Serviço de informação sobre mercado de trabalho para as comunidades afrodescendente e LGBTTIQ no Brasil

Esta semana eu estava ouvindo um podcast bem interessante @podcastestamosbem e abordava questões referentes ao trabalho: inserção e ambiente de trabalho. Numa das falas me fez pensar numa questão que pode ser tratada a partir da perspectiva da Biblioteconomia Social especialmente na área de pesquisa do colega bibliotecário argentino Júlio Díaz-Jatuf o qual difunde amplamente estudos sobre acesso e uso das fontes de informação para  as comunidades LGBTTIQ (Lésbica, Gay, Bissexual, Transsexual, Transgênero, Intersexual, Queer).

Há normas nacionais e internacionais que estabelecem a responsabilidade de
diversas atrizes sociais, inclusive nas empresas, pela garantia de direitos humanos. No entanto, a responsabilidade social corporativa isolada não é suficiente para
proteger os direitos humanos, devido ser um processo de recrutamento e seleção permeado de métodos e técnicas mas mediado em parte por pessoa carregadas de crenças e valores subjetivos, devendo as empresas ir além para serem efetivas na oferta de empregabilidade de modo igualitário e favorecendo a redução das taxas de vulnerabilidade econômica e social para determinados grupos.

É verdade que ainda existem muitas brechas informativas e digitais em muitos cidadãos, sobretudo aqueles que encontram-se em contextos desfavoráveis ou que não conseguem ser atingidos pelas políticas públicas de informação, cidadania e inclusão.

Desta forma, vou elencar dois canais que tomei conhecimento:

  • EmpregueAfro – Empregabilidade para negros. É uma empresa de consultoria em Recursos Humanos focada em diversidade étnicoracial. A proposta da empresa é diminuir a taxa de talentos ofuscados pelo racismo, promovendo a igualdade no mercado de trabalho.
  • Transempregos – Empregabilidade para pessoas transgênero no Brasil. Possibilitando o acesso a oportunidades de trabalhos dignos e que lhes garantam os direitos trabalhistas como quaisquer outros cidadãos. Considerando que o preconceito e a falta de informação dos empregadores faz com que 90% das pessoas trans acabem trabalhando com prostituição ou salões de beleza, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (ANTRA). Não existem dados estatísticos sobre o número de transexuais, travestis e transgêneros empregados no mercado de trabalho brasileiro. “As travestis mulheres e homens trans que estão no mercado de trabalho não estão registrados com essa identidade de gênero. A maioria está registrada com o nome do seu RG”, afirma Keila Simpson, vice-presidente da ABGLT e presidente da ANTRA.

Penso que estas duas ferramentas podem auxiliar de alguma forma para que estes segmentos possam ser inseridos no mercado de trabalho formal e ampliar a diversidade dentro das empresas. Seria interessante o Sistema Nacional de Empregos (SINE) – coordenado pelo Ministério do Trabalho implantar ação similar dentro do Portal Emprega Brasil.

Espero que os colegas bibliotecários que desenvolvem Serviços de Informação para Comunidade (SCI) possam utilizar e difundir  uma vez que temos um amplo cenário de compromissos para cumprir e compartilhar. Se souberem de mais ferramentas, projetos ou coisas do tipo, deixa um comentário aqui. 😉


Oportunidade de capacitação gratuita:

Escola do Trabalhador

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Projeto que oferta qualificação profissional aos trabalhadores por meio de cursos feitos pela internet. Ela nasceu da constatação de que muitos trabalhadores desempregados não estavam conseguindo se colocar no mercado por falta de qualificação. É uma parceria do Ministério do Trabalho com a Universidade de Brasília (UnB).

  • Os cursos são gratuitos e podem ser acessados de qualquer computador do Brasil por qualquer trabalhador no endereço: http://escola.trabalho.gov.br
  • 50 cursos (divididos por eixos temáticos) definidos a partir do estudo do mercado de trabalho levando em conta as áreas onde há maior necessidade desses profissionais e falta qualificação.
  • Não há pré-requisitos para cursá-los.
  • Não existe escolaridade mínima exigida.
  • Os conteúdos serão compostos de textos, vídeos e jogos.
  • Emite certificado de participação.
  • Os cursos ficam disponíveis no site para todas as pessoas que desejarem se qualificar, mesmo que estejam empregadas.

