6 coisas que aprendi na “Expedição Barco Biblioteca” e que podem ser úteis para você

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A leitura é um fator primordial para a vida em sociedade, mesmo assim muitas pessoas ainda não se apropriaram desse hábito. Essa temática vem sendo foco de várias pesquisas e eventos acadêmico-científicos, sempre com o objetivo de torná-la acessível a todos.

O Brasil apresenta largas distâncias entre seus Estados e municípios sofrem com a ineficácia na implantação de projetos. O Estado do Amazonas ocupa o maior espaço territorial do país, além disso, o transporte fluvial pelos rios é a única forma de acesso às comunidades.

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Mapa do Estado do Amazonas (Brasil) com seus 62 municípios. Imagem disponível em: http://www.guiageo.com/pictures/mapa-amazonas.jpg

Nesse contexto a Expedição Barco Biblioteca atua com uma atividade desenvolvida por um grupo de voluntários que visa levar a leitura para as comunidades do Amazonas que não possuem acesso de via terrestre, tentando alcançar e ganhar o maior número de leitores possíveis. Contribuindo para o processo de inclusão informacional a partir da prática da leitura e a democratização do acesso ao livro que são aspectos importantes na denominada sociedade da informação e do conhecimento.

Trata-se de um desafio, pois a leitura, condição que para muitos é considerada essencial, não está disposta para todos e há pessoas analfabetas que precisam ser incluídas na sociedade a fim de garantir sua participação como cidadão.

A metodologia dessa atividade surgiu em 2006 com o Instituto Ler para Crescer da Amazônia (ILPC), organização sem fins lucrativos, de atuação filantrópica em defesa dos direitos das crianças e adolescentes e que se ocupa com ações para comunidades menos favorecidas nos bairros da periferia de Manaus.

A ação arrecada recursos financeiros por meio de doações de amigos e familiares. Destaca-se que é uma atividade voluntária e estamos abertos para parcerias e mais voluntários para as próximas edições.

O Barco viaja pelos rios do Amazonas, promovendo ações em comunidades ribeirinhas – especialmente para as crianças que ali vivem. Tais atividades destacam a importância dos livros na vida cotidiana e abordam temáticas que valorizem a conscientização ambiental, já que estão inseridos no ambiente amazônico e também ao valorizar essa temática, cria-se um sentimento de identidade com a população visto que grande parte vivem a base econômica de agricultura e da pesca.

 

 

Nossa jornada teve início no dia 11 de agosto onde nos deslocamos para o município de Manacapuru localizado a 71 km da capital mas que faz parte Região Metropolitana de Manaus, no estado do Amazonas. No dia 12, partimos logo cedo do Porto de Manacapuru e voltamos à Manaus no final da tarde do dia 13.

Posso dizer que foi um final de semana revigorante para todos os marujos (maneira pela qual denominamos carinhosamente cada voluntário da atividade), acreditamos que  plantamos boas sementes e que em breve elas possam florescer e gerar bons frutos nas Comunidades: Águia de Sacambu, Nossa Senhora de Nazaré, São Paulo e São Pedro do Castanho.

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Após conversa com os marujos ,  chegamos a conclusão que aprendemos sobre:

  1. Reciprocidade. Vamos para ajudar mas na verdade  nós somos ajudados. Não somos mais as mesmas pessoas que éramos antes dessa atividade assim como as pessoas com as quais tivemos contato também foram impactadas e transformadas de alguma maneira. Fomos marcados e marcamos vidas, histórias, redesenhamos rumos.
  2. Conexões. Estabelecemos fortes conexões. A possibilidade da imersão faz com que trocamos ideias constantemente, compartilhando experiências de vida e aprendendo juntos a cada momento. Mesmo a maioria dos marujos  não se conheçam previamente, salvo poucos casos, ao final todos saem como se fossem amigos “a mais de 10 anos”. Isso porque as atividades são divididas por grupos e a rotatividade na execução das atividades e as dinâmicas facilitam o intercâmbio na medida que favorece o diálogo.
  3. União. Juntos somos mais fortes. Somos a soma de muitas experiências e podemos ser pontes para muitos, sobretudo para as pessoas menos favorecidas. Há quem diga que servimos de canal de alegria e conhecimento na vida daqueles pequeninos e pequeninas.
  4. Amor e solidariedade. O amor transborda. Essa foi a resposta inclusive para a imprensa. Os marujos transbordam amor o ano todo com seus pais. Dedicaram o final de semana para dividir amor com outras pessoas, com outras crianças e outros pais. Isso porque esse projeto social, mais que executado ele é vivido. Aqui o importante é a boa vontade: há que doar-se!
  5. Habilidades e talentos. Sempre há a ocasião certa para descobrir ou desenvolver talentos e habilidades. Ver como o outro me enxerga e como eu me vejo é ideal para reconhecer que não somos perfeitos mas podemos melhorar. O importante é  não focar nas nossas deficiências e sim no que sabemos fazer com louvor. E o que sabemos fazer bem deve ser compartilhado. Assim,  o barco é  uma oportunidade para se juntar com aquele colega que sabe fazer outra coisa que eu sou capaz de reconhecer que não sou tão bom mas me interessa desenvolver.
  6. A leitura como experiência. Ler ou escutar em voz alta é uma maneira de abrir os espaços para fora da realidade. A leitura permite um salto para um mundo onde a fantasia e a imaginação de um futuro passa a ser possível. Ela nos convida a isso quando nos apropriamos de fragmentos de espaços fictícios para ilustrar a nossa alma e criar novos lugares para viver. Quero dizer aqui, que projetamos belezas, fábulas, sonhos e maravilhas sobre a nossa vida cotidiana.

Que possamos multiplicar essa corrente do bem, que possamos ser mediadores de leitura saindo de barco, de ônibus, a pé… Que sejamos luz e alegria nesse mundo.

Informamos aos leitores do blog que em breve vocês poderão replicar a experiência. Poderão se juntar com um grupo de amigos, familiares e outros que acreditam na ideia e desenvolver a atividade. Em breve divulgaremos o Manual para realização do Barco Biblioteca, detalhando as atividades.

Se você tem interesse em viver essas experiências, fique atento para as próximas edições. Provavelmente não vai ser como você imagina, vai ser muito melhor.

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