Inquietudes (que não são apenas) argentinas sobre as bibliotecas populares

FIGURA1_feria_del_libro_divulgação

A Feira Internacional do Livro de Buenos Aires ocupa mais de 45 mil metros quadrado e é mais concorrida no mundo de fala espanhola. Durante três semanas de duração, as estatísticas indicam mais de um milhão de leitores e mais de dez mil profissionais do livro: escritores, editores, ilustradores, etc.

Na edição de 2014 estive presente e me chamou a atenção o estande do Governo da Cidade Autônoma de Buenos Aires, convocando por meio da Secretaria de Cultura a população presente na feira a participar de uma conversa aberta sobre as bibliotecas do futuro.

Cheguei pensando que o discurso seria sobre os e-books ou sobre crescimento da documentação escrita, uso de tecnologias ou algo assim visto que havia muitas editoras promovendo seus serviços nesse aspecto durante a feira.

Para minha surpresa foi bem além disso, fizeram o tal do “pensar fora da caixa” em vez de reproduzir “mais do mesmo”.

Observei que havia cartazes coloridos e pessoas que convidavam quem passava pelo corredor a deixar sua opinião sobre:

“Como você imagina a biblioteca do seu bairro no futuro?”

“Você conhece a biblioteca do seu bairro?”

“Que atividade você gostaria que tivesse na biblioteca de seu bairro? ”

Inquietudes portenhas sobre as bibliotecas populares

As pessoas que por ali estavam eram convidadas a relatar experiências e compartilhar o que acontecia na biblioteca de sua comunidade ou o que gostaria que fosse feito. Aos poucos, foi chegando mais pessoas e deixando ali suas contribuições.

Naquela época, já estava vivendo em  Buenos Aires a quase dois meses, conheci poucas bibliotecas populares mas muito me chamou atenção o fato de que muitas delas desenvolvem  workshops, oficinas, assessoria aos estudantes de primária ou coisa do tipo. Ou seja, do ponto de vista social, cumpre sua função como um espaço democrático que possibilita e fomenta o acesso a informação e a cultura.

Diante os apontamentos, é obvio notar que as bibliotecas, principalmente as populares devem:

  • Abandonar o molde tradicional e limitado de ser um espaço de consulta a livros e ajustar-se às necessidades da comunidade.

  • Precisam adequar a infraestrutura para se tornarem mais atraentes e ainda servir como ponto de cultura independentemente do tipo de manifestação artística que seja.

  • Buscar qualidade do acervo: o livro pode ser velho  mas conteúdo desatualizado não deve ocupar espaço nas estantes.

  • Entender a biblioteca como um um espaço de formação contínua e como ponto de encontro : a comunidade quer um espaço agradável para conversar e trocar ideias, e isso pode trazer benefícios ao atrair mais gente e buscar soluções conjuntas para problemas.

  • Planejar serviços inclusivos  de democratização e acesso. Podemos citar como exemplo a entrega a domicílio, uma excelente prática tendo em vista que há muitos idosos e pessoas com dificuldade de locomoção para chegar até as bibliotecas. Ou mesmo o simples fato de disponibilizar acesso gratuito a internet nestes espaços – isso porque há pessoas que não possuem computadores em casa ou dinheiro suficiente para pagar um pacote de conexão. Logo, a biblioteca estaria mais uma vez sendo útil.

Em todo caso as bibliotecas populares dependendo do grau dos serviços oferecidos, podem ser espaços atrativos desde que haja empenho em estar motivado para fazer o uso criativo e inovador desses espaços no que diz respeito as atividades e recursos. Sabemos que a mudança é lenta mas não podemos perder a esperança.

E você, como pensa a sua biblioteca do futuro?

Texto de minha autoria reformulado do original publicado no Blog Paneiro em 2014.

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