Conselhos de branding para bibliotecários: dicas para criar a sua marca pessoal

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Que o marketing se aplica a todos os lugares, isto ninguém duvida. Inclusive para nós como bibliotecários, ele pode ser muito útil para nos projetarmos no mercado de trabalho. Pensando nisto, hoje trago algumas ideias sobre uma ação de marketing que pode ser utilizada a nosso favor, o branding: uma ação de marketing. Segundo os profissionais do marketing, o brand/branding seria:

Uma marca ou brand é a percepção dos consumidores sobre um produto, serviço, experiência ou organização.

É possível que já tenhamos nos deparados com algumas das situações a seguir:

  1.  O mercado de trabalho ainda não sabe quem eu sou ou o que eu faço;
  2.  Ingressei no mercado de trabalho, mas ainda não possuo um posicionamento concreto dentro dele e tenho a sensação de estar “perdido” na carreira;
  3. Conheço o meu potencial e habilidades, mas ainda não aprendi a mostrar para o mercado como sou diferente dos demais profissionais na minha área.

“Quem não é visto,não é lembrado” (ditado popular)

Estou certo? Isto tem a ver com branding que é um sistema de comunicação que deixa claro porque a marca (eu) importo e fazer com que um potencial consumidor me perceba enquanto profissional como a única solução para o que ele busca e principalmente atrair esses consumidores para mim. Note: tem a ver com percepção. Lembram daquele ditado “Quem não é visto,não é lembrado”? Faz muito sentido aqui. Pensando nisto, sugiro que mostrem o seu valor como profissional bibliotecário. Mas é preciso que você não se esconda dentro de uma biblioteca ou atrás do balcão de referência. Considere investir tempo (E talvez algum recurso) para criar a sua presença digital, o seu desenvolvimento pessoal e sua rede de relacionamentos.

As três facetas da marca pessoal do bibliotecário são o nível de educação, competências e interesses. O gráfico a seguir ilustra a importância dessas três facetas essenciais na modelagem das características do bibliotecário como uma profissão significativa para os usuários e para a sociedade.

Quadro branding pessoal para bibliotecários

Fonte: Adaptado de BAHARUDDIN; KASSIM (2014)

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O amor é um elemento importante nesta equação de marca pessoal. É sobre estar
amando a si mesmo … amando os outros e amando o que faz. ” (RAMPARSAD, 2008, p.34, tradução nossa)

 

Como criar a sua marca? Que conselho de branding você sugere? 

 

Quem é você?

Primeiro, pense em como você quer ser percebido e onde você quer ir com sua carreira. Eu acredito e o que gosto de vender é: “Eu sou bibliotecário e sou a pessoa que sabe onde está a informação”. Podemos criar um estereótipo positivo, com algumas personalizações. Pense em que você pode ser útil ao outro. Quais são as habilidades que você tem e que pode contribuir para solucionar o problema do próximo.

Tenha boas ideias e atitudes positivas

Faça o que você é bom! Não adianta querer fazer isto ou aquilo pensando apenas na rentabilidade da coisa. Concentre-se em seus talentos e no que você gosta. Só é feliz quem faz o que gosta.  O sucesso de sua marca pessoal expressa seus pontos fortes. Invista em potencializá-lo, estimule criação de novas ideias a partir do pensamento e atitude positiva. Você atrairá muita coisa boa.

Seja foda no que você faz

Normalmente é usada a expressão: “seja bom no que faz” mas não teria a mesma expressividade que quero neste momento. Está intimamente ligado ao tópico anterior. Isto poque se você segue investindo em aperfeiçoamento profissional, com o passar do tempo, à medida que apresenta excelente trabalho,  ganhará uma reputação por fornecer um excelente serviço, a notícia se espalhará e essa boa reputação encorajará outros a buscar por você e a usar os seus serviços.

