequenos jogos ou instruções a fim de motivar os usuários. Estimular aprendizagem e descoberta promovida por jogos. Utilizar a biblioteca como espaço de reunião, ajudando a melhorar as habilidades sociais dos jogadores, incentivar a jogar juntos em pequenos ou grandes grupos. E principalmente: construir consciência, fazer perguntas, e processar o que está sendo aprendido através da brincadeira.

12) Internet das coisas

Os dados coletados podem ser utilizados por investigadores para identificar tendências ou padrões na sociedade de que não seria possível de outro modo.

13) Movimento maker: faça você mesmo

As bibliotecas proporcionam acesso a materiais criados por outros, agora é a hora de adotar novas funcionalidades proporcionando às comunidades a oportunidade de criar conteúdos na própria biblioteca e que poderão ser inseridas na coleção.

14) Mudança de privacidade 

Os usuários das bibliotecas necessitarão ajuda a respeito dos temas de sua privacidade pessoal de sua privacidade pessoal. O ideal é encontrar um ponto médio entre compartilhar informação e conservar a privacidade.  

15) Resilência

As bibliotecas podem ter que adaptar suas instalações, serviços e programas para demonstrar uma estratégia flexível. Sobretudo, os profissionais podem ser sócios ideais em apoiar as pessoas a adotarem práticas flexíveis em suas comunidades. 

16) Robôs

A crescente introdução a robôs nos postos de trabalho faz que haja um deslocamento nos postos laborais das pessoas. As bibliotecas devem ter um papel importante no desenvolvimento de novas habilidades para esse tipo de trabalhadores e melhorar as habilidades para que os trabalhadores possam fazer a transição a novas funções e assumir outras responsabilidades em ambientes onde os robôs assumem uma parte significativa do fluxo de trabalho. 

17) Economia compartilhada ou colaborativa

As bibliotecas tem que seguir sendo líderes em por a disposição de seus usuários recursos e espaços livres. Necessitam mudar e se adaptar para manter a satisfação de seus usuários.  Podem ter a oportunidade de se alinhar com o intercambio de serviços que promovam o bem social.

18) Desconexão

As bibliotecas tem que seguir sendo espaços para seus usuários. Buscar tranquilidade, desconexão, concentração e reflexão de alguns usuários.  Portanto, pensar em espaços múltiplos e para fins diversos, mas não esquecer dos típicos usuários que precisam de silêncio ou mesmo os que queiram “zonas livres de dispositivo” para realizar uma  desintoxicação digital.

19) Urbanização

As bibliotecas das grandes cidades tem que estar preparadas para assumir um papel importante no desenvolvimento econômico e para enfrentar desafios de aumento de demanda por qualquer razão, podendo ser uma delas, o desemprego da população. É importante adaptar-se as necessidades da cidade.

Fonte original:
Trends“, American Library Association, Agosto 8, 2014.
http://www.ala.org/transforminglibraries/future/trends (Acesso em: 5 de Maio, 2015)

10 idiomas mais presentes na internet e a sociedade da informação

Recentemente em discussão sobre a produção de conteúdos em língua portuguesa, comentamos que esta língua já figura como a quinta mais presente na Web. Mesmo que que a língua inglesa tenha um uso mais comum na produção de conteúdos publicitários ou acadêmicos disponibilizados o português vem ganhando espaço, sobretudo, devido ao crescimento da utilização da Internet em países como o Brasil, Angola e Moçambique.

Pensando nisso, fui em busca de mais informações. De acordo com pesquisa subsidiada pelo Internet World Stats no ano de 2014, podemos observar as últimas estimativas para usuários de Internet por língua:

idiomas na internet 2014

 

Brasil domina o mercado de Internet da América Latina em termos de número de usuários.

Em nível global o Brasil se posiciona em quarto lugar, ficando atrás de China, Estados Unidos e Índia, respectivamente.

