Bibliotecas em todo o mundo estão sofrendo cortes orçamentários resultantes da crise econômica

Bibliotecas em todo o mundo estão sofrendo cortes orçamentários resultantes da crise econômica: inversão ou gasto?

investir em tempos de criseAs bibliotecas desempenham um papel fundamental na sociedade, não só como lugares onde um indivíduo pode emprestar livros ou utilizar-se do espaço sem gastar um real por isso.

Me refiro aqui às bibliotecas que fornecem bons serviços à comunidade como os centros culturais ou mesmo as bibliotecas parque, um conceito que surgiu em Medellín, na Colômbia e chegou ao Brasil onde já existem no Rio de Janeiro e São Paulo  e vem ganhando cada vez mais visibilidade devido sua formulação ser  mais ampla do que a tradicional, vai além de ter um acervo literário e de oferecer empréstimos de livros.  A ideia é que esses locais se aproximem de centros culturais, com ampla acessibilidade, a realização de atividades culturais e a promoção de leitura nos mais diversos suportes.

Mas com a crise do que a maioria dos países do mundo têm sido cruz recursos orçamentais notáveis em muitas ocasiões têm desempenhado-se à cultura e bibliotecas onde há livros são comprados, quase não há empregados ou, por exemplo, revistas não estão disponíveis.

É uma realidade comum nas mídias impressas e mesmo nos correios eletrônicos que tenho recebido ultimamente. É fato o recorte nos orçamentos destinados às bibliotecas mesmo em países onde culturalmente elas se apresentam como instituições de alto reconhecimento para a sociedade.

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Em Nova York, já foi decidido dispor uma fatia no orçamento destinado aos serviços direto ao púbico das bibliotecas em mais ou menos U$10 milhões de dólares do total de U$323 milhões (New York Times; 21/04/2015) o restante serve para pagar os funcionários e quase nada sobra para modernizar as instalações dos edifícios e realizar outras manutenções que sejam necessárias.

Comparado ao ano de 2008, já apresenta uma perda de 65 milhões de dólares que deixaram de ser investidos nesses espaços. Isso desenvolveu protestos em frente as instituições porque os cidadãos entendem que o orçamento para tal instituição nunca deveria baixar, mas sim permanecer estável ou aumentar ano após ano. E já começam a mobilizar-se para recuperar dinheiro que possibilite a volta de alguns programas que deixaram de ocorrer desde o referido ano.

Keith Michael Fiels (2011) elaborou um excelente trocadilho em seu artigo “A Library State of the State: trends, issues and myths” quando disse:

“Nós já ouvimos falar da ‘biblioteca sem paredes’ por muitos anos e muitos políticos prontos para acelerar a impressão dessa tendência acabaram criando a ‘biblioteca sem dinheiro”.


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Pensando nisso, a sociedade se organiza. O Movimento Abre Biblioteca que surgiu em Manaus em maio de 2012, inspirado no Marea Amarilla (Maré Amarela), movimento criado em prol da luta pelas Bibliotecas Públicas da Espanha. Encabeçado pelas bibliotecárias Soraia Magalhães, Katty Anne Nunes, eu Thiago Giordano Siqueira, na época ainda estudante de Biblioteconomia  e a design Evany Nascimento decidimos criar uma mobilização para garantir a reabertura da Biblioteca Pública do Estado do Amazonas que se encontrava fechada a 5 anos para reformas.

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Agora, cria-se uma extensão carioca, Movimento Abre Biblioteca Rio para sensibilizar as autoridades e demais responsáveis pelas bibliotecas parque do Estado do Rio de Janeiro sobre a contenção de investimentos que levou as 4 instituições a  limitarem os dias e horários de atendimento ao público. Por conta disso, haverá um Ato público contra os corte na cultura, especialmente nas bibliotecas-parque; Data e horário: 29 de maio de 2015, às 15 horas; Local: Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro, Avenida Presidente Vargas, 126 – Centro.

Aproveito o espaço para divulgar o movimento “Eu Amo Biblioteca, Eu Quero” foi criado pela Federação Brasileira de Associação de Bibliotecário (FEBAB) para mobilizar a sociedade e mostrar que as bibliotecas não são apenas um espaço para guardar livros. As bibliotecas devem ser espaEu-amo-bibliotecasços convidativos e, além de incentivar a leitura, precisam oferecer uma agenda cultural variada com música, cinema, dança, arte, cursos, palestras, oficinas. Nós precisamos de bibliotecas, e devemos exigir bibliotecas de qualidade. É nosso direito como pessoa, como cidadão.

Eu percebo e gostaria que muitos governantes e investidores notassem as bibliotecas como uma fonte de inversão social porque nelas se cresce como pessoas, se constroem cidadãos que precisam de informação. [Não vale dizer que a internet chegou pra democratizar, porque é papo. Nem todos possuem computador em casa, tampouco acesso a internet ou ainda sabem manipular o aparato tecnológico]. 

As bibliotecas não são apenas lugares de estudos ou para empréstimo de livros, há muitos casos em que ela é utilizada para consultar os anúncios de apartamentos, para que os desempregados possam ser orientados de que maneira criar seus currículos e ainda para as crianças recebem aulas gratuitas. Ou seja, elas são essenciais para o desenvolvimento da cultura democrática e são lugares de encontro, debate e convivência para comunidade local.

Uma vez que a sociedade se mobilize e promovam atos a favor das bibliotecas, então a mediocridade dos gestores diminuirá pouco a pouco e começarão a conhecer o valor das bibliotecas, dos profissionais que a constituem e ainda dos milhões de pessoas que a frequentam diariamente e as que ainda estão por conhecer a magia desse lugar.

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