Conheça o seu público

Você é visto por públicos distintos e que podem ter mensagens diferentes de como você se apresenta. Normalmente minha marca como bibliotecário será reconhecida e usada por estudantes, instrutores, pesquisadores, docentes, colegas, gestores de biblioteca e talvez outras pessoas.  Não seja uma boa ideia mostrar um rosto diferente para cada público, no entanto, considere adequar a mensagem que você deseja enviar a cada grupo e como essas mensagens podem se complementar. 

Cuide da sua apresentação pessoal

O aumento de sua confiança é o que a marca pessoal pode fazer. No trabalho, eles são a marca e sua aparência é o seu logotipo pessoal. Além disso, a marca pessoal pode aumentar a visibilidade do bibliotecário. Para aumentar sua visibilidade, experimente usar algo com cores vivas.

Tenha um Site/Blog/Portfólio

Construa relacionamentos virtuais. Para ser visto e  “recuperável” pelo Google. Possíveis empregadores irão pesquisar lá.  É mais prático buscar na internet referências sobre o que buscamos. Se temos um bom posicionamento online fica fácil despertar interesse para que nos busquem pra  conversar e  encontramos pessoalmente. Considere criar um perfil no Linkedin, um site, blog, instagram profissional e informe o que você pode fazer.

Pesquise por si mesmo no Google com frequência

No modo anônimo (ou como visitante, dependendo do seu navegador) busque pelo seu nome e veja se você aparece e como aparece. Ora, se não aparece nada, pode ser preocupante pois se eu não possuo meu nome no Google, estou perdendo oportunidades. Os dias das primeiras impressões que começam com um aperto de mão acabaram e agora a pesquisa do Google costuma ser o primeiro lugar em que as pessoas procuram informações publicadas sobre você. Leia mais ou busque ajuda profissional para orientá-lo quanto ao Search Engine Optimization (Otimização para mecanismos de busca).

Seja oferecido!

Não menospreze o trabalho voluntário. Nele, embora não seja uma parceria que envolva troca financeira, pode ser uma porta para futuros clientes e ainda para aumentar sua rede de contatos. Se ofereça para fazer palestras, treinamentos, organizar acervos pequenos de igrejas, associações de bairro, etc.

Se você está formado há algum tempo e não consegue se inserir no mercado de trabalho, crie a oportunidade. Seja através de empreendedorismo, ou quem sabe desenvolvendo um trabalho voluntário, ou ganhando um pouco menos, pode ser altamente estratégico –  pense a longo prazo.

Lembre-se duas coisas: 1)As vezes é preciso perder para ganhar. 2) Estabelecer uma reputação consistente não acontece rapidamente. Logo, você precisa estar fazendo suas próprias oportunidades.


gratidão ao universo - bibliotecário - manaus

Quando os bibliotecários não parecem proativos, eles inadvertidamente retratam uma imagem que pode prejudicar sua própria capacidade de relevância. Na pior das hipóteses, um bibliotecário de referência passivo ou conservador pode ser visto como aquele que desempenha pouco mais que os deveres administrativos. Ou ainda uma considerado exigente e ligado a regras. Certamente não é isso que queremos, não é mesmo? Então seguindo o estilo de vida da colega, também bibliotecária Katty Anne Nunes “Thi, fala para o universo que ele te devolve”. Vamos mentalizar o estereótipo com efeito positivo (E que já existe na mente de algumas pessoas):

 Bibliotecários também são prestativos, atenciosos e inteligentes.

 

Espero que as dicas tenham sido válidas a vocês e que possam aplicá-las para a construção da marca pessoal como profissional.  Estejam certos de que esta é uma tentativa  importante de gerenciar ou controlar o que as pessoas pensam de nós bibliotecários e ampliar os traços positivos. Mando boas vibrações a vocês. Se quiserem compartilhar a experiência pessoal de vocês, deixe seu comentário. Ficarei contente em ler e trocar ideias.