Em termos de penetração, que ocupa aproximadamente o terceiro lugar, atrás de Uruguai e Chile e ligeiramente à frente da Argentina.

Brasil é o país onde mais de um terço de todos os usuários de celulares na América Latina e no Caribe.

número de usuários na internet américa do sul

Com as possibilidades diversas da forma de pagamento, a classe média do país está se tornando um consumidor cada vez mais desejoso de computadores e  smartphones.

Segundo informações divulgadas na Pesquisa de Mídia Brasileira 2015, divulgadas em 19/12/2014 pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, os brasileiros já passam mais tempo navegando na internet do que na frente da TV.

gasto de tempo na internet

Brasileiros gastam em tempo médio conectados à internet :

  • 4  horas e 59 minutos por dia usando a internet durante a semana.
  • 4 horas e 24 minutos/dia nos fins de semana.
  • 76% acessam a rede todos os dias.
  • O pico de uso é às 20h, tanto nos dias úteis quanto nos fins de semana.
  • Jovens com até 25 anos, 63% acessam a internet todos os dias.
  • Adultos com 65 anos ou mais, o percentual de acesso cai para 4%.
  • 8% estudaram até a 4ª série acessam a internet pelo menos uma vez por semana.
  • Aumenta para 87% o acesso a internet entre os que têm ensino superior.
  • Entre os internautas, 92% estão conectados por meio de redes sociais, sendo as mais utilizadas o Facebook (83%), o Whatsapp (58%) e o Youtube (17%), Instagram (12%) e Google+ (8%). O Twitter, foi mencionado por apenas 5% dos entrevistados.

Esse post realmente me chama atenção como profissional da informação e é entender os fatos existentes atrás dos números. É preciso analisar sobre o que as pessoas acessam na rede, se sabem buscar informações e mais que isso: sabem como tirar proveito do que existe de bom na rede, separar informações relevantes das não relevantes.

Embora a pesquisa e a observação empírica permita afirmar que  67% acessam a rede em busca de informações ou notícias, mesmo percentual dos que dizem entrar na internet para buscar entretenimento (pergunta de múltiplas respostas).

Democratizar o acesso não significa o mesmo que incluir a todos, logo, não podemos seguir estimulando um discurso que não é retrata a realidade de que todos ou grande parte possuem acesso e sim perceber se sabem utilizar as ferramentas disponíveis e se o governo contribuiu fomentando projetos de promoção a cidadania e coesão social.

Existe um mundo de possibilidades com a web e pode ser explorada de forma pedagógica para dar suporte a educação, formal continuada ou a distância. Mesmo porque não podemos pensar apenas nos nativos digitais pois há que considerar a existência de pessoas que precisam ser alfabetizadas, capacitadas para então conseguirem ser inseridas na tal sociedade da informação*.


*Sociedade da Informação é a nomenclatura dada para os programas nacionais voltados às Tecnologias da Informação e Comunicação como forma de garantir sua utilização e distribuição para toda a população, para assegurar que as TIC não sejam mais um fator de exclusão social. O termo nasce em Portugal em meados da década de 1990 e vai ganhando força em todo o mundo. No Brasil, o projeto é finalizado entre 1999 e 2000. Em alguns países, o mesmo programa pode ser encontrado como “Sociedade do Conhecimento”.

Materiais relacionados:

 


Fontes consultadas:

http://www.budde.com.au/Research/Brazil-Mobile-Operators-Insights-and-Analysis.html
http://www.budde.com.au/Research/Brazil-Mobile-Market-Insights-Statistics-and-Forecasts.html
http://www.internetworldstats.com/sa/br.htm
http://www.internetworldstats.com/stats15.htm
http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2014-12/brasileiro-passa-mais-tempo-na-internet-que-vendo-tv
SANTOS, Plácida L.V.A; CARVALHO, Angela M. G. Sociedade da Informação: avanços e retrocessos no acesso e no uso da informação Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 45-55, jan./abr. 2009. Disponível em: <http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/1782/2687&gt;.