 

Referências
RAMPERSAD, Hubert K.. A new blueprint for authentic and successful personal branding. Performance Improvement, Estados Unidos da América, v. 6, n. 47, p.34-37, 11 abr. 2008. Disponível em: <https://doi.org/10.1002/pfi.20007&gt;. Acesso em: 04 abr. 2018.
BAHARUDDIN, Mohammad Fazli; KASSIM, Norliya Ahmad. Conceptualizing Personal Branding for Librarians. In: VISION 2020: SUSTAINABLE GROWTH, ECONOMIC DEVELOPMENT, AND GLOBAL COMPETITIVENESS, 23., 2014, Valencia (Espanha). Conference Paper. Valencia (Espanha): Ibma, 2015. p. 38 – 44. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/281481121&gt;. Acesso em: 04 abr. 2018.

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As oportunidades estão na biblioteca pública: apoio a pessoas sem emprego e ao emprendedorismo

As bibliotecas públicas devem recuperar a sua missão social e se concentrar em ajudar os grupos mais desfavorecidos.

Alemanha, Brasil, Espanha, Estados Unidos são países onde já é possível encontrar serviços bibliotecários orientados a pessoas que estão buscando emprego ou ainda aos empreendedores e autônomos, especialmente aos jovens quando o objetivo é oferecer recursos e ferramentas para ajudá-los e apoiá-los a enfrentar o mercado de trabalho cada vez mais competitivo e em busca de pessoas criativas e capacidades inovadoras.

Trata-se de uma questão cultural que está por detrás dos indicadores sociais do desemprego e então a biblioteca ressurge com destaque e mostra o seu papel efetivo como uma instituição agente que pode e deve contribuir para a coesão social.

Depois de ler algumas coisas em fóruns da internet, resolvi escrever um post como sugestão inspiradora aos colegas bibliotecários que gostam e desejam pensar a biblioteca “fora da caixa”, assim que fica o registro como uma maneira de estimular profissionais de bibliotecas a criar e empreender ações sustentáveis para ampliar o protagonismo da biblioteca na sua comunidade.

#O que se observa e que pode ser feito a partir das páginas web ou blog das bibliotecas públicas ou dos terminais de consulta:

  • Serviço de recompilação documental sobre notícias e informações relevantes sobre oportunidades de trabalho e capacitação;
  • Organizar um espaço onde a informação esteja classificada em: orientação; profissões; encontrar um emprego; vida profissional; concursos públicos.

#Nos espaços físicos podem ser organizados diferentes cursos, oficinas e palestras para:

  • A descoberta profissional – conhecendo profissões;
  • Capacitação – divulgação e realização de cursos de curta duração e com saída laboral;
  • Conhecimento e utilização de ferramentas e recursos para busca de emprego;
  • Conhecimento de empreendedorismo e mundo do trabalho;
  • Assessoria para criar plano de negócios, educação financeira;
  • Modelagem de negócios;
  • Iniciação as start-ups;

Seria interessante que as bibliotecas públicas brasileiras possuíssem um espaço ou serviço sobre informação e emprego, considerando ainda as necessidades de informação especializadas para os imigrantes e emigrantes.

#O que considerar:

  • A biblioteca  pública é um lugar excelente por sua neutralidade para desenvolver muitos tipos de serviços, deve ser inclusiva;
  • É necessário cooperar com entidades de forma sistematizada e baseada em acordos, convênios, parcerias;
  • A mediação humana é fator básico nas bibliotecas;
  • Os cursos e oficinas  devem ser personalizados sempre conhecendo o perfil dos usuários;
  • Principalmente: Nunca esqueça de avaliar as ações que se desenvolvem para ver e ter evidências da efetividade e do impacto que tem para a sociedade.

O assessoramento pode ser individual ou em grupo, dependendo do espaço físico e dos equipamentos disponíveis. Obviamente nem todas as competências são obrigatória de bibliotecários. Ora, se estamos na era das cooperações, é esse o momento de buscar pessoas e entidades parceiras( setor de informática, de recursos humanos, de empreendedorismo, de capacitação profissionalizante) para colaborar nos projetos que se pretendem executar.

Além de realizar as atividades é preciso divulgá-las e animar a comunidade a participar. Assim, é sempre bom promover palestras, fóruns, debates, encontros profissionais entre empresários e jovens em busca de emprego. É realmente pensar a biblioteca como um espaço interativo e de encontro.